A Turma do Daniel Vorcaro
A burguesia adora falar em compliance. Também gosta de governança corporativa, integridade e boas práticas.
Publicamente veste terno e viaja de jatinho. Nos bastidores, organiza “A Turma” no WhatsApp: um método peculiar de comunicação institucional.
Segundo a investigação que levou Daniel Vorcaro novamente à prisão, o grupo funcionava como uma central de monitoramento e intimidação. Uma estrutura dedicada a levantar informações e pressionar jornalistas, concorrentes e críticos.
Em uma das mensagens reveladas, Vorcaro discute simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo. A ideia era “quebrar os dentes” do repórter.
No privado, gestão de riscos dispensa eufemismos.
Vorcaro não é um outsider do sistema financeiro. O banqueiro circula há anos entre gabinetes, autoridades e políticos de diferentes campos. O Banco Master virou uma espécie de banco informal do Centrão. Mas Vorcaro nunca foi homem de uma trincheira só. Seu mundo é mais ecumênico e suprapartidário. Aliados financiaram campanhas da direita, como as de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro, enquanto o próprio banqueiro buscava interlocução e conversava até com o presidente Lula.
Como podemos observar, o mesmo ambiente que financia campanhas, cultiva relações em todos os campos da política e circula entre gabinetes também parece confortável organizando grupos de WhatsApp para vigiar e intimidar quem incomoda seus negócios. Entre o discurso elegante do mercado e as práticas que aparecem quando as mensagens vazam, a distância é grande. Às vezes basta uma investigação para mostrar como ela realmente funciona.