Favela do Siri: Violência policial contra a juventude negra e pobre em Florianópolis
O que está acontecendo na favela do Siri, em Florianópolis, capital de Santa Catarina, não é “excesso”, nem “erro operacional”. É política de Estado. É a repressão organizada contra o povo pobre.
O capitalismo utiliza as opressões para impor uma superexploração ainda maior. Mulheres, negros, população LGBTI, indígenas e quilombolas estão concentrados nos postos mais precarizados, recebem salários menores e sofrem com a violência cotidiana. A juventude negra é vítima do encarceramento em massa, da violência policial e da ausência de perspectivas, sendo empurrada para o trabalho precário, para o tráfico ou para a morte precoce. As mulheres enfrentam uma escalada de feminicídios, além da sobrecarga do trabalho doméstico e da desigualdade salarial. Pessoas LGBTIs sofrem discriminação violência e exclusão. A extrema direita bolsonarista segue perseguindo os setores oprimidos. São os promotores ideológicos dessa violência opressiva. Enquanto isso, o governo Lula e o PT rifam as pautas em defesa dos oprimidos em nome da governabilidade com setores conservadores.
Dez dias após a execução de um adolescente de 17 anos, a Polícia Militar (PM) voltou à comunidade com mais violência, deixando novamente um morto e outro ferido. A operação ocorreu em pleno horário de saída de creche. Crianças, mães e trabalhadores estavam na rua quando começaram os disparos. Os policiais entraram com armas longas apontadas para moradores, transformando a comunidade em cenário de guerra.
Isso não é combate ao crime. Isso é terrorismo de Estado. Os próprios moradores denunciam: o adolescente assassinado dias antes estava desarmado e teria sido executado após se render. Já havia sido ameaçado pela polícia anteriormente.
A versão oficial fala em “confronto” – o mesmo roteiro de sempre –, mas nenhum policial ficou ferido e não houve provas consistentes.
Este não é um caso isolado. Entre 2022 e 2025, ao menos quatro jovens foram mortos pela PM na mesma comunidade, sempre sob a mesma justificativa de “confronto”, sempre contestada pelos moradores. Ademais, temos também o caso recente do assassinato do jovem negro Hudson pela mesma polícia. Na reunião da Câmara de Vereadores da capital ocorrida quinta-feira (09/04), foi discutido o caso de Hudson, com a presença da população e da família do jovem, indignadas e clamando por justiça.
Enquanto isso, o Governo Estadual de Jorginho Mello (PL) avança no sentido oposto: aumento da letalidade policial e fim de mecanismos mínimos de controle, como as câmeras corporais. Ou seja, mais poder para matar e menos possibilidade de responsabilização.
Essa é a verdadeira função da PM: controlar, intimidar e, se necessário, eliminar a juventude pobre – sobretudo negra – que vive nas periferias. A chamada “guerra às drogas” é apenas a justificativa ideológica para legitimar essa violência. Na prática, o que existe é uma guerra contra os pobres.
Para nós, do PSTU, isso não se resolve com “reformas” superficiais ou promessas institucionais. É preciso denunciar o caráter dessa polícia, herdeira direta da ditadura, as políticas reacionárias de Jorginho Mello, e lutar pela desmilitarização da PM, substituindo-a por formas de controle popular e organização da própria classe trabalhadora.
– Pela desmilitarização da PM, por uma força de segurança única, civil, controlada diretamente pela população!
– Jorginho Mello é inimigo da classe trabalhadora e da juventude pobre e negra das periferias!
– Pela descriminalização das drogas, atacando o motor financeiro das milícias, das facções e da repressão racista!
– É preciso impulsionar a auto-organização e autodefesa da classe trabalhadora, das comunidades e periferias, tanto contra a violência do crime quanto do Estado!
A cada jovem morto, fica mais evidente: enquanto o capitalismo existir, a favela seguirá sendo tratada como território inimigo. Diante disso, não cabe silêncio. Cabe revolta, organização e luta.
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