Barbárie em Uberaba: 335 crianças violadas e a culpa é do sistema capitalista e do conservadorismo
Esses dados foram publicados na edição deste 23 de dezembro, pelo Jornal da Manhã (da cidade de Uberaba). Eles não são apenas estatísticas; são o grito de socorro de uma sociedade que explora seus trabalhadores e, ao mesmo tempo, oprime suas crianças, mulheres, negros e LGBTs, inclusive por meio da violência sexual.
Em apenas oito meses, Uberaba registrou 335 violações contra crianças e adolescentes, sendo o abuso sexual a liderança absoluta dessas ocorrências. Esses números não são um “acidente”, mas o resultado inevitável de uma sociedade que prioriza a propriedade privada e o controle machista e misógino sobre a vida de mulheres e crianças.
A hipocrisia da “Família Tradicional” e o machismo
Em uma cidade marcada pelo conservadorismo e pelo peso da extrema direita, o discurso da “defesa da família” serve, na verdade, como um escudo para o agressor. A ideologia conservadora prega que o que acontece dentro de casa é privado, impedindo que o Estado e a comunidade intervenham. O machismo que permeia o conservadorismo ensina que o corpo — especialmente o de mulheres e crianças — é um território de domínio do “chefe da família”.
A mesma direita que chora lágrimas de crocodilo sobre esses índices é a que combate ferozmente a educação sexual nas escolas de Uberaba. Ao proibir que se discuta corpo e consentimento, eles retiram da criança a única arma que ela tem para identificar o abuso.
Zema e o desmonte da proteção em Minas Gerais
O governo de Romeu Zema em Minas Gerais aprofunda essa tragédia. Enquanto faz propaganda de “eficiência”, a realidade na ponta é de abandono:
– Explosão de Casos: Sob a gestão Zema, Minas registrou um aumento de 21,3% nos crimes de estupro contra vulneráveis apenas em 2023. Os dados de 2025 em Uberaba mostram que a tendência de alta continua sob o silêncio do Palácio Tiradentes.
– Segurança Sucateada: O efetivo das polícias Civil e Militar em Minas caiu drasticamente (mais de 3 mil agentes a menos desde 2019). Sem policiais e investigadores, as denúncias de abuso em Uberaba morrem na burocracia, garantindo a impunidade do agressor.
– Privatização e Cortes: Zema prioriza o pagamento da dívida com a União e o Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que congela investimentos em assistência social e saúde por anos. Para o governo estadual, é mais importante “fechar as contas” do que garantir psicólogos e assistentes sociais para atender as 335 vítimas de Uberaba.
Orçamentos da Morte: De Brasília a Uberaba
Não existe combate à violência infantil sem investimento público, e tanto a extrema direita bolsonarista e o governo Zema, quanto a esquerda reformista de Lula, caminham no sentido oposto.
– Nacional: O orçamento de 2026 aprovado agora expõe a perversidade do Arcabouço Fiscal, priorizando emendas parlamentares em vez de programas reais contra a exploração sexual.
– Local: Em Uberaba, a Lei Orçamentária de 2026 prevê um crescimento de apenas 1,41%, o que é um corte real. É o orçamento do “enxugar gelo”.
A saída é pela esquerda revolucionária
Para o PSTU, a solução não virá de reformas paliativas. É preciso enfrentar o projeto político que alimenta o machismo e o fundamentalismo religioso. A luta contra a violência sexual deve ser dada juntamente com a luta contra o capitalismo — um sistema que trata seres humanos como mercadorias.
O PSTU defende:
-Fim do Regime de Recuperação Fiscal de Zema: Dinheiro para a assistência social, não para a dívida!
-Suspensão imediata da Dívida Pública: Verba para uma rede de proteção infantil 100% pública e gratuita em Uberaba.
-Educação Sexual e Protetiva Já: Quebrar o controle machista nas escolas através do conhecimento.
-Concurso Público Urgente: Ampliação imediata do efetivo da Polícia e dos Conselhos Tutelares.
-Desmilitarização da PM : Direito de sindicalização aos praças e eleição dos comandos pelas tropas e pela comunidade. Segurança não é repressão aos pobres, mas proteção sob controle popular!
-Basta de violência! Pela autodefesa da classe trabalhadora e pela proteção incondicional das nossas crianças e juventude!