Juventude

USP: Greve conquista isonomia na bonificação a servidores, mas a luta segue em unidade com os estudantes

É preciso encerrar a greve com garantias da nossa vitória, sem confiança na reitoria!

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista and PSTU-SP

24 de abril de 2026
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Ato durante a greve na USP Foto Rebeldia-SP

A greve dos servidores começou após um massivo ato que contou com mais de 2 mil trabalhadores. A pauta de reivindicação fundamental era a isonomia em relação à bonificação, que foi atribuída apenas para os professores, e que gerou uma revolta generalizada na categoria. Buscando dividir as categorias, a reitoria criou um projeto de bonificação de R$4500 mensais por 2 anos a partir de 2027 aos docentes em regime de dedicação exclusiva que apresentem projetos “estratégicos” (GACE). E nada para os trabalhadores da universidade.

Foi por esse desrespeito da reitoria que a greve teve início. Se esse valor fosse dividido por todos os servidores técnico-administrativos, significaria cerca de R$1600 para todos durante os dois anos. Na luta pela isonomia também reivindicamos o fim da injustiça da compensação das horas das pontes de feriado e do recesso. Os outros eixos principais votados são o apoio às pautas estudantis e a extensão do BUSP (bilhete de transporte para os ônibus circulares entre o Butantã e a universidade) para as trabalhadoras e trabalhadores terceirizados da USP, que a reitoria havia prometido e descumpriu.

No calor da greve dos funcionários, os estudantes também entraram em greve em apoio aos trabalhadores e, sobretudo, por suas pautas específicas: em defesa dos espaços estudantis, pela derrota da minuta da reitoria, pela desterceirização e melhoria dos bandejões, aumento das bolsas e políticas de permanência.

A greve dos servidores, desde o início, foi uma greve que se colocou ao lado dos estudantes, batalhando para unificar as lutas. Por isso, até agora, foram construídos 3 atos unitários, gigantes, que, junto às greves, colocaram a reitoria na defensiva.

 

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A reitoria tentou de todas as formas dividir as nossas lutas e enfraquecê-la, chamando os estudantes para “discutirem” em separado e enrolando, chegando ao absurdo de querer explicar para os estudantes a minuta sobre os espaços estudantis.

Na última semana, a greve dos servidores entrou em um impasse: nossa luta impôs no terceiro dia de greve as principais pautas e a reitoria teve que se comprometer a criar projetos de bonificação e de não compensação das horas para a categoria. Dada a correta desconfiança da categoria com a reitoria, o comando de greve indicou contrapropostas que comprometesse mais a reitoria com as propostas e para arrancar mais: 1) Que o montante total da bonificação fosse igual ao teto previsto para os docentes; 2) Busp para terceirizadas ou tarifa zero nos circulares; 3) Que a reitoria negociasse com os estudantes, como condição para sair de greve. A reitoria não cedeu e fez um ultimato: ou aceitávamos as propostas ou elas seriam retiradas da mesa.

Nós do PSTU atuamos no Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e acreditamos que o critério para a continuidade ou não de uma greve passa pela análise da dinâmica da base da categoria e da sua vanguarda. Se fosse possível avançar na radicalização, se fosse possível desenvolver a greve para que ela crescesse mais, estaríamos por mantê-la mesmo já tendo conquistado a pauta principal pela qual iniciamos o movimento. No entanto, a dinâmica das reuniões de unidade apontaram para outra dinâmica: a greve não está crescendo, há cada vez mais receio em relação ao corte de ponto e, por já termos conquistado a pauta, um setor da categoria já não vê sentido em seguir. Isso é importante, porque tem setores da diretoria do Sintusp que ficaram isolados defendendo a continuidade da greve, como o MRT, porque não tomaram em conta como critério a dinâmica da greve e sua adesão na categoria. Acreditamos que hoje, após a segunda rodada de negociação com a Reitoria e as garantias conquistadas, é o momento de encerrar a greve, já que também já foi assegurado o acordo de fim de greve que prevê nenhuma punição e corte de ponto.

O papel irresponsável do MRT e nossa batalha nos servidores

Acreditamos que as principais decisões dos rumos da luta devem ser decididas pela base. As assembleias são o espaço soberano onde, com voto simples, tudo deve ser definido, sendo o comando um espaço fundamental de organização e direcionamento, mas que não se sobrepõe à base. Também acreditamos que cada categoria tem autonomia para desenvolver suas lutas da forma que achar melhor. Não cabe aos estudantes dizerem aos servidores o que vão fazer, assim como não cabe aos servidores condicionarem a sua luta à luta dos estudantes. Solidariedade e unificação de luta não tem nada a ver com substitucionismo.

No entanto, o MRT vê de outra forma. Colocam seus estudantes da Faísca para pressionarem os servidores, dizendo que se saíssem de greve estariam abandonando os estudantes, como se a luta estudantil dependesse de outra categoria e não tivesse suas próprias reivindicações. Nos servidores, dizem que temos que seguir em greve pelas terceirizadas e pelos estudantes, colocando o desejo de conquistar pautas fundamentais para nossos aliados acima da análise da dinâmica real da greve e do impasse que entramos. Pior: defendem nas falas, especialmente na última assembleia e nos últimos comandos, a continuidade da greve, mas na hora de votar estavam junto conosco e o restante da diretoria pelo aceite do acordo proposto pelo comando. Ou seja, não são consequentes com o que supostamente defendem e tentam culpar as demais organizações e a divisão no comando de greve, ignorando a dinâmica na base.

Se o MRT acha que a greve deveria continuar, por que não propôs para a categoria? Por que votou junto de mais de 80% da categoria pela aceitação do acordo de greve ao invés de disputarem na assembleia pelas suas posições? A verdade é que fazem populismo, adotando uma atitude que não é consequente com o que dizem no discurso. Se defendessem na assembleia dos funcionários o fim da greve, ficariam isolados, e isso não é um problema em si, às vezes pode ser necessário. Mas não tiveram coragem de lutar por aquilo que dizem acreditar. Acreditamos que fazem isso porque tem uma concepção oportunista. Estão mais preocupados em se diferenciar das outras organizações do que comprometidos com as consequências da greve para a categoria. Essa é uma atitude deseducativa, que acredita que um setor deve substituir o outro e que ignora a vitória que tivemos com a nossa greve massiva.

Já o MES-PSOL, que inclusive compõe a gestão do DCE junto conosco, teve uma postura equivocada ao propor a inclusão de pautas rebaixadas no eixo da greve e cantar vitória a cada passo, desde antes da primeira negociação. Mesmo a reitoria tendo oferecido nossas principais pautas logo na primeira negociação, acreditamos que era preciso impulsionar a não confiança dos trabalhadores na reitoria e arrancar mais garantias e conquistas. Os companheiros do MES se adaptaram à radicalidade da categoria e votaram juntos a favor das contrapropostas, mas seu discurso ia na contramão de buscar forçar um acordo mais favorável na negociação com a reitoria e avançar o máximo possível que a mobilização permitia, dado que tivemos avanços desde a primeira proposta.

Como DCE, defendemos de conjunto desde o início que a unidade com os trabalhadores deve se dar a partir do respeito às decisões da própria categoria. Estivemos juntos na luta e seguiremos juntos, mas entendendo que são os servidores que devem decidir, em suas assembleias, os rumos da sua greve. A unidade não pode se transformar em substituição, onde um setor tenta impor ao outro o que deve fazer. Por isso, reafirmamos que os estudantes estarão ao lado dos trabalhadores, apoiando suas decisões e fortalecendo a luta conjunta, sem substituir sua organização nem condicionar nossa luta à deles. É assim que se constrói uma unidade sólida, consciente e capaz de avançar.

Após a vitória dos servidores, o desafio é seguir na mobilização unificada

Por fim, para encerrar a greve com garantias da nossa vitória, sem punição, sem corte de ponto e com a conquista da isonomia da bonificação, é fundamental dar continuidade à luta ao lado dos estudantes. A greve nunca foi um fim em si mesma, mas um instrumento para avançar. Por isso, a tarefa agora é transformar essa vitória dos funcionários em força para seguir lutando.

A própria unificação com os estudantes foi uma das principais conquistas desse processo, e deve ser preservada. Manter uma greve que já não cresce, numa correlação de forças desfavorável, não fortalece essa unidade, pelo contrário, pode isolar os servidores e enfraquecer o conjunto da luta. Encerrar a greve neste momento, com uma vitória após quase 10 anos sem lutas massivas, é a melhor forma de garantir nossas conquistas, preservar nossas forças e seguir apoiando os estudantes de maneira mais sólida.

Propomos a construção de uma plenária unificada entre os três setores, DCE, Sintusp e Adusp, já na próxima semana, além de um novo grande ato unificado. Os servidores podem e devem seguir apoiando a luta estudantil, participando das mobilizações, fazendo paralisações e fortalecendo os atos para pressionar a reitoria pela concessão das pautas dos estudantes. Os servidores impuseram uma derrota à reitoria, mas só a continuidade da mobilização conjunta poderá arrancar o restante das nossas reivindicações e consolidar uma vitória completa. Seguimos juntos, lado a lado com os estudantes, porque é na unidade que podemos avançar mais.

Viva a aliança operária-estudantil!

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