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A Turma do Daniel Vorcaro

Erika Andreassy

5 de março de 2026
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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master | Foto: Divulgação

A burguesia adora falar em compliance. Também gosta de governança corporativa, integridade e boas práticas.

Publicamente veste terno e viaja de jatinho. Nos bastidores, organiza “A Turma” no WhatsApp: um método peculiar de comunicação institucional.

Segundo a investigação que levou Daniel Vorcaro novamente à prisão, o grupo funcionava como uma central de monitoramento e intimidação. Uma estrutura dedicada a levantar informações e pressionar jornalistas, concorrentes e críticos.

Em uma das mensagens reveladas, Vorcaro discute simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. A ideia era “quebrar os dentes” do repórter.

No privado, gestão de riscos dispensa eufemismos.

Vorcaro não é um outsider do sistema financeiro. O banqueiro circula há anos entre gabinetes, autoridades e políticos de diferentes campos. O Banco Master virou uma espécie de banco informal do Centrão. Mas Vorcaro nunca foi homem de uma trincheira só. Seu mundo é mais ecumênico e suprapartidário. Aliados financiaram campanhas da direita, como as de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro, enquanto o próprio banqueiro buscava interlocução e conversava até com o presidente Lula.

Como podemos observar, o mesmo ambiente que financia campanhas, cultiva relações em todos os campos da política e circula entre gabinetes também parece confortável organizando grupos de WhatsApp para vigiar e intimidar quem incomoda seus negócios. Entre o discurso elegante do mercado e as práticas que aparecem quando as mensagens vazam, a distância é grande. Às vezes basta uma investigação para mostrar como ela realmente funciona.

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