Nacional

Justiça por Orelha!

Marina Cintra, de São Paulo (SP)

6 de fevereiro de 2026
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Nas últimas semanas, o Brasil se chocou com a notícia do assassinato sob tortura do cãozinho comunitário Orelha, na Praia Brava, em Santa Catarina. Foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais, e no dia 1º de fevereiro ocorreram manifestações por todo o país exigindo justiça. A brutal agressão sofrida pelo cachorro foi realizada por adolescentes ricos e brancos da região, filhos de donos de grandes redes de hotéis em Florianópolis.

Infelizmente o caso de Orelha traz à tona a seletividade da justiça no Brasil e escancara o descontrole total em relação ao acesso às redes sociais e à internet, pois casos de maus-tratos aos animais como esse acontecem todos os dias em grupos nas redes sociais.

A justiça, a grande mídia, o governo e a polícia têm lado: dos ricos e poderosos

A população brasileira não se revoltou só com a barbárie que aconteceu com o cãozinho Orelha, mas também com a seletividade e o acobertamento da justiça no caso. Logo após cometerem o crime, dois dos adolescentes viajaram para a Disney, do dia 4 até o dia 29 de janeiro.

O porteiro que teria testemunhado a violência foi demitido. A delegada, em entrevista ao Fantástico, na Rede Globo, disse que “não havia nem uma prova que incriminasse os jovens”, e a própria reportagem do Fantástico cumpriu um papel vergonhoso ao deixar em bastante evidência “que não teria provas contundentes contra os adolescentes”. Agora, por fim, foi divulgado que apenas um adolescente deverá ser internado e três adultos foram indiciados. Cadê a justiça para Orelha? O que aconteceria se os adolescentes fossem pobres, negros ou nordestinos?

Esse crime brutal escancara a triste realidade que vivemos: a justiça serve para proteger os ricos e poderosos, serve para que eles possam cometer crimes e saírem tranquilos e impunes para logo em seguida cometer novos crimes. É por isso que reduzir a maioridade penal não resolve: os adolescentes que mataram Orelha não seriam presos de nenhuma forma. Reduzir a maioridade penal só vai levar a população pobre e negra para a prisão.

Lembremos aqui do caso que também aconteceu em Santa Catarina, da Mari Ferrer, que foi violentada pelo empresário André de Camargo Aranha. Mesma coisa: rico, branco, poderoso. Resultado? Absolvido, mesmo após milhares de pessoas irem às ruas exigindo justiça e dando visibilidade ao caso. Poderíamos citar aqui diversas histórias parecidas. Nenhuma confiança na justiça dos capitalistas!

Em defesa da regulamentação da internet e das redes sociais

Cresce cada dia mais o número de grupos de ódio organizados via Discord, Telegram, X entre outros. Com o crescimento da extrema direita, jovens se organizam em grupos redpill, legendários etc., os quais disseminam misoginia, ódio a LGBTs, pessoas negras e animais.

Atualmente, esses grupos se encontram sob total descontrole. Muitas vezes, são compostos por adultos e adolescentes que de fato saem das telas e cometem crimes de ódio fora, com frequência filmados, como foi o caso do cãozinho Orelha. Isso reflete um aumento da violência contra os setores oprimidos da sociedade. Por isso, são necessárias políticas públicas para combater a violência e a impunidade de fato.

Justiça para o cão Orelha! Não aos maus-tratos! Pela proteção real aos animais!

O que aconteceu com Orelha é intolerável. Não podemos aceitar que casos assim ocorram todos os dias. Precisamos combater os maus-tratos aos animais, por políticas públicas que de fato protejam os animais, sem nenhuma impunidade aos agressores como está acontecendo no caso Orelha. Queremos justiça para Orelha, que todos os agressores sejam punidos, bem como seus pais que acobertam seus crimes!

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