Nacional

A Frente Ampla e a intervenção no PT do Rio Grande do Sul

PSTU-RS

9 de abril de 2026
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Juliana Brizola e o atual governador do RS, Eduardo Leite

A decisão de Lula de impor, via Diretório Nacional, uma frente ampla no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola (PDT) como candidata a governadora, forçando Edegar Pretto (PT) a retirar sua candidatura, abriu uma enorme crise na aliança então estabelecida. Um dos articuladores da intervenção, segundo a imprensa, foi o pré-candidato ao Senado pelo PT, Paulo Pimenta.

Alguns dirigentes do PSOL gaúcho, principalmente os integrantes do MES, afirmam que não apoiarão Juliana, apresentando candidatura própria, porém, mantendo apoio integral a Lula. Posição contrária é adotada pela corrente Resistência do deputado Matheus Gomes. Este afirmou que não se deve discutir o que os partidos fizeram no “verão passado”, referindo-se ao papel que o PDT vem cumprindo no estado. Manuela D’ávila, pré-candidata ao Senado pelo PSOL, declarou que “precisamos aglutinar a todos para garantir uma forte campanha para o presidente Lula”. Já afirmaram, inclusive, que defenderão internamente no PSOL manter-se na frente com Juliana.

Independente do desfecho, a crise explicita que não estão em disputa diferentes programas e projetos, mas cálculos eleitorais.

A intervenção no Rio Grande do Sul segue a lógica do governo e da candidatura de Lula. Por exemplo, além da manutenção de Geraldo Alckmin como vice, a frente inclui Kátia Abreu, antiga liderança da bancada ruralista no Congresso Nacional, agora filiada ao PT, como candidata pelo Tocantins. Além do apoio a Eduardo Paes como candidato a governador do Rio de Janeiro em aliança com o centrão e conservadores do estado, incluindo compromissos com os setores mais retrógrados do nosso país, como os ruralistas ou lideranças sionistas da Conib (Confederação Israelita do Brasil), convidados para participar de um seminário organizado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Apoiar o PDT, ligado ao governo Eduardo Leite, é uma enorme contradição

O PDT é o um partido burguês, representante do latifúndio e da plantação de soja. Seus parlamentares manifestam abertamente simpatias pelas posições bolsonaristas. Além disso, integrou o projeto de Eduardo Leite e segue ocupando cargos no primeiro escalão de seu governo, tendo apoiado as privatizações, os ataques aos servidores públicos e à legislação ambiental. Apoiar Juliana é uma enorme contradição dos partidos que afirmam que o governo de Eduardo Leite significou um retrocesso para o estado.

Como alterar a correlação de forças a favor dos trabalhadores?

Apoiando o programa de frente ampla de Lula, com o Congresso Nacional e o centrão? Apoiando Juliana Brizola, como afirmou o deputado Matheus Gomes do PSOL num vídeo divulgado em março? Segundo o mesmo deputado, o destino da América Latina está subordinado à eleição de Lula. Mas na hora de justificar o não enfrentamento direto contra as tarifas impostas por Trump e seu ataque à Venezuela, o argumento foi de que Lula não poderia fazê-lo porque a correlação de forças não permite. Igualmente, o apoio a Hugo Motta para presidente da Câmara dos Deputados e a manutenção do orçamento secreto tiveram essa justificativa. Por que, então, governando com as mesmas forças Lula terá condições mais favoráveis? Lula será capaz de enfrentar Trump e impedir um ataque à América Latina? A frente ampla de Lula, com partidos que governam para a burguesia, não modificará a correlação de forças a favor da classe trabalhadora. O que aparenta fortalecer nossa luta, na verdade nos torna mais fracos, aumentando o peso da extrema direita.

Nos anos 80, quando o PT de fato contribuía para a alteração da correlação de forças, impulsionava a ocupação de terras, inclusive propunha ao MST fazer reforma agrária nas fazendas do Brizola. Hoje, o PT chama a confiar no PDT e filia Kátia Abreu. Quem se fortalece?

Quem poderá derrotar os projetos da extrema direita de retirar mais direitos dos trabalhadores, acabando com a CLT, implementar uma nova reforma da Previdência e entregar as terras raras para o imperialismo? Será a frente ampla que impedirá a destruição do meio ambiente e o feminicídio?

A realidade tem demonstrado que a frente ampla e a conciliação de classes são incapazes de defender nossos direitos enfrentando os setores que pretendem destruí-los. A correlação de forças não se altera quando chamamos a confiar no inimigo, quando priorizamos a disputa por dentro das instituições.

O que pode alterar a correlação de forças a favor dos trabalhadores é a organização e a luta dos setores oprimidos da sociedade como ocorreu na luta contra a PEC da Bandidagem, na mobilização dos indígenas que barraram a privatização do rio Tapajós, enfrentando a poderosa empresa do agronegócio Cargill. Da mesma maneira, as mobilizações de milhões contra Trump e a extrema direita nos Estados Unidos e na Inglaterra enfraqueceram o poderio americano, podendo levá-lo a uma derrota na guerra contra o Irã.

Sem a independência do governo, os trabalhadores serão incapazes de defender suas pautas. O único momento que deixamos o Congresso retrógrado na defensiva, foi quando milhares de pessoas foram às ruas contra a Lei da Anistia. Ou a mobilização pelo fim da escala 6×1 que permitiu que a maioria da população apoiasse o projeto.

Mesmo tendo feito muitas promessas e pequenas concessões o governo Lula se mostrou, nos momentos decisivos, não estar ao lado do povo trabalhador. Foi assim quando adotou práticas antissindicais buscando desmoralizar os lutadores durante as greves de servidores que defendiam as estatais e a valorização do serviço público. Do mesmo modo agiu quando os indígenas questionaram o decreto que previa a privatização dos rios, cedendo somente após forte mobilização e também quando os metroviários exigiram o fim do plano nacional de desestatização.

Enquanto a maioria da população enfrenta precárias condições de vida, o governo segue com os generosos subsídios aos monopólios capitalistas e lucros do sistema financeiro. É justamente a gestão sócio-liberal de Lula que permitiu que o monstro da extrema direita seguisse se alimentando do descontentamento do povo.

Para alterar a correlação de forças, para enfrentar a extrema direita pra valer, o papel da esquerda combativa e coerente deve ser o oposto. Exige de nós uma atuação para avançar a mobilização, a organização e a consciência da classe trabalhadora e dos setores populares. A campanha eleitoral precisa servir para que possamos disputar corações e mentes, para dialogar com a parte da população que foi ganha para a lógica do empreendedorismo, das saídas individuais. Para afirmarmos que só conseguiremos obter conquistas econômicas ou políticas, de forma coletiva, com a força da classe trabalhadora, da juventude pobre, das mulheres, dos negros dos povos indígenas e da comunidade LGBTQI+, organizados de forma independente e nas ruas, combatendo toda forma de exploração e opressão. O apoio político e eleitoral ao governo, ao contrário, desmobiliza, desconstrói a consciência de classe e sua organização independente.

Rejane de Oliveira: Uma pré-candidata a serviço da ruptura com as engrenagens do sistema


O PSTU lançou a pré-candidatura de Rejane de Oliveira a governadora, uma guerreira histórica da classe trabalhadora do nosso estado. O papel da sua campanha será o de apresentar um programa classista e socialista, que fortaleça nossa classe e juventude para as lutas futuras.

Denunciaremos e demonstraremos na campanha eleitoral que tanto o governo de Eduardo Leite como o projeto da candidatura Zucco beneficiam somente o grande capital. E também apresentaremos um projeto alternativo, de reindustrialização do estado e de enfrentamento ao modelo de agronegócio exportador que domina economicamente nosso estado e só agrava a crise ambiental e a concentração de renda. Vamos divulgar nossas saídas para resolver os problemas reais que a classe trabalhadora enfrenta, de modo a que consigamos transformar todo o justo descontentamento com a vida que estamos levando, em força política consciente e organizada.

Precisamos nos inspirar nos atuais exemplos de radicalidade, de mobilizações que começam a acontecer em vários cantos do planeta. Venha construir este programa conosco. Venha construir uma alternativa da esquerda, sem qualquer subordinação a governos ou partidos burgueses, que apresentará um programa socialista e de questionamento a todas as engrenagens do sistema capitalista.Vem com a gente!

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