Justiça para Thawanna e sua família
Só nos dois primeiros meses de 2026, a PM de Tarcísio de Freitas já fez 35,5% mais vítimas que no mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério Público de São Paulo reunidos pela Agência Brasil. Agora tem mais uma morte na conta.
Na madrugada de 3 de abril, Thawanna da Silva Salmázio e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam em uma rua na Cidade Tiradentes. Uma viatura da PM passou esbarrando em Luciano de propósito, segundo uma testemunha disse à imprensa. Seguiu-se uma discussão e a policial Yasmin Cursino Ferreira atirou em Thawanna. Mais policiais chegaram depois e, como vemos no trecho da reportagem, cercaram e ameçaram com um fuzil a mulher caída e sangrando. Os moradores protestaram na noite de sexta e a resposta de Tarcísio foi mais violência, com direito à Tropa da Choque e bombas de efeito moral em ruas estreitas.
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Toda solidariedade ao Luciano e à comunidade. Não terá o mínimo de justiça sem luta.
Alguns padrões se repetem nesse triste caso e há também uma importante exceção:
1°) A vítima leva a culpa
O caso foi registrado como “resistência à prisão”, de acordo com o SBT. Sinceramente, parece que já tem um modelo de BO pronto, só mudam nomes e datas. Na Brasilândia, em 2024, o jovem Matheus Menezes teve o pescoço cortado por um tenente e tentaram culpar o menino. Há muitos outros exemplos, como esse.
2°) A PM não respeita a periferia
Tu imaginas uma policial saindo da viatura para discutir com alguém em bairro de rico? É tão raro que eu mesmo só lembro de um caso.
Não é coincidência que o tratamento comum seja assim exatamente nos bairros onde vivemos negros, indígenas, trabalhadores. É aqui que a “segurança pública” se mostra como realmente é: a dose diária de medo administrada para prevenir qualquer revolta contra o Sistema. A repressão ao protesto confirma essa verdade.
3°) Sofra calado
Aqui a gente vê bem a ordem pública que a polícia defende. Matam e não admitem protestos. E ainda tem trabalhador que faz coro… Ora, se as pessoas lutam é porque sabem pela própria experiência que só esperar a “justiça” é o mesmo que nada. Lembram que recentemente o policial que matou o pequeno Ryan em Santos foi inocentado? É assim que a banda toca no capitalismo. Indo para a rua nem sempre temos força para vencer, mas se esperamos sentados a derrota é certa.
4°) Mulheres são minoria, mas casos são reveladores
Em 2025 a PM matou 823 homens, a maioria negros, contra 6 mulheres, de acordo com dados do próprio governo Tarcísio. Apesar de numericamente pequenos, os casos existem, chamam a atenção e revelam a crueldade do Sistema. Não que as trabalhadoras já não sejam alvo de outras maneiras: é só ver as centenas de mães que lutam por justiça para filhos e filhas em todo o Brasil.
5°) Quem é e quem não é aliado
É significativo, desta vez, o fato de uma PM ter sido a responsável pela morte. O oprimido que fica ao lado do opressor não é aliado na luta contra o Sistema.
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