Barco com os brasileiros Mandi Coelho e Thiago Ávila é interceptado por forças identificadas como de Israel no Mediterrâneo
Um chamado à construção de uma ampla campanha internacional de solidariedade, em defesa da segurança dos ativistas e do direito à ajuda humanitária ao povo palestino
Missão humanitária rumo a Gaza relata abordagem armada e dificuldades de comunicação; exigimos uma ação do governo brasileiro em defesa dos ativistas e chamamos a construção de uma campanha de solidariedade internacional
A Global Sumud Flotilla, missão humanitária internacional que navega rumo à Faixa de Gaza para denunciar o bloqueio imposto por Israel e levar ajuda ao povo palestino, relatou nesta terça-feira (29) uma situação de interceptação por forças identificadas como israelenses no mar Mediterrâneo.
De acordo com informações confirmadas pela coordenação da flotilha, as embarcações Saf Saf, Eros e Snap foram interceptadas. As embarcações foram sobrevoadas por drones e monitoradas por um navio nas proximidades. Lanchas militares, que se identificaram como forças de Israel, abordaram a frota apontando lasers e armas contra integrantes da tripulação.
Parte das embarcações foi redirecionada para o sudoeste de Creta por razões de segurança, enquanto persistem dificuldades de comunicação com alguns dos barcos.
Diante da gravidade da situação, familiares e organizações solidárias pedem atenção imediata da comunidade internacional, de entidades de direitos humanos e do governo brasileiro para garantir a segurança dos ativistas a bordo.

Mandi Coelho, estudante da USP, diretora do DCE-USP, ativista do Coletivo Rebeldia, militante do PSTU, e Thiago Ávila, ativista internacionalista e ambientalista, estão em um dos barcos interceptados.
Os demais brasileiros – Ariadne Telles, advogada de direitos humanos; Beatriz Moreira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Lisi Proença, organizadora cultural e comunicadora; Leandro Lanfredi, petroleiro e diretor do Sindipetro-RJ; Lucas Gusmão, ativista anti-imperialista – estão nos barcos redirecionados para Creta.
Os ativistas brasileiros vêm denunciando o cerco imposto a Gaza e defendendo o direito à entrada de ajuda humanitária no território palestino.
A missão tem caráter civil e humanitário e integra esforços internacionais para denunciar a catástrofe humanitária em Gaza. Em outras ocasiões, embarcações semelhantes já foram interceptadas e atacadas por forças israelenses em águas internacionais, o que amplia a preocupação com a segurança da atual flotilha.
Diante desse cenário, as organizações envolvidas exigem do governo brasileiro o acompanhamento imediato da situação, com atuação diplomática ativa para garantir a integridade física dos cidadãos brasileiros. Ao mesmo tempo, fazem um chamado à construção de uma ampla campanha internacional de solidariedade, em defesa da segurança dos ativistas e do direito à ajuda humanitária ao povo palestino.