Meio ambiente

Cargill, a multinacional do agronegócio para quem Lula quer entregar os rios da Amazônia

Revogação do Decreto nº 12.600/2025, que privatiza rios na Amazônia, já!

Redação

21 de fevereiro de 2026
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Indígenas ocupam o porto da Cargill em Santarém (PA), desde o dia 22 de janeiro | Foto: Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita)

Fundada nos Estados Unidos em 1865, a Cargill é a maior empresa privada da América. É uma gigante do agronegócio, especializada em produzir e processar alimentos, ingredientes, produtos agrícolas e industriais.

Tem uma atuação global. Está presente em 70 países. No Brasil, está presente desde 1965, e atua em 17 estados e no Distrito Federal.

A Cargill não tem fazendas, não planta nada, vende muito pouco diretamente ao consumidor. No Brasil, é dona de marcas conhecidas, como os óleos Liza e os molhos Pomarola, mas isso é uma exceção. A empresa se tornou o gigante que é operando fora dos olhos do público. Uma de suas principais atividades é comprar, armazenar e revender commodities agrícolas como soja, milho e trigo.

Isto é, a Cargill compra, processa e distribui grãos, oleaginosas e outros produtos agrícolas, além de produzir alimentos para humanos e animais. Opera cerca de 650 a 700 navios em todo o mundo, levando e trazendo grãos e outras commodities. Domina os mercados globais de alimentos e produtos agrícolas. E, ainda atua no setor financeiro por meio do Banco Cargill.

A empresa também processa e fabrica adoçantes, chocolates, óleos, rações para animais e álcool combustível – além de corantes e substâncias usadas para conservar iogurtes, pães, cervejas e refrigerantes. Seus ingredientes estão nos sanduíches do McDonald’s, nos refrigerantes da Coca-Cola, na comida de cachorro da Nestlé, nos sorvetes da Unilever.

Lucro com a destruição do meio ambiente

A Cargill chegou em Santarém (PA) em 2003, com a instalação de uma megaestrutura – com porto e silos de armazenamento de soja – sobre a praia de Vera Paz, em área cedida pela prefeitura. Antes da chegada da empresa, Vera Paz era um ponto de lazer para os moradores da região e território sagrado para indígenas e ribeirinhos.

A trajetória da Cargill é marcada por denúncias de crimes ambientais. Sua ação na Amazônia contribuiu para aumentar o desmatamento, pois incentiva o cultivo de soja na região para aumentar seus lucros.

Não é à toa, que a Forbes diz que a Cargill é a empresa que mais tem bilionários no mundo todo. Sozinha, gera tantos bilionários quanto Israel e Suécia. Somente no Brasil, em relatório publicado em seu portal, tece lucro líquido de R$ 2,5 bilhões em 2023, com receita recorde naquele ano. Tudo isso à custa do desmatamento, grilagem e violações de direitos humanos.

Na região do Tapajós, construiu terminais e pontos de escoamento, apropriando-se de terras públicas e de territórios indígenas e quilombolas.

Isso é o capitalismo. Tudo em nome do lucro. É preciso superar este sistema. Superar o capitalismo impõe a necessidade de revolucionar as forças produtivas (ou seja, o conjunto do aparato produtivo), mudando radicalmente a lógica da produção (do que se produz, como se produz e para quem se produz) no marco da construção de uma sociedade de produtores associados, como dizia Karl Marx (leia mais aqui).

No contexto da catástrofe ambiental que vivemos hoje, a disjuntiva entre socialismo ou barbárie se impõe de maneira dramática: ou superamos o capitalismo ou a humanidade sucumbirá.

Lula junto com o imperialismo

A Cargill é uma representação direta do imperialismo dentro da Amazônia e no controle do agronegócio brasileiro a fins de exportação. Atua como elo entre produtores latifundiários e mercados externos. Essa posição torna a empresa central no escoamento da safra e nas cadeias do agronegócio.

Relatórios investigativos apontam que a Cargill transporta os grãos de latifundiários envolvidos em desmatamento e em produção em áreas sobrepostas a territórios tradicionais.

Há anos, indígenas e povos tradicionais da região do Tapajós denunciam que terminais e pontos de escoamento de grãos beneficiam produtores que se apropriam de terras e pressionam territórios indígenas e quilombolas.

Hoje, a Cargill quer aumentar essa escoação. E o governo Lula vem agindo a favor disso. Lula age em defesa do imperialismo, mesmo que isso signifique a morte do rio Tapajós, o avanço do desmatamento e o genocídio das populações originárias e tradições.

A luta dos povos originários e tradicionais do Tapajós é uma luta direta contra o governo Lula e o imperialismo.

Medidas de Lula a favor da Cargill

O governo Lula tem vários projetos que atendem o agronegócio na Amazônia, entre eles, tem um que favorece diretamente a Cargill: o Decreto nº 12.600, assinado em agosto do ano passado, que privatiza trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins (leia mais aqui).

O decreto prevê a entrega de mais de 3 mil quilômetros de rios amazônicos ao setor privado, com o objetivo de ampliar o transporte de soja, minérios e outras commodities.

Os estudos técnicos contemplam três principais eixos:

— Rio Tapajós: cerca de 250 quilômetros de via navegável entre Itaituba e Santarém (PA);
— Rio Tocantins: 1.731 quilômetros entre Belém (PA) e Peixe (TO);
— Rio Madeira: aproximadamente 1.075 quilômetros, entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM).

Esses trechos atravessam unidades de conservação, territórios quilombolas, ribeirinhos e indígenas, o que acende o alerta de impactos diretos em comunidades tradicionais e no ecossistema local.

A privatização das hidrovias vai agravar problemas já existentes, como o aumento do tráfego de embarcações, a pressão por novos portos e o risco de contaminação das águas por mercúrio e agrotóxicos.

Além disso, a intensificação do transporte comercial afetará o modo de vida de ribeirinhos e pescadores, interferindo em áreas de reprodução de peixes e quelônios, e no transporte fluvial de comunidades isoladas.

A maior beneficiada com esse decreto é a Cargill.

Revogação do Decreto nº 12.600/2025, já!

Hoje (21/2), a ocupação indígena no terminal da Cargill Agrícola, em Santarém, na margem do rio Tapajós, completa um mês. São quase 2 mil pessoas na área, sobretudo indígenas das regiões do Médio, Alto e Baixo Tapajós.

A reivindicação principal é a revogação total do Decreto 12.600/2025, que privatiza os rios (Tapajós, Madeira e Tocantins) e concede a empresas privadas a realização de dragagem e controle de tráfego de embarcações.

O porto da Cargill é apenas uma parte do sistema logístico que vem sendo instalado pelo governo Lula ao longo da rodovia BR 163, que conecta o estado do Mato Grosso — maior produtor de soja do Brasil — ao rio Amazonas, por onde os grãos são escoados para o mercado externo. O projeto inclui desmatamento de áreas para instalação de estacionamentos de caminhões, estações de transbordo de cargas, portos e uma ferrovia (Ferrogrão).

Diferente do governo Lula, que está ao lado da Cargill e do imperialismo, nós estamos ao lado dos povos indígenas e tradicionais pela revogação imediata Decreto nº 12.600/2025, e pela estatização da Cargill, de todos os portos, hidrovias e estruturas de escoamento de produção de grãos no Brasil.

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