Nacional

Tarifa Zero, já! Porque o passe-livre nos ônibus é possível e necessário

Ray Maria, de Florianópolis (SC)

19 de janeiro de 2026
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Manifestação em SP contra o aumento das passagens. Foto Romerito Pontes

É comum que a maioria dos trabalhadores, no capitalismo, seja empurrada para morar cada vez mais longe do local de trabalho. A urbanização feita para atender aos interesses dos ricos, somada à desigualdade social e à especulação imobiliária, faz com que o povo trabalhador acabe vivendo em bairros afastados, precarizados, porém mais baratos. Com isso, muita gente precisa pegar dois ou até três ônibus por dia para conseguir trabalhar. Para quem não tem carro, o deslocamento vira mais um peso no bolso, ainda mais com tarifas de transporte público abusivas, que só aumentam ano após ano.

E o pior é que esses preços absurdos e os repasses milionários para as empresas privadas não se refletem em um transporte de qualidade. O que vemos são ônibus sucateados, que quebram no meio do caminho, com bancos quebrados, sem ar-condicionado, poucas linhas, veículos sempre lotados e sem cobradores, o que sobrecarrega ainda mais os motoristas. O lucro fica com os empresários, enquanto o trabalhador paga caro por um serviço cada vez pior.

 

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Os patrões capitalistas que devem pagar pelo transporte de seus trabalhadores!

O trabalhador paga para ir trabalhar, paga para estudar, paga para acessar saúde, cultura e lazer. A chamada “tarifa” é, na prática, um imposto regressivo: pesa muito mais sobre quem vive do salário do que sobre quem vive do trabalho alheio. Para milhões, o direito à cidade é limitado pela catraca.

A tarifa zero não é utopia: é uma reivindicação concreta, já aplicada em diversas cidades do mundo, inclusive no Brasil, como em Caucaia, município do Ceará. A questão central não é se é possível, mas quem deve pagar a conta. A tarifa zero, o passe-livre, propõe inverter a lógica atual: socializar os custos e eliminar a cobrança direta sobre o usuário.

Isso pode ser feito por meio de:

-Impostos progressivos sobre grandes empresas e fortunas;
-Taxação do transporte individual, estacionamentos e especulação imobiliária;
-Fim dos contratos parasitários com empresários do transporte;
-Gestão pública sob controle social e dos trabalhadores;

Ou seja: não se trata de “falta de recursos”, mas de escolha política. Recursos existem, mas estão concentrados nas mãos de poucos. A mobilidade urbana é parte das condições materiais de reprodução da força de trabalho. Cobrar passagem é cobrar para viver.

A tarifa zero amplia o acesso ao trabalho e à educação, reduz desigualdades territoriais e sociais, diminui a dependência do transporte individual, os engarrafamentos de trânsito e a destruição ambiental.

Mas atenção: tarifa zero sem ruptura com o controle privado é armadilha. Não basta zerar o preço mantendo os mesmos empresários, os mesmos contratos e a mesma lógica de lucro. Transporte público não é negócio, é direito!

A luta pela tarifa zero aponta para algo maior: a estatização do transporte sob controle dos trabalhadores e da população usuária. Sem isso, qualquer política será parcial e reversível.

A experiência histórica mostra que concessões só são conquistadas com mobilização popular, organização de base, greves, pressão nas ruas e independência de classe. Nenhum prefeito, governador ou parlamento burguês concederá tarifa zero por boa vontade.

A tarifa zero é uma bandeira de transição: parte das necessidades imediatas da classe trabalhadora e aponta para a superação do capitalismo. Lutar por ela é questionar quem manda nas cidades e para quem elas existem.

Nós, do PSTU, reivindicamos:

-Contra o aumento da passagem nas demais cidades! Tarifa zero, já!
-Pela Estatização do transporte público, já! Sem envolvimento de empresas privadas!
-Pela melhoria no transporte público! Pela instalação de ar condicionado, bancos e condições adequadas e aumento das linhas, já!
-Pela mobilização dos amplos setores do proletariado, com independência de classe e combatividade, para acabar com as tarifas e catracas!

 

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