Nacional

Aumento nas passagens no RJ escancara prioridade dos governos: lucro acima da população

PSTU Rio de Janeiro

14 de janeiro de 2026
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Os trabalhadores do Rio começaram o ano levando mais um baque no bolso: as passagens de ônibus municipais subiram para R$ 5, e a previsão é de que o metrô, que já é o mais caro do país, chegue a R$ 8,20 a partir de abril. Isso tudo em um momento em que o trabalhador carioca e fluminense já enfrenta um custo de vida sufocante.

O aumento que chegou sem pedir licença

O reajuste das passagens no município entrou em vigor de forma direta, atingindo de imediato quem depende de ônibus para ir e voltar do trabalho. A tarifa de R$ 5 vale para toda a rede municipal, e a decisão foi tomada pela prefeitura, sob responsabilidade de Eduardo Paes. Além dos ônibus, o aumento também atinge outros modais, como VLT, BRT, vans legalizadas e linhas convencionais, reforçando a sensação de que o transporte público virou um peso cada vez maior no orçamento da população.

E o mais revoltante é que o aumento não vem acompanhado de melhoria real na qualidade do serviço. Quem vive no Rio sabe como é comum esperar longos minutos por ônibus que chegam lotados, quebrados ou sem ar-condicionado, um verdadeiro sofrimento no calor do verão carioca. Muitas frotas seguem rodando em estado precário, com veículos antigos e manutenção duvidosa, deixando evidente que o valor cobrado da população não retorna em forma de conforto ou dignidade.

Esse contraste entre tarifa alta e serviço ruim escancara a lógica de tratar o transporte público como se fosse um produto de luxo, quando deveria ser um direito básico. Os ônibus seguem explorados por empresas privadas que priorizam lucro em vez de oferecer um serviço decente para a população que paga por ele.

Metrô mais caro do país e aumento no Bilhete Único

Se o transporte municipal já pesa, o estadual ameaça ficar ainda pior. A partir de abril, a tarifa do metrô deve subir para R$ 8,20, consolidando o sistema como o mais caro de todo o Brasil. Essa decisão envolve diretamente o governo estadual, comandado por Cláudio Castro, e se soma ao recente aumento do Bilhete Único Intermunicipal, que afeta milhares de trabalhadores que cruzam diariamente as fronteiras entre municípios para garantir seu sustento.

Para quem depende do metrô, seja para fugir dos ônibus quebrados, seja para encurtar o trajeto, essa previsão significa mais uma fatia do salário indo embora antes mesmo de chegar ao fim do mês. O metrô, que deveria ser alternativa rápida e eficiente, passa a ser para muitos um privilégio inacessível.

A vida do trabalhador cada vez mais apertada

Enquanto o transporte dispara, o custo de vida no Rio não fica para trás. Estudos recentes mostram que a cidade tem uma das cestas básicas mais caras do Brasil, chegando a quase R$ 950. Para o trabalhador, que vê o salário praticamente estagnado, isso significa abrir mão de itens essenciais ou se endividar para garantir alimentação, transporte e contas básicas.

A combinação de tarifa alta e vida cara coloca o trabalhador em um ciclo cruel: ganha pouco, gasta muito e recebe quase nada em troca do serviço que paga. A cada aumento, é a população que sente o golpe primeiro, especialmente aqueles que não têm outra opção além do transporte público.

Paes e Castro, responsáveis pelo caos

Diante desse cenário, não dá para ignorar quem toma as decisões. No município, o aumento aprovado pela prefeitura está sob responsabilidade direta de Eduardo Paes. No estado, quem conduz o reajuste do metrô e influencia o Bilhete Único é Cláudio Castro. Ambos governam de forma alinhada com os interesses das empresas que operam os sistemas, deixando o trabalhador sem voz e sem alternativa.

Essa escolha de governar para atender aos operadores privados, e não à população, aprofunda a desigualdade no acesso ao transporte e reforça a ideia de que serviços essenciais estão sendo tratados como mercadorias de luxo, inacessíveis para quem realmente depende deles.

Quem deveria decidir o destino do transporte?

O mais urgente é reconhecer que o modelo atual não funciona para quem usa o transporte público todos os dias. Um sistema que deveria servir à maioria está nas mãos de poucos. O destino do transporte deveria ser decidido pelos trabalhadores e pela população que vive a realidade das filas, da espera, do aperto e do calor, não pelos donos das empresas ou pelos governos que tratam mobilidade como negócio lucrativo.

É preciso começar a discutir seriamente um caminho em que o transporte deixe de ser mercadoria e passe a ser um serviço essencial administrado de forma pública e transparente. A estatização dos transportes, acompanhada de controle real dos trabalhadores e da população, abre espaço para um modelo que priorize qualidade, acesso e dignidade, e não o lucro.

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