6º Congresso da CSP-Conlutas: Fortalecer uma alternativa operária e popular, com independência de classe, luta e internacionalismo
Entre os dias 18 e 21 de abril, no Clube Guapira, em São Paulo (SP), será realizado o VI Congresso da CSP-Conlutas. Sob o lema “Independência de classe, luta e internacionalismo: construindo uma alternativa operária e popular”, o encontro acontecerá no marco dos 20 anos de fundação da central. O objetivo é fortalecer seu caráter sindical e popular, organizando trabalhadores do campo e da cidade, movimentos populares e setores em luta contra as opressões, como o machismo, o racismo, a lgbtfobia e outras formas de exploração e discriminação.
As transformações no mundo do trabalho, marcadas por precarização, terceirização, pejotização, trabalho por aplicativos e uberização, também impõem novos desafios à organização da classe trabalhadora e, nesse sentido, a central aposta na incorporação dos novos setores que surgem fora das estruturas sindicais tradicionais, ampliando a unidade entre trabalhadores formais e informais, juventude e movimentos sociais.
Democracia operária
Desde fevereiro, sindicatos, oposições sindicais e movimentos populares iniciaram a realização das assembleias que elegem os delegados ao encontro. Foram apresentadas contribuições nacionais por entidades e correntes sindicais e políticas, que servirão de base para os debates nas assembleias, grupos de trabalho e plenárias.
Até o dia 17 de março, as bases debaterão os desafios políticos e organizativos da CSP-Conlutas para o próximo período, fortalecendo a construção coletiva das resoluções que serão discutidas e votadas no congresso.
Entrevista
Bloco Operário e Popular apresenta propostas classistas e socialistas para o congresso

O Bloco Operário e Popular, composto por dezenas de sindicatos, movimentos populares e organizações de luta contra as opressões, apresentou suas propostas ao VI Congresso da CSP-Conlutas. Confira a entrevista com Luiz Carlos Prates, o Mancha, integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, que também compõe o bloco.
Como o Bloco avalia o momento político internacional?
Vivemos um período de profundas turbulências e reorganização da ordem mundial, marcado pela disputa entre grandes potências imperialistas, especialmente Estados Unidos e China. Esse cenário aprofunda crises econômicas, guerras, polarização social e destruição ambiental. Na América Latina, vemos uma ofensiva imperialista que ameaça a soberania dos países da região e amplia essa instabilidade política e os ataques à classe trabalhadora.
Qual tem sido o papel da CSP-Conlutas nesse contexto?
Mesmo sendo uma central ainda pequena, temos cumprido um papel importante ao reunir setores dispostos a enfrentar tanto a agressão imperialista quanto os ataques aos trabalhadores. Nós nos posicionamos contra intervenções externas, como no caso da Venezuela, sem apoiar governos que aplicam políticas contra o povo trabalhador. Também estivemos na linha de frente da solidariedade internacional, denunciando o genocídio promovido pelo Estado de Israel contra o povo palestino e apoiando a resistência ucraniana diante da agressão russa.
E qual é a avaliação sobre a situação brasileira?
O governo Lula manteve reformas profundamente prejudiciais à classe trabalhadora, como a trabalhista e a da Previdência, além de seguir aplicando políticas de ajuste fiscal por meio do arcabouço fiscal. Esse cenário gera frustração social, enquanto a extrema direita tenta capitalizar o descontentamento para fortalecer um projeto autoritário ainda mais favorável aos grandes empresários. É uma suposta polarização, mas que envolve dois projetos burgueses.
Qual deve ser a posição da CSP-Conlutas diante dessa situação no país e qual a saída defendida?
A central precisa manter sua independência política frente aos dois blocos burgueses em disputa. Nossa tarefa é construir uma oposição de esquerda, baseada nas lutas concretas da classe trabalhadora, apresentando uma alternativa própria, que aponte para uma saída classista e socialista dos trabalhadores. Defendemos um programa que aponte um novo rumo para o país, baseado na ruptura com o sistema capitalista e com o poder dos grandes bancos e empresas. É necessário construir um projeto socialista, com poder político e econômico nas mãos dos trabalhadores.
Uni-vos
Internacionalismo marca presença no VI Congresso
O VI Congresso da CSP-Conlutas contará com a participação de organizações sindicais e populares de diversos países e continentes.
Entidades da França, Espanha, Colômbia, Palestina, Ucrânia, Estados Unidos, Argentina e Itália já confirmaram presença e participarão de mesas e atividades políticas ao longo do congresso, fortalecendo a troca de experiência e a solidariedade entre os povos em luta.
Como continuidade desse processo, será realizado no dia 22 de abril um encontro internacional, reunindo delegações estrangeiras e organizações brasileiras para debater a ofensiva imperialista na América Latina e no mundo, bem como as formas de enfrentamento por meio da solidariedade internacional e da luta organizada da classe trabalhadora.