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SP: Acidente na Sabesp. Privatiza que melhora?

PSTU-SP

11 de março de 2026
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Rompimento de caixa d’água da Sabesp deixa feridos, uma pessoa morta e destrói casas em São Paulo | Foto: Reprodução

O rompimento de um reservatório da Sabesp em Mairiporã, na Grande São Paulo, deixou um morto e sete feridos, segundo informações divulgadas pela imprensa. A estrutura cedeu repentinamente, liberando um grande volume de água que atingiu casas da região e moradores. Um trabalhador terceirizado que atuava na obra morreu.

A tragédia expõe, mais uma vez, um padrão já conhecido: quando serviços públicos passam a ser subordinados à lógica do lucro, aumentam a precarização, os riscos e as tragédias.

Privatização significa cortar custos

Quando empresas privadas assumem serviços essenciais, a lógica muda. O objetivo deixa de ser garantir atendimento seguro e universal para a população e passa a ser gerar lucro para acionistas e fundos de investimento. Na prática, isso costuma significar terceirizações, redução de equipes e cortes em manutenção e segurança.

Esse mecanismo já apareceu em vários serviços privatizados no país. No metrô de São Paulo, a concessão à ViaMobilidade ficou marcada por panes frequentes, falhas de segurança e até acidentes fatais. No setor elétrico, a Enel deixou milhões de pessoas dias sem luz após temporais, expondo o sucateamento da rede e a falta de investimento em manutenção, enquanto segue distribuindo lucros aos acionistas.

No saneamento, os impactos também aparecem na saúde pública. No litoral paulista, um surto de virose levou milhares de pessoas a procurar atendimento médico em cidades como Guarujá. Os casos podem estar relacionados com problemas no sistema de esgoto e possível contaminação da água do mar, numa região onde o saneamento é de responsabilidade da Sabesp.

A obsessão privatista de Tarcísio

O caso ocorre em meio à ofensiva privatizadora do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Desde que assumiu o governo de São Paulo, Tarcísio transformou a privatização em eixo central de sua gestão.

Seu governo já privatizou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), ampliou concessões no metrô e na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), leiloou rodovias e aeroportos e tenta avançar inclusive na privatização de escolas públicas. Para Tarcísio, privatizar virou praticamente um modelo de administração do estado.

A privatização da Sabesp foi realizada pelo governo Tarcísio com a promessa de universalizar o saneamento e ampliar investimentos. Na prática, trata-se de uma enorme transferência de um serviço essencial para bancos, fundos de investimento e grandes empresas privadas. Entre os beneficiados estão grupos financeiros ligados ao banqueiro Daniel Dantas e a empresa Equatorial, que passou a integrar o bloco de controle da companhia, agora responsáveis por uma tragédia.

O discurso oficial fala em eficiência e modernização. A realidade é outra: entregar serviços essenciais a grandes empresas, bancos e fundos estrangeiros interessados sobretudo na rentabilidade do negócio. No caso da Sabesp, isso significa transformar água, um direito básico, em mercadoria.

Água não é negócio. Contra a privatização dos serviços essenciais

Infraestruturas de saneamento são sistemas complexos que exigem manutenção permanente e investimentos constantes. Reservatórios, redes e estações de tratamento não podem funcionar sob a lógica de cortar custos para aumentar dividendos.

Quando essa lógica se impõe, o resultado aparece em forma de sucateamento, precarização do trabalho e maior risco de acidentes. O rompimento do reservatório em Mairiporã não pode ser tratado como um episódio isolado. Ele ocorre em um contexto em que o governo Tarcísio decidiu entregar o saneamento paulista ao mercado financeiro.

Mas essa política também conta com a conivência do governo Lula e do PT, que mantiveram o marco legal do saneamento aprovado no governo Bolsonaro, um marco que incentiva privatizações em todo o país e abre espaço para que grandes empresas e fundos de investimento avancem sobre um serviço essencial.

Água, energia, transporte e saúde são direitos básicos e não podem ser tratados como negócios para grandes empresas. A experiência das privatizações no Brasil e no mundo mostra um padrão: aumento de tarifas, piora na qualidade do serviço, precarização do trabalho e mais riscos para a população.

Por isso, é preciso fortalecer a luta contra as privatizações e defender serviços públicos 100% estatais. É necessário lutar pela reestatização da Sabesp, com investimento público e controle social. A gestão deve estar nas mãos dos trabalhadores e da população, para que o sistema de água e saneamento seja organizado para atender às necessidades da população, e não ao lucro de bancos e fundos de investimento.

Tragédias como a de Mairiporã mostram, de forma dolorosa, que, quando serviços essenciais são submetidos à lógica do lucro, quem paga a conta são sempre os trabalhadores e o povo.

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