Debates

Conferência Antifascista de Porto Alegre: Diferentes visões de combate à extrema direita e ao imperialismo

PSTU-RS

17 de março de 2026
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De 26 a 29 de março acontece a Conferência Antifascista em Porto Alegre (RS) que, segundo a convocatória do PSOL, PT, PCdoB, MST, CPERS (Sindicato dos Educadores do RS), Adufrgs (Associação docentes Ufrgs) tem como objetivo fazer com que “forças antifascistas internacionais abram um diálogo que possa enfrentar a destruição promovida pela onda neofascista, priorizando a unidade em todas as frentes contra toda a extrema direita”.

Em nossa opinião, este debate é muito importante. Vivemos um momento de ascenso da extrema direita, com penetração social e forte expressão eleitoral, em vários países da Europa e na América Latina. E vivemos a imposição, pelo segundo governo Trump, de um projeto reacionário, bonapartista e autoritário, tanto na sua relação com os demais países, quanto na perseguição aos imigrantes do seu país. O mundo caminha para a barbárie climática. Caso todos os compromissos atualmente assumidos pelos países sejam integralmente cumpridos, a temperatura média global deve aumentar entre 2,5°C e 2,9°C, patamar extremamente perigoso. Pior ainda é que estes compromissos são negados abertamente pela extrema direita e descumpridos, na prática, pelos governos ditos progressistas.

Fora Trump da América Latina, do Irã e do Líbano!

Um dos grandes desafios da conferência deveria ser o enfrentamento às agressões de Trump. O pano de fundo é que os EUA, embora sigam sendo o imperialismo mais forte e hegemônico, vivem em meio à profunda crise econômica do sistema capitalista, iniciada em 2008, e que se agravou com o surgimento do imperialismo emergente chinês. Desconsidera instituições e acordos internacionais que anteriormente expressavam a antiga ordem de dominação imperialista (ONU, OMC, FMI) e recorre à força para impor seu domínio e buscar instituir uma nova ordem que avance para a recolonização dos países. Utiliza para isso todos os meios, sejam econômicos (as “leis”do mercado) e extra-econômicos: as tarifas, a invasão de países e as guerras.

Além da disputa econômica, sobre Inteligência Artificial, e a batalha pelo petróleo, há questões políticas – toda a disputa da extrema direita do ponto de vista ideológico e cultural, mas também de projeto de mudança dos regimes políticos. E uma questão militar que abarca não apenas o projeto da Grande Israel no Oriente Médio – na guerra e genocídio na Palestina, guerra contra o Irã e intervenção no Líbano – como avança a corrida armamentista e as operações militares como a que ocorreu na Venezuela, ou a que envolveu o acordo sobre a Groenlândia.

A dominação é exercida por meio da força militar, pela pressão econômica direta e a busca por imposição de regimes autoritários e bonapartistas. Busca subjugar outros países com o discurso dos “EUA primeiro”. Retomou a prática de invasões militares diretas na América Latina, que não ocorriam há décadas. Quer impor governos fantoches no Hemisfério Ocidental para alcançar seus objetivos econômicos e militares.

O Plano Escudo das Américas, lançado por Trump agora em março afirma que “assim como formamos uma coalizão para derrotar o Estado Islâmico, agora precisamos fazer o mesmo para erradicar os cartéis aqui do nosso Hemisfério”. Ou seja, todo o debate sobre enquadramento das organizações criminosas do narcotráfico, e aqui do PCC e o CV como organizações terroristas, pode ser utilizado, no momento que lhe interessar, como desculpa para uma intervenção militar em qualquer país da América Latina, e também aqui no Brasil, a exemplo do que ocorreu na Venezuela.

Com certeza, há a necessidade de uma articulação internacional para lutar, em particular entre nós trabalhadores latino-americano, indígenas, imigrantes, que possa avançar numa campanha, nas ruas, que se proponha a despertar a consciência anti-imperialista da população e realizar ações de solidariedade muito mais ativas aos povos já agredidos. Isto é urgente e prioritário.

Por exemplo, há duas iniciativas de solidariedade internacional, concretas, neste momento. O Sindicato de Petroleiros do Rio de Janeiro está à frente de uma campanha, com manifestações nos locais de trabalho, mobilizando os trabalhadores e exigindo do governo Lula e da direção da Petrobrás o envio imediato de petróleo e derivados a Cuba, para ajudar a enfrentar o colapso energético que vive o país por conta do bloqueio imposto pelos EUA . Além disso, está sendo organizada a “Flotilha Nossa América” para ajuda humanitária a Cuba.

A CSP Conlutas, aqui no Brasil, é parte da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas , criada em 2013. Hoje, reúne cerca de 200 organizações sindicais e movimentos sociais de diversos países, comprometidos com um sindicalismo combativo, democrático, anticapitalista e internacionalista, e está nessa luta.

Iniciativas como estas precisam ser apoiadas e generalizadas. É fundamental fortalecer e internacionalizar a resistência.

Nossa tarefa deve ser a reedição do “Fórum Social Mundial”?

Nas palavras dos próprios organizadores, como do dirigente do MES (PSOL) Roberto Robaina, a idéia é que a conferência seja a reedição de um evento como foi o Fórum Social Mundial.

O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma contraposição ao Fórum Econômico Mundial de Davos. Se propunha a ser “um movimento internacional aglutinador de alternativas ao neoliberalismo e por uma nova ordem social, que proporciona o encontro da multiplicidade e diversidade de propostas”. Porto Alegre sediou várias das suas edições, que reuniram milhares de ativistas. Porém, é necessário que se faça um balanço: o fórum conseguiu apresentar alguma alternativa, de fato, ao neoliberalismo?

Na nossa opinião, não. O slogan oficial do evento era um “outro mundo é possível”, sem questionar, de fato, o horizonte do sistema capitalista. Na prática, levava à conclusão de que era possível “tensionar” a construção de um capitalismo “mais humano”. Por isto, os principais debates e conclusões dos fóruns eram relacionados a medidas sociais compensatórias nos marcos do capitalismo, e de defesa dos governos burgueses ditos progressistas. Nunca propôs nenhuma medida que afrontasse a propriedade dos monopólios, nem os países imperialistas que os sediavam.

Coerente com isso, não tinha prioridade na mobilização e na ação direta, mas, ao contrário, em organizar a institucionalização dos movimentos. A conclusão da primeira carta de princípios, de 2001, já deixava evidente seu papel: “O Fórum Social Mundial é um processo que estimula as entidades e movimentos que dele participam a situar suas ações, do nível local ao nacional e buscando uma participação ativa nas instâncias internacionais, como questões de cidadania planetária, introduzindo na agenda global as práticas transformadoras que estejam experimentando na construção de um mundo novo solidário”.

Por trás desta fachada solidária e progressista, a política efetivamente foi de apoio aos governos “populares”, “progressistas”, “de esquerda”, que emergiram da crise do neoliberalismo na América Latina. Mas estes governos, assim como os governos social-democratas na Europa, acabaram por ser a tábua de salvação deste modelo, acrescentando adornos populares, “sociais” ou “solidários” à mesma política neoliberal.

Assim como os governos da direita neoliberal haviam entrado em crise de representatividade, os próprios governos democrático-burgueses, o mesmo ocorreu com os chamados governos progressistas, ao não enfrentarem o sistema capitalista, mas fazerem uma administração social-liberal. Só que a experiência com estes governos se deu pela negativa. Isto foi aproveitado por uma nova ala, agora de ultradireita, que capitaliza esse descontentamento colocando todos estes governos neoliberais e social-liberais no mesmo saco, intitulando-os de “comunistas” e demonizando as ideias socialistas e o que chamam de “marxismo cultural”. Com isto resgatam as piores ideologias reacionárias e de opressão às mulheres, LGBTs, negros e indígenas.

Esta nova ultradireita tem em Trump não só um discurso, mas uma política que se opõe à globalização quando esta deixa de servir ao imperialismo decadente dos EUA, na medida em que um mercado sem fronteiras beneficia muito mais um novo concorrente, o ascendente imperialismo chinês.

Já no Fórum Social Mundial, com o passar dos anos, os governos, especialmente os do PT, assumiram completamente o controle, junto com aliados como as ONG´s que são parte de suas bases de apoio, deixando os movimentos sociais cada vez mais sem protagonismo.

Cabia à classe trabalhadora assumir, como sujeito social, não só a luta contra o neoliberalismo e a globalização em crise, quanto seu novo opositor capitalista-imperialista que visa mudar o modelo impondo pela força retiradas de direitos sociais e trabalhistas, recuperar a taxa de lucro em queda desde a crise econômica global em 2008, e contrarrestar a decadência americana. Mas o Fórum Social Mundial e os governos de conciliação de classes iam no sentido da desmobilização, o que acentuava a confusão ideológica e abria caminho para o avanço da ultradireita.

Na atualidade, a esquerda, ao discutir o combate à extrema direita, comete o mesmo erro, ao se desvincular a extrema direita do sistema capitalista, como se fosse possível combatê-la até o final sem questionar o sistema. E constrói-se um esquema de que a principal forma de enfrentá-la é através dos processos eleitorais, subordinando o proletariado e a classe trabalhadora a frentes com a burguesia “democrática”. Pior ainda, esta estratégia leva os trabalhadores a acreditar que, ao votar em governos de aliança com esse setor, podem melhorar a sua situação social de forma sustentável e sem precisar lutar. Ou seja, só deseduca e desorganiza nossa classe

Frentes amplas eleitorais não são a saída

Apesar de reunir centenas de ativistas que querem sinceramente avançar em uma articulação internacional e medidas concretas contra a extrema direita, desde a convocatória fica explícito que a Conferência Antifascista poderá se transformar num grande palco para justificar, e afirmar de fato, um projeto de conciliação de classes. E prioritariamente de ação institucional e de frentes amplas eleitorais nos países.

Nas mesas principais e palestras da conferência, os expositores são membros de diversas organizações que fazem ou fizeram parte de diversos governos de colaboração de classes, seja da Espanha, Portugal, França, Estados Unidos, Uruguai, além do PT, PCdoB e PSOL. Também são expositores representantes dos governos de Cuba e Venezuela, que, apesar de serem países atacados pelo imperialismo, são representantes de governos burgueses ditatoriais, que reprimem os trabalhadores e a juventude nos seus respectivos países.

Roberto Robaina, em um dos vídeos que convocam a conferência, afirma que a frustração social produzida por décadas de neoliberalismo tem sido combustível para lideranças autoritárias em diferentes países. Nós concordamos. Porém, o que Roberto não afirma é que diversas organizações que estarão expondo seus projetos nas mesas, aplicaram e aplicam o receituário neoliberal e são ainda mais responsáveis pelas decepções e frustrações. Apostar em mais governos de conciliação de classes não é a saída para exterminar esta extrema direita, nem para enfrentar Trump. Ao contrário, são governos que aprofundam a desmoralização, desmobilizam e deseducam nossa classe e criam mais caldo de cultura para que esta extrema direita cresça.

No que diz respeito ao Brasil, por exemplo, as organizações convocantes da conferência, como o PSOL e PT, apresentam a tarefa da reeleição de Lula como símbolo da tal unidade antifascista em “todas as frentes” supostamente necessária no Brasil.

A elevada desaprovação de Lula e o atual empate técnico com Flávio Bolsonaro nas pesquisas, mesmo depois das divisões e toda crise vivida pela extrema direita pelo seu alinhamento ao tarifaço de Trump, demonstram que defender o governo – que segue e seguirá, num futuro governo, a cartilha neoliberal – não reduzirá o espaço da extrema direita . E isto porque a vida real, da grande maioria, não tem melhorado.

Lula se limita a emitir educadas declarações diplomáticas contra as agressões dos EUA, porque não quer abalar as atuais boas relações com Trump. E, pior, já anunciou que vai negociar nossas terras raras. Ou seja, Lula faz o oposto do que deveria fazer caso tivesse alguma intenção de estimular a consciência antiimperialista do nosso povo. Declara sua química e sua obsessão por uma parceria com os EUA demonstrando que não se pode questionar o “chefe” e nossa subordinação.

Não há como ser esquerda anticapitalista, “de fato”, sendo uma esquerda “da ordem”. Pois a ordem das instituições , no capitalismo, está a serviço de manter, justamente, o sistema – a exploração e sua inerente corrupção. O escândalo de corrupção do banco Master, aqui no Brasil, deixa bem evidente as relações promíscuas de todos os lados. Enquanto a “esquerda progressista” defender estas instituições, será a extrema direita que irá capitalizar a justa raiva do povo.

O PSTU não estará nas mesas oficiais de debate da conferência. Não compartilhamos dos termos políticos e estratégicos, ou dos caminhos para derrotar a extrema direita apontados em sua convocatória. Mas fomos convidados a participar e participaremos do evento apresentando uma posição alternativa para o debate, como fizemos também nos Fóruns Sociais Mundiais. Ajudamos a realizar especialmente uma atividade autogestionada, inscrita pelo ILAESE. O debate “ O papel da independência de classe no combate à extrema direita” acontecerá no dia 27 de março às 18h, e terá como debatedores Hertz Dias, pré-candidato do PSTU à Presidência; Rejane de Oliveira, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e Gustavo Machado, do Canal Orientação Marxista.

Por que essa extrema direita tem se fortalecido ?

Esse fenômeno surge a partir da crise capitalista mundial de 2008, quando a globalização imperialista entrou em crise e revelou seus efeitos sociais devastadores, gerando um enorme ressentimento social . Na América Latina, a ascensão da extrema direita seguiu o desencanto da primeira onda de governos ditos progressistas (como Kirchner, Lula/Dilma, Boric, etc.). A decepção também se deu com governos de partidos que se afirmavam como “anticapitalistas”. Na Grécia, por exemplo, onde o partido Syriza, que se construiu questionando a Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), chegou ao governo central em 2015 com Alexis Tsipras, e acabou por aplicar os planos da Troika. Isso provocou uma total decepção nos trabalhadores, num país que viveu a maior crise econômica e quase uma insurreição entre 2012 e 2015.

No calor dessas desilusões, a ultradireita, fortemente apoiada pelas redes sociais convertidas em grandes plataformas de desinformação (fakenews) apresentou-se como a “representante do povo contra as elites e o sistema”.

Aproveitando-se dos desastres cometidos pelos mais recentes governos de colaboração de classe, como os de Xiaomara (Honduras), Boric (Chile), Petro (Colômbia) e outros, a extrema direita está fazendo progressos significativos na América Latina. Ela já tem os governos de Milei, Kast (Chile), Bukele (El Salvador), Asfura (Honduras). E, no Brasil, assistimos ao crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro.

No momento, não estamos testemunhando ainda o desenvolvimento de movimentos fascistas de massa como nas décadas de 1920 e 1930, com base na estruturação de gangues armadas e métodos de guerra civil para destruir todas as organizações e lutas do proletariado. A extrema direita atual, inclusive Trump, neste momento, não é isto. Embora, sim, a extrema direita faça um combate ideológico e busque em vários países mobilizar e organizar movimentos reacionários. Não são meras superestruturas eleitorais, mas seu centro neste momento é disputar as eleições. E desde o Estado buscam estreitar o regime político. Em outras palavras, amputar as liberdades políticas e os direitos democráticos, impor retrocessos substanciais às conquistas dos trabalhadores, das mulheres e LGBTs, reprimir duramente as mobilizações operárias e populares, impor forte controle policial, além de agravar a crise ambiental

Precisar milimetricamente a natureza dos movimentos de direita e mais ainda dos governos (em lugar de chamar indiscriminadamente todo governo autoritário de “fascista”) é crucial para combatê-los. Em qualquer caso, não se derrota o bonapartismo, e menos ainda o fascismo, principalmente por eleições, e nem conformando governos de colaboração com a burguesia. A luta de classes é o pior inimigo das correntes fascistas, pois a força da classe trabalhadora organizada coloca um protagonismo alternativo a quem está desesperado pela crise, e desmascara o caráter de classe da ultradireita. E os interesses da classe trabalhadora entram em choque com os capitalistas também das frentes populares ou frentes amplas. O apoio a estas confunde o sentido da luta que deve ser feita.

Num contexto em que a extrema direita incentiva e organiza a violência contra o movimento e, ainda mais promovendo gangues armadas, devemos recuperar a tradição revolucionária e educar a classe trabalhadora e a juventude para que tomem a autodefesa nas suas próprias mãos.

Ou seja, perante os ataques da extrema direita, nossa principal tática é colocar a classe de conjunto em ação, e a unidade para lutar. Ela pode e deve ser feita entre todos os que defendem as liberdades democráticas, em cima de pontos concretos e específicos. Por exemplo, na convocatória dos atos contra a anistia dos golpistas. Ou caso existam agressões imperialistas contra a soberania de um povo, como acontece na Venezuela e Irã. Já as frentes eleitorais, mesmo que sejam táticas, têm uma relação direta com os programas e as estratégias, pois refletem projetos para a sociedade, definições e alianças.

China é progressiva? Lutar contra as agressões à Venezuela e ao Irã é defender seus regimes ditatoriais?

É um enorme erro a visão “campista” , que divide o mundo em “governos pró-Trump” e “governos progressistas”; o “mau imperialismo americano” versus o “sul global” do qual a China faz parte . Essa visão, que é estalinista ,acaba por vincular o movimento de massas a ditaduras burguesas decadentes como a da Venezuela, Irã e Cuba. Ou a apoiar a agressão russa à Ucrânia.

Desde a emergência da China como nova potência imperialista a partir de sua resposta à grande crise econômica de 2008, temos entrado em um prolongado período de conflito entre estes dois imperialismos . Este antagonismo se tornou um eixo central da política mundial e vem relocalizando o papel dos países e regiões do mundo.

Parte da esquerda defende a China como uma alternativa à dominação imperialista ianque. Querem fazer parecer que os investimentos de Pequim são diferentes dos de outras potências capitalistas e que as relações estabelecidas com a China teriam um outro caráter. Da mesma forma, o acordo com a União Europeia seria um fortalecimento de um suposto polo multilateral. Não existe uma dominação imperialista mais ou menos ruim para um país dominado. Um investimento não é uma doação generosa da China, em prol do desenvolvimento do país, sem contrapartida. É o contrário: uma relação de exploração, com o objetivo de extrair as riquezas produzidas pela classe trabalhadora, como ocorre com qualquer relação imperialista.

A mesma lógica campista não pode se aplicar aos governos da Venezuela , Irã ou Cuba. É necessário construir a maior unidade de ação possível de nossa classe contra o ataque à Venezuela e ao Irã, e um possível ataque a Cuba, mas isto não implica dar qualquer tipo de apoio político aos governos de Rodríguez , Díaz-Canel ou à ditadura assassina dos aiatolás. O governo Maduro, apesar de pró-imperialista, não era um governo fantoche, mas sim um agente dos interesses da burguesia bolivariana corrupta. Trump, ao contrário, quer um governo completamente subserviente aos seus interesses na região, e é por isso que invadiu e sequestrou Maduro. A mesma lógica se aplica ao Irã. Trump quer o controle de todo Oriente Médio por Israel e avançar no domínio do petróleo mundial. Nestes dois países, nossa solidariedade política e material está com o povo que se mobiliza por seus direitos, e nosso objetivo é garantir que se organizem independentemente dos governos e de qualquer interferência de imperialismos estrangeiros, para que possam se apresentar como uma alternativa de classe independente e democrática, capaz de avançar rumo ao verdadeiro socialismo.

Luta unitária antiimperialista e a construção de uma saída independente de classe

Neste momento não há uma reação à altura dos ataques impostos. Mas devem se abrir novos conflitos como já se manifestou nas mobilizações massivas na Bolívia contra o plano do novo governo de direita de transferir o lítio. Nas greves gerais contra Milei. Nas greves e grandes manifestações na Europa em solidariedade à Palestina. Ou na gigantesca mobilização em Minneapolis, contra o ICE e Trump, com uma tentativa de greve geral e a mobilização de 50.000 pessoas em temperaturas de -20°C. Devemos nos apoiar nestes exemplos.

Aqui no Brasil é fundamental não apenas nos enfrentarmos contra os monopólios capitalistas e contra a extrema direita, mas também nos enfrentarmos com a política econômica do governo e do Congresso Nacional. Ou seja, fortalecer um pólo de oposição de esquerda e socialista a Lula, sob pena de que este desgaste do governo seja capitalizado pela extrema direita.

A política para combater a extrema direita não passa por apoiar e se atrelar aos governos nem em priorizar a atuação por dentro e em defesa das instituições do estado burguês. Devemos apostar todas as fichas na organização independente da classe trabalhadora e da juventude, particularmente dos seus setores mais precários, bem como unificar os trabalhadores (nativos e imigrantes, de diferentes cores de pele e orientações sexuais) na luta pelos direitos básicos.

Devemos buscar a mais ampla unidade de ação que possa mobilizar a classe trabalhadora e seus aliados, como os povos indígenas, contra intervenções militares, contra projetos extrativistas ou de superexploração e contra outros ataques à soberania nacional, como o endividamento e os acordos comerciais desiguais, independentemente de qual é o imperialismo que propõe ou impõe.

São estes os principais desafios e é este chamado que fazemos a todos os ativistas que participarão da conferência: a construção de uma jornada de lutas internacional, contra a exploração e opressão capitalistas e em particular as agressões imperialistas.

  • Retomar as ruas, em todo mundo, pela derrota política e militar dos EUA no Irã
  • Todo apoio à “Flotilha Nossa América” de ajuda humanitária a Cuba. Não à ingerência imperialista na Ilha
  • Palestina Livre do Rio ao Mar
  • Apoio à resistência do povo ucraniano contra a invasão russa
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