Indígenas marcham em Brasília contra projetos que atacam direitos, territórios e o meio ambiente
Milhares de indígenas de todas as regiões do país tomaram as ruas de Brasília nesta terça-feira (7), em uma grande demonstração de força dos povos originários. A marcha faz parte da 22ª edição do ATL 2026 (Acampamento Terra Livre), considerada a maior mobilização indígena do Brasil.
Vindos de diferentes povos, como tupinambá, kuruaya, kayapó, parakanã, tikuna, kokama, makuxí, tupinambá, munduruku, pataxó, krahô, apinajé, guajajara, Krikati, gavião, entre outros, os manifestantes caminharam cerca de seis quilômetros até o Congresso Nacional.
Com cantos, pinturas e faixas, denunciaram os ataques aos seus direitos e deixaram claro que seguem organizados e mobilizados em defesa de seus direitos constitucionais.
O Congresso foi o principal alvo das críticas da marcha de hoje, por avançar com projetos que ameaçam os povos originários, como o Marco Temporal. Mesmo após ser considerado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal), parlamentares alinhados ao agronegócio e à mineração continuam insistindo em alterar a Constituição Federal para legitimar essa tese nefasta.
Governo Lula também sob pressão
Mas a mobilização não se limita ao Legislativo. Os protestos também colocam pressão sobre o governo Lula. Lideranças cobram mais agilidade nas demarcações e criticam medidas que abrem espaço para exploração econômica em áreas indígenas, como foi o Decreto 12.600 do governo que previa a privatização dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins (derrubado somente após a ocupação da Cargill, em Santarém (PA) e o projeto de mineração de ouro da Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, que levou à ocupação da Funai, em Altamira (PA).
Hoje, 76 Terras Indígenas já estão prontas para serem homologadas e dependem apenas da assinatura presidencial, enquanto outras 34 aguardam ações do Ministério da Justiça.
A força da mobilização deve crescer ainda mais ao longo da semana. Na quinta-feira (9), está prevista uma nova grande marcha com o lema “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”.
Programação do ATL 2026
A programação do ATL está organizada em cinco eixos centrais, que tratam da defesa da vida, da demarcação de terras, da soberania e do enfrentamento às políticas que avançam sobre os territórios indígenas.
5 de abril
Chegada das delegações indígenas a Brasília e início das atividades do acampamento.
6 de abril
Realização da plenária “Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas”, que debate a violência praticada contra os povos originários durante a ditadura militar e apresenta a proposta de criação de uma Comissão Nacional Indígena da Verdade.
7 de abril
Marcha “Congresso inimigo dos povos: nosso futuro não está à venda”, denunciando projetos em tramitação que atacam direitos indígenas, como a PEC do marco temporal, propostas contra demarcações e iniciativas que liberam mineração e exploração econômica em terras indígenas.
8 de abril
Plenária “Do território tradicional ao cenário global: o movimento indígena brasileiro na luta socioambiental”, com foco na articulação internacional.
A programação inclui encontros com embaixadas e a participação de comunicadores indígenas do Brasil e da Guatemala.
9 de abril
Plenária “Campanha Indígena: a resposta para transformar a política somos nós”, que debate a participação indígena nas eleições de 2026 e o fortalecimento da representação política.
No mesmo dia, acontece a marcha “Demarca Lula: Brasil soberano é terra indígena demarcada e protegida”. Segundo a APIB, 76 Terras Indígenas já estão prontas para homologação e aguardam apenas assinatura presidencial, enquanto outras 34 dependem de medidas do Ministério da Justiça.
10 de abril
Encerramento do acampamento com plenária final e leitura do documento político com as principais reivindicações do movimento.
11 de abril
Retorno das delegações aos seus territórios.
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