Declarações

8 de Março: Chega de feminicídios e de violência contra as mulheres

Secretaria Nacional de Mulheres do PSTU

28 de fevereiro de 2026
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O Brasil vive uma onda brutal de violência contra as mulheres. Quatro mulheres são assassinadas por dia por razões de gênero. Em 2025, foram mais de 1.470 feminicídios — o maior número já registrado. Entre 2015 e 2025, mais de 13 mil mulheres tiveram suas vidas arrancadas pelo machismo. Ao mesmo tempo, estupros, agressões e casos de violência doméstica seguem em níveis alarmantes, com dezenas de milhares de registros anuais.

Essa violência não é obra do acaso. Ela está enraizada em um sistema baseado na desigualdade, na precarização do trabalho e na ausência de políticas públicas estruturais. Mulheres trabalhadoras — especialmente negras, periféricas e pobres — são as principais vítimas. Ao lado dos feminicídios, vemos mães que perdem seus filhos para a violência cotidiana nas periferias. É o retrato de um Estado que não organiza suas prioridades para proteger nossas vidas.

Lula governa para a burguesia com o ajuste fiscal enquanto as mulheres seguem desprotegidas

O governo Lula é responsável por essa realidade. Suas prioridades orçamentárias demonstram que o combate à violência contra as mulheres não está no centro da política econômica. Lula mantém o Arcabouço Fiscal, destina bilhões ao pagamento da dívida pública e garante os interesses dos bancos e do grande empresariado, enquanto os recursos para enfrentar a violência são irrisórios.

Em 2024, segundo o ILAESE, foram destinados apenas R$ 0,11 por mulher ao combate à violência. Isso não é descuido — é decisão política. O “pacto” contra os feminicídios anunciado após a pressão do levante de mulheres não possui orçamento próprio nem medidas estruturais. Sem recursos concretos vira propaganda vazia.

Lula governa em aliança com partidos conservadores que atacam os direitos das mulheres, se opõem a medidas de proteção e defendem a criminalização total do aborto. Essa governabilidade é defendida e sustentada pelo PT, PSOL e PCdoB, que priorizam a estabilidade institucional acima das necessidades urgentes das mulheres trabalhadoras.

Setores como a UP, apesar da retórica radical, poupam o governo na prática. E a chamada “esquerda” do PSOL faz críticas pontuais, mas vota com o governo no Congresso e mantém o apoio crítico. Esse campo político sustenta um projeto que preserva acordos com o capital enquanto nossas pautas são negociadas nos bastidores.

A governabilidade construída sobre alianças conservadoras custa vidas.

Extrema direita não é alternativa: fora Trump e seu projeto imperialista

A extrema direita brasileira se articula com o projeto internacional representado por Trump nos Estados Unidos. Trata-se de uma ofensiva contra direitos democráticos, contra as mulheres, contra pessoas LGBTI+, contra o povo negro e contra os povos oprimidos.

As políticas de Trump contra a Venezuela, com bloqueios e ameaças permanentes, e o chamado plano de “paz” para a Palestina, que ignora o direito à autodeterminação, expressam um projeto imperialista que impõe sofrimento às populações trabalhadoras e às mulheres desses territórios. O mesmo se verifica na prolongada guerra na Ucrânia, que serve aos interesses das potências enquanto o povo paga o preço.

No Brasil, bolsonaristas e setores conservadores se alinham a essa agenda reacionária. Atacam direitos reprodutivos, propagam discursos de ódio e defendem políticas repressivas. Quando Lula negocia com esse mesmo imperialismo e preserva interesses estratégicos dos Estados Unidos, ajuda a manter a estabilidade de uma ordem internacional que também oprime mulheres e povos.

A extrema direita cresce sustentada pela mesma estrutura econômica e institucional que a conciliação de classes preserva.

Violência policial e racismo de Estado

A violência que nos atravessa também se manifesta na ação cotidiana do Estado nas periferias. A juventude negra é alvo sistemático da violência policial. Mães trabalhadoras enterram seus filhos vítimas de chacinas, execuções e operações policiais que transformam territórios populares em zonas de guerra.

A violência de gênero caminha lado a lado com o racismo e a repressão de Estado. Não é possível combater os feminicídios sem enfrentar também o modelo de segurança pública que produz morte nas periferias.

Nossos aliados são os explorados e oprimidos

Os aliados das mulheres trabalhadoras não são as mulheres da burguesia ou aquelas que governam para ela — como a ministra Simone Tebet, que aplica o ajuste fiscal, ou a senadora Damares Alves, representante da agenda conservadora contra os direitos reprodutivos. Nossos aliados são os trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, a juventude precarizada, o povo negro das periferias, os povos indígenas — como demonstrou a recente luta no Tapajós que obrigou o governo a recuar na privatização dos rios —, as pessoas LGBTI+ e todos os setores oprimidos pelo capitalismo.

O machismo é funcional aos patrões porque divide a classe trabalhadora e aprofunda a exploração. Essa não é uma luta das mulheres contra os homens da nossa classe, mas contra um sistema que utiliza a opressão para ampliar seus lucros. Ao enfrentar o machismo de forma consciente e firme, as mulheres fortalecem a unidade da classe trabalhadora contra as ideias reacionárias. Só uma classe que enfrenta suas próprias divisões pode derrotar o sistema que lucra com elas.

Para derrotar a violência, é preciso enfrentar o sistema

Diante da barbárie e da ausência de medidas estruturais, a resposta vem das ruas. O levante de mulheres contra os feminicídios mostrou que não aceitaremos mais a normalização da violência nem a política de conciliação que bloqueia mudanças reais.

O PSTU defende:

• Recursos imediatos e massivos para políticas de proteção às mulheres, com orçamento real e permanente;
• Investimento em casas-abrigo, equipes especializadas e atendimento público de qualidade;
• Direito ao aborto legal, seguro e garantido no SUS;
• Emprego com direitos, salário digno e independência econômica para as mulheres;
• Fim da escala 6×1;
• Revogação do Arcabouço Fiscal que subordina o orçamento aos banqueiros;
• Fim da violência policial e do racismo de Estado nas periferias.

Essas medidas só avançarão com organização independente da classe trabalhadora e mobilização permanente nos locais de trabalho, nos bairros, nas escolas e universidades. É preciso fortalecer comitês de luta, greves e jornadas que enfrentem tanto o governo quanto a extrema direita.

Nossas vidas não são moeda de negociação da governabilidade.

Lutamos por cada conquista dentro do capitalismo. Mas sabemos que a violência contra as mulheres não será erradicada com medidas pontuais em um sistema baseado na exploração. Defendemos uma estratégia socialista que coloque a riqueza produzida pela classe trabalhadora sob controle de quem trabalha.

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