Internacional

Em meio a impasse na guerra contra o Irã, Trump enfrenta a maior onda de protestos de seu mandato

Manifestações “No Kings” reuniram 8 milhões em todo o país, capilarizando para o interior e pequenas cidades

Redação

31 de março de 2026
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Manifestação em São Francisco no último dia 28 Foto Probonophoto

Enquanto Trump enfrenta uma surpreendente resistência aos seus ataques militares por parte do Irã, um outro front se reabre, desta vez interno. No último sábado, dia 28, milhões de pessoas saíram às ruas em praticamente todo o país na terceira grande marcha “No Kings” (“Sem Reis”).

A onda de protestos repetiu temas das duas marchas anteriores, como a política anti-imigração levada a cabo pelo famigerado ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), e aglutinaram outras bandeiras, como a recente agressão militar contra o Irã. As manifestações expressaram o vertiginoso desgaste do governo Trump em meio ao aumento do custo de vida agravado pela subida do petróleo, reflexo direto da instabilidade no Oriente Médio, e a política de tarifaço (grande parte foi derrubada pela justiça, mas seus efeitos na inflação ainda persistem).

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Segundo organizadores, os protestos reuniram pelo menos 8 milhões em 3.300 manifestações nos 50 estados. Um aumento de 1 a 2 milhões em relação à última onda de protestos, em outubro último. Além do aumento de manifestantes, os protestos se espalharam para além dos grandes centros urbanos, atingindo pequenas cidades e regiões rurais, responsáveis por dois terços das manifestações. Inclusive redutos tradicionalmente republicanos. Houve atos também em países como Portugal, França e Itália.

Apesar de o movimento “No Kings” se concentrar na figura de Trump e seu governo cada vez mais autoritário (levando inclusive pais de soldados que estão agora a caminho do Oriente Médio), as marchas trazem cada vez mais pautas como a crescente desigualdade social e a pobreza. Expressam, sobretudo, uma ruptura cada vez maior no movimento MAGA e na base do trumpismo, causada por uma política que agrava ainda mais as condições de vida da população norte-americana, sobretudo a mais pobre.

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Acuado

Em meio à selvagem política anti-imigratória levada a cabo pelo que está sendo chamado de “Gestapo de Trump”, o governo convive com uma sucessão de escândalos, como a revelação dos arquivos Epstein. Algo que as intervenções militares no exterior, como na Venezuela, as ameaças a Cuba e a agressão ao Irã, não conseguiram abafar. Pelo contrário, a “política do porrete” e o impasse no Oriente Médio aceleram o desgaste do principal imperialismo do mundo.

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Trump convive com a maior taxa de rejeição desde que se sentou no salão oval da Casa Branca, com 59% da população reprovando seu governo. 61% dos norte-americanos desaprovam os ataques ao Irã e apenas 36% aprovam seu governo. Situação que se torna dramática para Trump com a aproximação das eleições de meio de mandato, que elegem todas as cadeiras da Câmara dos Representantes (Câmara dos Deputados de lá) além de um terço do Senado.

Cada vez mais acuado, Trump parece disposto a aprofundar seu caráter autoritário e bonapartista, dentro e fora do país. O movimento de massas nos EUA, por sua vez, deu mostra de disposição e avanço na organização para enfrentar o trumpismo.

 

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