Cultura

Carnaval com muita folia e protestos

Redação

6 de fevereiro de 2026
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Bloco Acorda Peão

O Carnaval é a maior e mais popular festa brasileira. A folia momesca tem suas raízes fincadas no questionamento aos valores e práticas da classe dominante. Originário das festas gregas da Antiguidade, ocupou um importante espaço na sociedade medieval, um dos períodos mais sombrios da História, quando a Igreja era senhora todo poderosa da sociedade, fazendo reis, ditando regras, perseguindo e matando quem se colocasse em seu caminho.

Celebração da vida e seus prazeres, a festa pagã foi perseguida pela Igreja que, contudo, foi incapaz de proibi-la totalmente e acabou sendo obrigada a incorporá-la em seu calendário. Assim, a antiga celebração pagã foi transformada em carnivale, uma última oportunidade para que as pessoas se refestelassem com os prazeres da carne, de forma literal e figurativa, antes do jejum imposto pela Quaresma.

Ao atravessar o Atlântico, o Carnaval ganhou, no Brasil, o tempero fundamental das culturas africanas e indígenas, que agregaram seu gingado e seus ritmos a uma festa que tinha como essência a inversão e o questionamento dos valores dominantes. Daí a sátira e as fantasias, que, pelo menos por alguns dias, elevavam o povo à condição de senhores das ruas.

De lá para cá, a festa sofreu um forte processo de domesticação e mercantilização. Contudo, ela não perdeu por completo aquilo que tem de mais libertário: a irreverência popular e a inversão dos valores vigentes.

“Eu quero é botar meu bloco na rua”

Blocos espalhados por todo o Brasil mostram a criatividade popular e reforçam a ideia de que arte e cultura podem (e devem) ser armas irreverentes contra o sistema. E fazem da rua o palco principal da festa e das lutas.

A militância do PSTU vai colocar o bloco na rua. O partido participa e organiza blocos carnavalescos. Nesta edição do Opinião Socialista, apresentamos três blocos que vamos curtir com muito confete e serpentina, protestos e críticas sociais.

Cabelo de Fogo

Com o tema “Fogo no machismo e na exploração”, no próximo sábado, dia 7, pelo décimo segundo ano, o bloco Cabelo de Fogo sai às ruas no Carnaval de Pernambuco. A concentração será às 13h, na Petiscaria Santa Cruz (Rua Rosário da Boa Vista, 163), em Recife. A camisa custa R$ 50 e o folião curte saboreando uma deliciosa feijoada e degustando cerveja gelada, ao som de orquestra de fervo.

O bloco é uma homenagem à companheira Sandra Fernandes e seu filho Icauã, vítimas da violência machista, que nos deixaram na véspera da festa preferida de Sandra, no Carnaval de 2014. O nome do bloco é uma alusão a uma das canções de frevo mais famosas do carnaval de Recife e Olinda, como também é para lembrar a alegria de Sandra, que tinha longos cabelos vermelhos.

“Ficamos com a tarefa de transformar esse luto, em luta. Por isso, criamos um bloco que denuncia o machismo e toda forma de opressão e, ao mesmo tempo, mantém viva a alegria de Sandra, seu amor pelo Carnaval, com seu cabelo vermelho e sua presença marcante nos festejos e na luta por uma sociedade sem opressão e exploração”, afirma Cláudia Ribeiro, da direção do PSTU Pernambuco.

“Nosso Estado é conhecido pelas lindas manifestações culturais que mostram a criatividade e a cultura do nosso povo. Mas apresenta um triste cenário de altos índices de violência contra a mulher, assassinatos de travestis e racismo, que se expressa na violência policial. Por isso, o bloco sai fervendo e frevando contra toda forma de opressão”, completa Cláudia.

Acorda Peão

Organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, e outros sindicatos da região do Vale do Paraíba, o bloco Acorda Peão, que tradicionalmente usa temas políticos como forma de crítica e alerta a população sobre os problemas do país, ganha as ruas da cidade de São José dos Campos (SP) no dia 14, com concentração a partir das 9h, em frente ao Espaço de Eventos dos Metalúrgicos (Rua Francisco Paes, 363).

Em 2026, o Acorda Peão realiza seu 28º desfile. Com o enredo “Vamos protestar”, o bloco tece críticas sociais com irreverência, destacando temas que foram destaque na conjuntura política. O samba-enredo denuncia a política imperialista do presidente estadunidense Donald Trump e a invasão da Venezuela para roubar petróleo.

O presidente Lula (PT) é criticado por não governar para os trabalhadores. O Congresso Nacional é chamado de inimigo do povo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é denunciado pela sua política de segurança pública que mata o povo negro na periferia. O prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), é cobrado pela implementação da tarifa zero no transporte público e denunciado pela política de privatização do Parque da Cidade. A pauta em defesa do meio ambiente também tem destaque no samba-enredo e nas alegorias do desfile.

Mudança do Garcia

Em Salvador, na segunda-feira (16), milhares de foliões participarão da tradicional Mudança do Garcia, no Circuito Riachão. Com faixas, cartazes, fantasias irreverentes e fanfarras, ativistas dos movimentos sociais, entidades sindicais e estudantis e partidos políticos se somam aos foliões que levam as pautas populares ao circuito tradicional da maior festa de rua do planeta.

Este ano, a militância do PSTU e os ativistas da CSP-Conlutas e suas entidades filiadas participarão em um bloco unitário com outras organizações que integram a campanha pelo fim da escala 6×1.

“Dois mil e vinte e seis começa com a pauta pelo fim da escala 6×1 em evidência. Importante aproveitar o Carnaval para levar às ruas a exigência ao governo Lula do fim escala 6×1, sem redução de salários e direitos”, pontua Victor Marinho, militante do PSTU e integrante do Comitê Baiano pelo Fim da Escala 6×1.

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