SP: É hora de unir as lutas e derrotar Tarcísio de Freitas
Nos últimos dias, trabalhadores e estudantes da USP, professores das escolas estaduais, trabalhadores da educação municipal e povos indígenas, se mobilizaram contra a destruição da Educação Pública. Ao mesmo tempo, a população da periferia na Zona Leste protestou fortemente contra o assassinato de Thawanna Salmázio. Não são fatos isolados porque têm o mesmo culpado: Tarcísio de Freitas. Fazem parte de um projeto de governo que combina destruição dos serviços públicos, repressão nas periferias e transferência da riqueza produzida no estado mais rico do país para os grandes empresários.
Tarcísio governa para os capitalistas
As condições de trabalho e estudo nas escolas estaduais pioraram sensivelmente. Em 2026, milhares de professores começaram o ano desempregados por conta das barreiras que Tarcísio e o secretário Feder implementaram, os chamados “faróis”.
A gestão estadual criou uma situação esdrúxula: há profissionais para lecionar, alunos querendo estudar, mas o próprio governo impede que isso aconteça. Esse quadro é complementado pela expansão massiva do uso de plataformas, aplicativos pedagógicos que transformam o que deveria ser aprendizado, em um mero treinamento para apertar botões no celular.

Na USP o quadro não é melhor. Trabalhadores e estudantes enfrentam uma reitoria elitista, alinhada com esse modelo educacional que mantém arrocho salarial, precarização e exclusão. Os estudantes são submetidos à comida mofada, baratas e ratos nos bandejões privatizados, sofrem com a falta de moradia e a reitoria quer acabar com os espaços estudantis. A partir do dia 14 começa a greve dos técnicos por isonomia, melhores condições de salário e trabalho. Também é um dia de paralisação dos estudantes, por permanência, após assembleias gigantes que apontam para a construção de uma luta unificada com os servidores.
No município, os professores municipais estão em luta e farão um grande ato no dia 15. A prefeitura de Ricardo Nunes sancionou a Lei 18.221/2024, passando a penalizar o adoecimento dos educadores, com descontos de até 1/3 do salário dos readaptados e de quem precisar de licença médica, além de retirar diretores que não cumprem metas impostas pela gestão.
Esse modelo de educação prepara para o subemprego: uma juventude formada para a precarização, para a uberização e para jornadas exaustivas como a escala 6×1, defendida pelo próprio governo em nome dos lucros das empresas.
Mas não é só nas escolas e universidades que os poderosos acabam com o futuro da nossa classe.
É impossível não se chocar com as imagens da execução de Thawanna Salmázio por uma PM na Cidade Tiradentes. Após esbarrarem com a viatura em Luciano, marido da trabalhadora, a assassina e seu colega de farda nitidamente buscaram o confronto com o casal que apenas reclamou da situação. As cenas que se seguiram são impensáveis nos bairros ricos, mas são cotidianas nos bairros periféricos. O desprezo pela população trabalhadora negra vem de longe, mas tem o aval público do governador atual, um incentivo que não demorou a ser visível nos números: em 2025, a PM paulista bateu pelo segundo ano seguido recorde no número de mortos. Uma das marcas desse período é o crescimento da vitimização de mulheres e crianças. A falência desse modelo de segurança pública, se expressa também no aumento dos casos de feminicídio e violência contra as mulheres, enquanto o governo estadual deixa de investir recursos destinados à esta area.
A destruição acelerada da Educação Pública e a letalidade policial são as faces visíveis de algo mais profundo: Tarcísio despreza a vida do povo trabalhador porque governa para os empresários. Pela mesma razão vendeu a Sabesp, atacou direitos dos metroviários e ferroviários, que hoje lutam por mais contratação e contra a precarização do transporte, e ameaça de despejo de milhares de trabalhadores. Nunes não fica atrás: além do desmonte dos serviços públicos, só no mês passado a prefeitura voltou a prestar o serviço de aborto legalizado no Hospital Cachoeirinha, que estava suspenso há dois longos anos.
Na Frente Ampla não cabem as necessidades do povo
Infelizmente, não temos que enfrentar somente o governo estadual e a prefeitura de São Paulo. A maioria das direções sindicais é controlada por partidos que governam a nível nacional, nomeadamente PT e PSOL. Por isso, embora se oponham aos ataques de Tarcísio e Nunes, se calam sobre o fato de que vários deles têm relação direta com as políticas do governo Lula.
O projeto educacional de Tarcísio, por exemplo, tem respaldo no Novo Ensino Médio, política do governo petista e do seu MEC dos tubarões de ensino. Em outras palavras, a destruição da educação paulista não se explica sem o suporte institucional federal.
A violência policial também ilustra esta mesma relação. De Brasília, jamais vieram quaisquer tentativas de mudar o modelo de segurança pública racista, baseado na morte e aprisionamento em massa de negros e negras. Ao contrário: há anos o governo Lula toma iniciativas que reafirmam a estrutura falida que vitimou Thawanna e milhares de outras pessoas. O PL das Facções foi só a mais recente.
A política econômica do governo do PT e do PSOL, comandada pelo agora candidato a governador Fernando Haddad, tem como marco o Arcabouço Fiscal que impõe cortes e limita investimentos, aprofundando o sucateamento dos serviços públicos dos quais a população necessita. A recente greve das universidades federais comprovou esta análise, ao denunciar os salários defasados, a falta de verba e as condições cada vez piores de trabalho e estudo.
O exemplo mais forte do significado da Frente Ampla veio, contudo, da Amazônia. Não fosse a heroica luta dos povos indígenas do Tapajós, Lula, Boulos, Guajajara e a norte-americana Cargill, teriam conseguido privatizar trechos de três rios brasileiros em nome dos lucros do país de Trump. Não é acidental que um exemplo dessa magnitude veio de um movimento social que não estava sob o comando da esquerda governista.
O caminho da independência de classe não garante necessariamente a vitória. Mas a opção pela defesa incondicional da gestão Lula leva nossa classe a passos largos para a derrota.
Nossa luta é uma só
Em 2023, a greve unificada de metroviários, ferroviários e trabalhadores da Sabesp foi um exemplo do caminho a seguir. Essa articulação enfrentou forte repressão e ataques do governo paulista, mas conquistou o apoio da população. Temos que dar esse passo hoje: transformar várias lutas justas em um movimento comum. As diferentes lutas em curso apontam para um mesmo caminho. Para avançar em cada uma dessas pautas, é preciso enfrentar esse projeto como um todo.
Nossa força conjunta vai ajudar a abrir os olhos dos milhares de trabalhadores que ainda confiam em Tarcísio. Essa tarefa é chave para construir um campo com independência de classe que faça frente ao avanço do projeto bolsonarista no estado, mas também à esquerda lulista que aposta somente nas urnas para derrotar o governador.
Nesse sentido, junto às demandas já postas pela lutas, nossa militância também defenderá as seguintes bandeiras:
• Em defesa da Educação Pública de qualidade, por investimento real, valorização dos trabalhadores e permanência estudantil! Pelo fim da terceirização e privatização nas escolas e universidades;
• Fim do Arcabouço Fiscal de Lula e Haddad e todos os cortes de Tarcísio e Nunes nas áreas sociais;
• Barrar e reverter privatizações em todas áreas, particularmente nas escolas e universidades neste momento, colocando os serviços sob controle dos trabalhadores;
• Dar ampla visibilidade aos casos de violência policial e lutar por punição aos responsáveis;
• No lugar do atual modelo de segurança militarizado e racista, criar outro sob controle operário e popular;
• Construir uma alternativa independente da classe trabalhadora, contra os governos, a extrema direita e sem conciliação com os patrões;
• Fortalecer o Congresso da CSP-Conlutas como espaço de organização de uma alternativa independente da classe trabalhadora e do movimento popular.