Nacional

Aumento da passagem em BH: Ataque ao povo trabalhador e lucro garantido aos empresários

PSTU Belo Horizonte

2 de janeiro de 2026
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Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis

O ano de 2025 para os trabalhadores belorizontinos não terminou nada bem. O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) anunciou um super aumento nas passagens de ônibus, de R$ 5,75 para R$ 6,25, um aumento de 8%. Este valor é tão alto que coloca Belo Horizonte com a terceira passagem mais cara da América Latina, considerando as capitais e grandes cidades. Andar de ônibus em Belo Horizonte vai custar mais caro do que em cidades como Santiago (Chile) ou Buenos Aires (Argentina) que possuem metrô integrados.

O novo aumento da passagem de ônibus em Belo Horizonte é mais um ataque direto ao bolso da classe trabalhadora, da juventude, das mulheres e da população mais pobre da cidade. Em um cenário de salários arrochados, inflação dos alimentos e precarização do trabalho, a Prefeitura de BH decide, mais uma vez, garantir o lucro dos empresários do transporte às custas do sofrimento do povo. Para termos uma ideia, o gasto mensal com o novo valor da passagem de ônibus equivale a 17% do valor do salário mínimo, e as mulheres negras possuem o maior gasto com transporte público com relação à sua renda média.

O transporte público em Belo Horizonte

O transporte coletivo em BH é caro, ineficiente e excludente, com uma enorme distância entre os horários dos ônibus porque, desta forma, aumenta a taxa de lucro das empresas. Com viagens mais espaçadas, os ônibus ficam mais cheios (em muitos dos casos desumanamente lotados) e assim o lucro por viagem aumenta. Os ônibus possuem goteiras em dias de chuva, ar-condicionado e elevadores para acessibilidade que não funcionam, além de problemas mecânicos.

Além disso, a falta de agentes de bordo sobrecarrega o trabalho do motorista, colocando em risco a vida dos passageiros, já que a atenção do motorista se divide em dirigir, fornecer troco e ajudar os passageiros. Os pontos de ônibus, em muitos locais, são escuros, sem proteção contra chuva ou sol, gerando insegurança aos usuários. A integração do transporte da capital com as cidades da região metropolitana também é um problema, a ausência de um bilhete único que unifique o pagamento das tarifas de Belo Horizonte e as cidades da região metropolitana também dificulta essa integração.

A média de tempo gasto em deslocamentos diários de transporte público (ida e volta) é de aproximadamente 85 minutos por dia em dias úteis — um dos maiores entre capitais brasileiras, atrás de Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Mesmo com todos esses problemas, a resposta do poder público é sempre a mesma: reajustar a tarifa, sem transparência e sem ouvir a população. Esse aumento escancara a lógica do sistema atual: um transporte controlado por empresas privadas que operam com contratos vantajosos, subsídios públicos milionários e nenhuma contrapartida real em melhoria do serviço. Enquanto isso, o povo paga duas vezes — na tarifa e nos impostos.

Subsídio para garantir os lucros das grandes empresas

O transporte coletivo de Belo Horizonte é controlado por apenas quatro grandes consórcios e com recurso de subsídio público milionário. Em 2025, a Prefeitura de Belo Horizonte destinou cerca de R$ 745 milhões em subsídios às empresas de ônibus, um valor retirado dos cofres públicos para garantir o lucro desses consórcios. O subsídio, vendido pela PBH como forma de “conter” o valor da tarifa, na prática funciona como um cheque em branco para as concessionárias, sem controle social, sem transparência e sem contrapartida efetiva de qualidade.

Os acordos feitos entre a Prefeitura de Belo Horizonte e as empresas de ônibus são constantemente descumpridos, sempre à favor das empresas e não são cobrados verdadeiramente pela PBH, mostrando que o governo não quer se indispor com os consórcios.

É necessário defender a estatização do transporte

É preciso organizar a luta, com trabalhadores e ativistas, para resistir ao aumento das tarifas, pois só nas ruas iremos barrar o aumento das passagens e o lucro dos empresários, que só possuem compromisso com o enriquecimento dos seus acionistas. Além disso, é necessário interromper todos os contratos com empresas privadas que hoje detêm concessão sobre o transporte coletivo.

É preciso estatizar as empresas de ônibus e construir uma Empresa Municipal Única de Transportes Urbanos, que integre ônibus, trens e metrôs sob controle dos funcionários e usuários do sistema, além de garantir uma tarifa zero nas passagens. A estatização do transporte e gratuidade da passagem garantiria facilidade para a população realizar tratamentos médicos, ter acesso aos espaços educacionais, aos espaços culturais da cidade e aos órgãos governamentais; possibilidade às pessoas desempregadas de procurar emprego; redução no custo de vida das famílias trabalhadoras.

Além disso, haveria a redução do custo operacional dos pequenos comerciantes e produtores; redução do tempo das viagens; redução do desgaste dos motoristas de ônibus que hoje são cobradores, fiscais e motoristas; fim da relação conflituosa entre os trabalhadores/as dos ônibus e passageiros e redução no número de carros que rodam na cidade, diminuindo o trânsito.

Não podemos deixar de lado a luta pela reestatização do Metrô, contra a precarização dos direitos dos servidores, pela aplicação da Tarifa Zero e pela retomada da ampliação. A privatização do metrô em Belo Horizonte piorou o serviço, tornando-o mais caro e com uma qualidade a desejar. Os horários entre um trem e outro não diminuíram, pelo contrário, em alguns casos aumentaram e não há uma ampliação necessária do número de trens.

A integração do transporte de toda a região metropolitana de Belo Horizonte torna-se uma necessidade. Devendo ser igualmente público e estatal, com tarifa zero e qualidade.

A possibilidade de alternativas ao transporte público, como ciclovias também é essencial. Defendemos a expansão das pistas específicas para ciclismo, criação de novas pistas e campanha de conscientização no trânsito, sobre as pistas exclusivas a prática do ciclismo.

Transporte é um direito social, essencial para garantir o acesso ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e à própria vida na cidade. Defender esse direito passa, necessariamente, pela organização e mobilização dos trabalhadores, dos usuários, da juventude e dos rodoviários, para barrar os aumentos, enfrentar os empresários e impor outro modelo de transporte.

Essa luta não se resolve sem uma ruptura com a lógica capitalista que transforma necessidades básicas em negócio. Só um governo dos trabalhadores, pode garantir um transporte público gratuito, de qualidade e a serviço da maioria. Lutar pelo transporte público é lutar pelo socialismo, por uma cidade e por um país organizados para atender às necessidades humanas, e não os lucros do capital.

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