Lutas

Entre tratores e fuzis: O abandono da Favela do Moinho pelo governo federal e a violência de Tarcísio

CSP Conlutas, Central Sindical e Popular

29 de janeiro de 2026
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A Favela do Moinho, cravada no centro de São Paulo, vive hoje sob um regime de terror que combina a truculência da Polícia Militar de Tarcísio de Freitas e a “omissão estratégica” do Governo Federal.

Apesar das promessas feitas pelo presidente Lula em maio de 2025, quando visitou o território e garantiu que ninguém seria deixado para trás, o que se vê hoje é o descumprimento sistemático do acordo que previa o modelo “chave-a-chave”, a saída apenas para moradia definitiva.

A estratégia para o esvaziamento da área tem sido pautada pela violência física e ambiental. Moradores relatam demolições de casas vizinhas com pessoas ainda dentro das residências, o que levanta nuvens de poeira sufocantes. “A situação no Moinho tá extremamente precária e tem gente que às vezes tem que dormir no trampo por ter problema respiratório e não conseguir ficar lá por conta da poeira!”, afirma uma das publicações nas redes sociais da comunidade.

Além da poeira, a proliferação de ratos e escorpiões em meio aos escombros torna a vida insuportável para as mais de 60 famílias que ainda aguardam atendimento habitacional. O objetivo, segundo as lideranças, é claro: forçar a saída dos moradores pelo cansaço e pelo medo, sem que o Estado precise cumprir sua parte no acordo de 2025. O “cenário de guerra” e a tática da expulsão.

Sangue no território da União

Embora o terreno do Moinho ainda pertença à União, a soberania no local parece ser exercida exclusivamente pelos fuzis da Polícia Militar. A comunidade denuncia que o Governo Federal “lavou as mãos” e permitiu que a gestão Tarcísio transformasse a favela em um laboratório de repressão para fins eleitorais e imobiliários.

A violência atingiu seu ápice com o “covarde e brutal assassinato de Felipe de Petta”, executado pela tropa de Choque no final de 2025. Nesta última terça-feira (27), o clima de tensão escalou com o desaparecimento de Marcelo de Flor Sabino de Souza, o “Marcelinho”, que foi agredido e retirado da favelas por policiais à paisana, sem qualquer identificação. Depois foi dado como desaparecido por cerca de 12 horas, até ser achado por familiares em uma delegacia no bairro do Bom Retiro. Vizinhos da comunidade denunciaram que ele foi torturado.

O silêncio de Brasília

A indignação da comunidade se volta diretamente contra o Palácio do Planalto. Em um evento recente na Casa do Povo, Daiane, moradora do Moinho, confrontou a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. Olhando em seus olhos, denunciou a prisão arbitrária da liderança comunitária Alê e o terror cotidiano.

“O governo federal havia se comprometido a só ceder o terreno ao governo do Estado quando todas as famílias fossem atendidas e desde que não houvesse violência. O fato é que Lula rifou as famílias do Moinho, assim como suas lideranças… entregando de bandeja esse território para os interesses do mercado imobiliário.”

Para os moradores, o governo Lula “cruzou os braços” enquanto o Moinho é destruído. Eles reforçam que não se opõem à saída, desde que seja para moradias dignas, conforme o prometido. Enquanto o atendimento habitacional não chega, o Moinho resiste entre os escombros de suas próprias casas e o silêncio ensurdecedor daqueles que prometeram proteção.

O movimento Luta Popular, filiado à CSP-Conlutas, vem apoiando a mobilização dos moradores da favela do Moinho desde o início e manifesta total solidariedade a essa luta, assim a Central.

 

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