Três anos de governo Lula: um balanço sobre a crise das universidades
A eleição de Lula contou com o apoio de setores expressivos da comunidade universitária. Durante o governo Bolsonaro, a extrema direita atacou diariamente as universidades públicas e a produção científica. Felizmente, essa corja foi derrotada eleitoralmente, ainda que siga como força social.
Lula anunciou que faria tudo diferente na Educação. Passados três anos de governo, é preciso fazer um balanço. O governo Lula cumpriu suas promessas de campanha quanto às universidades e à educação? Qual a situação das universidades hoje, no governo de colaboração de classes do PT?
Arcabouço fiscal e corte de verbas a serviço do desmonte da educação
Desde a eleição de Lula, dissemos que sua política era de colaboração com a burguesia e o centrão/direita e que, portanto, formaria um governo a serviço dos bilionários. Em nome disso, rifaria as demandas dos trabalhadores e da juventude. Por isso, alertamos a juventude a não ter ilusões no novo governo e nos colocamos como oposição de esquerda e socialista.
No primeiro ano de governo, Lula realizou a PEC da transição, que liberou verba bilionária para além do orçamento oficial. Daí, realizou o reajuste do valor das bolsas CNPq e Capes, e direcionou verba para que universidades não fechassem as portas. Depois, criou o Pé-de-Meia Licenciaturas, anunciou a criação de novos campi de Institutos Federais e declarou que passaria a existir diálogo entre o governo e a comunidade acadêmica. Supostamente, a realidade das universidades deveria melhorar.
No entanto, uma das primeiras medidas do governo foi o arcabouço fiscal, que manteve o teto de gastos dos governos Temer e Bolsonaro. Isso significou cortes de verbas nos setores sociais para garantir mais recursos públicos para o pagamento de banqueiros e do grande capital pelo mecanismo da dívida pública.
Nestes três anos, a Educação sofreu com cortes sistemáticos. Para 2026, o Congresso Nacional aprovou uma proposta orçamentária que retira R$ 488 milhões das universidades públicas (redução de 7,05% em relação à 2025), sendo R$ 100 milhões só da assistência estudantil. Também houve cortes nas agências de fomento à pesquisa, como CNPq e Capes, e o reajuste das bolsas de pesquisa, que já não alcançavam a inflação acumulada, foi congelado, e as bolsas desvalorizadas. Todo ano a história se repete: são cortadas verbas, diversas federais não têm o orçamento necessário nem sequer para pagar os salários e a manutenção das universidades e, em algum momento do ano, o governo faz uma liberação de verbas… apenas para manter as universidades abertas.
O arcabouço fiscal que o próprio governo implementou leva aos cortes, e a reposição orçamentária só impede o pior cenário de fechamento das universidades, enquanto o orçamento geral e da permanência são reduzidos. Ou seja, os cortes não têm a ver apenas com o fato de o Congresso ser inimigo do povo, mas é a concretização da política econômica do próprio governo.
Essa política aprofunda a crise já enfrentada há anos nas universidades, impactando nas despesas com infraestrutura, pessoal (os terceirizados sendo os que mais sofrem com demissões, atraso de salário e precarização ainda maior do trabalho) e com permanência estudantil, afetando bolsas, moradia, RU, transporte etc. Ou seja, ataca os estudantes.
Tarefa
Derrotar o arcabouço fiscal e construir uma oposição de esquerda ao governo no movimento estudantil
A UNE e as direções do movimento estudantil (UJS/PCdoB, PT, Juventude sem Medo/PSOL) não se posicionam pelo fim do arcabouço fiscal, defendendo apenas a retirada da Educação dele, e são contra enfrentar o governo. Para nós, qualquer medida “pelo alto”, via reitorias ou negociações no Congresso Nacional, significa manter os estudantes presos à lógica do arcabouço fiscal e da governabilidade burguesa. Por isso, nossa aposta é enfrentar o projeto de Lula e as engrenagens do sistema capitalista, unindo a comunidade acadêmica por baixo para lutar em defesa da permanência e da Educação.
Para oferecer uma saída à crise das universidades, o primeiro passo é derrubar o arcabouço fiscal e realizar uma recomposição orçamentária real para as universidades: com ampliação da permanência estudantil e reajuste das bolsas conforme a inflação. Para isso, defendemos parar o pagamento da dívida pública e expropriar as dez maiores universidades privadas, onde está a maioria dos estudantes universitários, enchendo o bolso de bilionários, para acabar com o vestibular e assegurar uma Educação 100% pública, sob controle da comunidade acadêmica, não das reitorias e multinacionais.