Educação

Profissionais da Educação da rede pública de Canoas (RS) fazem uma das maiores greves da categoria

PSTU-RS

29 de abril de 2026
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João Gomes, de Canoas (RS)

As professoras e professores da rede pública do município de Canoas (RS) estão paralisados há 7 dias, numa greve forte, representativa e com alto grau de espontaneidade.

Tudo começou com uma grande indignação da categoria com a proposta do prefeito Airton Souza (PL) de pagar a reposição da inflação (4,26%) de 2025 em 10 vezes, baixando depois para 6 parcelas. Sendo que a exigência da categoria é receber o reajuste imediatamente, sem parcelamento e retroativo. O sindicato (SINPROCAN- Sindicato dos Professores Municipais de Canoas) passou a solicitar reuniões de negociações.

A indignação era tanta que o sindicato chamou um dia de paralisação que, por pressão da base, se transformou em greve por tempo indeterminado. Uma greve que tem pelo menos 60% de adesão. Algumas das maiores escolas estão 100% paradas: Thiago Wuirth, Irmão Pedro, entre outras. A proposta derrotada do sindicato era iniciar a greve somente na semana seguinte. Automaticamente foi formado um comando de greve que, juntamente com o sindicato, vem dirigindo a mobilização.

Além da reivindicação de reposição da inflação do ano passado (que no município já virou tradição de repor parceladamente em até 10 vezes) os profissionais da Educação reivindicam também aumento real de salário de 10%. Já fazem 24 anos que a categoria não tem reposição. Reivindicam ainda o pagamento do Piso Nacional do Magistério , além de melhorias na estrutura das escolas e mais professores e monitores, e contratação de vigilantes.

Enfrentamento com o governo

A cidade de Canoas vive uma crise política e institucional grave, escândalos de corrupção, privatizações, incompetência durante a enchente de 2024 e ataques ao funcionalismo público que marcaram a gestão anterior de Jairo Jorge (PSD) – com apoio do PT em sua gestão. Foi ele quem acabou com as eleições para diretor de escola e acabou com o plano de carreira, criando diferentes tipos de formas de contrato para dividir a categoria.

Quando Airton Souza (PL) assume, já assume pressionado pelo descontentamento da categoria. Após a enchente, as condições de trabalho nas escolas se agravaram. E o prefeito, após um ano, tenta conter o descontentamento realizando eleições para diretor de escola. E trocando um rancho (compras de supermercado) que era concedido com desconto para o funcionalismo por um auxílio alimentação de R$ 604,00. Estas concessões não foram o suficiente. E a categoria, após uma passeata, decidiu por greve sem muita organização e planejamento.

É a primeira vez que a categoria de professores de Canoas faz uma greve com este nível de adesão e este tempo de duração. Estamos já na segunda semana. O governo não apresenta sinais de atender as principais reivindicações. Busca, do seu jeito tosco, disputar o apoio da população, porém, ao que parece, a solidariedade da população com os professores é grande.

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