Vamos voar de jatinho. O dono é banqueiro também
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) confirmou que viajou, em 2022, num jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Disse que não sabia de quem era a aeronave. Pegou carona aérea como quem entra num Uber Black do capital, sem perguntar quem paga a conta.
A viagem ocorreu durante a caravana eleitoral de apoio a Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022. Ao lado dele estava um pastor ligado à Igreja Batista da Lagoinha, denominação que há anos opera como braço religioso da extrema direita liberal-conservadora.
Mas Nikolas não está sozinho na pista.
O mesmo Vorcaro já teve seu nome associado a episódio envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, também relacionado ao uso de aeronave vinculada ao empresário. Da extrema direita ao topo do Judiciário, a pista é a mesma — e o capital coordena o tráfego.
A cena é pedagógica: enquanto milhões se sacodem diariamente em ônibus caindo aos pedaços ou se espremem em trens superlotados, a elite política nacional cruza o país em jatos executivos e helicópteros de banqueiros.
Coincidência? Não mesmo.
Extrema direita e esquerda institucional se enfrentam no plenário e nas redes sociais. Nos hangares, a harmonia é outra. Banqueiros seguem financiando a mobilidade de quem legisla, julga ou milita em defesa do “mercado”.
A pergunta não é se sabiam de quem era o jatinho. A pergunta é porque sempre há um jatinho disponível.
Se a extrema direita posa de antissistema e ministros posam de guardiões da institucionalidade, os dois parecem concordar numa coisa: se para pobre o céu é teto, para a burguesia o céu não tem limites.