Barbárie: Brasil atinge novo teto histórico de feminicídios em 2025 com média de quatro vítimas diárias
É inaceitável que as mortes de mulheres por feminicidio no Brasil atinjam números tão altos
Os índices de violência de gênero no Brasil atingiram patamares alarmantes no último ano. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, 2025 encerrou com 1.470 feminicídios registrados, superando as 1.464 ocorrências de 2024 e estabelecendo um novo recorde negativo para o país.
Desde que a qualificadora de feminicídio foi integrada ao Código Penal em 2015, o crescimento dessa estatística é drástico: Em dez anos saltou de 535 mortes (2015) para 1.470 (2025), uma alta de 316%.
Nessa década, mais de 13,4 mil mulheres perderam a vida por questões de gênero no período.
São Paulo lidera o ranking absoluto (233 casos), seguido por Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). Os dados paulistas de dezembro ainda não foram totalmente processados, o que sugere que o número final será ainda maior.
Em termos de taxa por 100 mil habitantes, o Acre apresenta o cenário mais crítico (1,58), enquanto o Amazonas detém o menor índice (0,46).
A subnotificação e o ciclo da violência
Especialistas alertam que a realidade pode ser ainda mais cruel do que os documentos oficiais revelam. Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), explica que muitos casos ainda são classificados como homicídios comuns, ignorando o componente de ódio ao gênero.
Além disso, o aumento nos registros de crimes “precursores” — como perseguição (stalking), agressões físicas e estrangulamentos — indica um agravamento generalizado da insegurança feminina, culminando muitas vezes no assassinato.
Casos de extrema crueldade
O ano de 2025 foi marcado por episódios de violência bárbara que chocaram a opinião pública. Em São Paulo (SP) Tainara Souza Santos, de 31 anos, morreu após ser atropelada e arrastada por quilômetros pelo ex-parceiro.
Em Recife (PE), a tragédia de Isabele Gomes de Macedo, morta junto com seus quatro filhos pequenos em um incêndio criminoso provocado pelo companheiro chocou a opinião pública.
Somente leis não inibem
Diante da crise, houve uma alteração na legislação em outubro de 2025. A nova lei sancionada pelo Governo Federal elevou o rigor punitivo no tempo de reclusão, de 12 a 30 anos, passou para 20 a 40 anos. A punição pode ser ampliada em um terço se o crime ocorrer durante a gestação, contra menores/idosos ou diante de familiares, pais ou filhos, da vítima. Diante de tamanha crise, as medidas são positivas, mas não são suficientes.
Para a CSP-Conlutas, os números, atestam que a realidade é uma só: existe uma epidemia de feminicídios e violência machista contra as mulheres. Para denunciar e combater essa situação, o Setorial de Mulheres da Central lançou uma campanha nacional emergencial, uma série de propostas. Entre elas:
– Unificar a luta das mulheres trabalhadoras com as lutas gerais da classe: a violência de gênero não é um problema isolado, mas parte de um sistema de opressão e exploração. Só a organização independente da nossa classe pode oferecer respostas reais.
– Exigir políticas públicas efetivas: aumento imediato de orçamento para enfrentamento à violência, ampliação e funcionamento integral de casas-abrigos, centros de referência e serviços especializados em todo o país.
– Construir comissões de autodefesa e redes de solidariedade: nos sindicatos, escolas, bairros e movimentos, fortalecer iniciativas de apoio entre mulheres, formação política, denúncia e acolhimento de vítimas.
– Lutar contra o machismo nas nossas fileiras: o enfrentamento à violência começa nos nossos espaços de militância. Precisamos construir uma prática antissexista cotidiana, com mecanismos de escuta, denúncia e enfrentamento das violências internas às organizações sindicais e populares.
– Levantar essa bandeira em todas as frentes de luta: nas greves, nas ocupações, nas campanhas salariais, nas lutas por moradia, transporte e saúde, a denúncia da violência contra as mulheres deve estar presente como parte da pauta da classe trabalhadora.
A CSP-Conlutas mais uma vez faz um chamado a todas as entidades filiadas e movimentos a manterem essa luta com a seriedade necessária. Que sejamos milhares de vozes a dizer: não aceitaremos mais nenhuma mulher assassinada!