Lutas

CSP-Conlutas: 20 anos construindo a frente única da classe trabalhadora com independência de classe

Phill Natal and Roberto Aguiar, da redação

17 de abril de 2026
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Foto Arquivo CSP-Conlutas

A construção da frente única da classe trabalhadora é uma das principais elaborações estratégicas do marxismo revolucionário para enfrentar a burguesia e disputar a direção do movimento operário. Como afirmava Lênin, a unidade na luta não significa apagar diferenças políticas, mas, ao contrário, combinar a ação comum dos trabalhadores com a luta aberta contra as direções reformistas. Trata-se de marchar separados no programa, mas golpear juntos contra o inimigo de classe.

Essa formulação foi desenvolvida pela Terceira Internacional e aprofundada por Trotsky ao afirmar que a tarefa central dos revolucionários é conquistar a maioria da classe trabalhadora. Isso só pode ser feito com intervenção nas lutas reais, ao lado dos trabalhadores que ainda seguem direções reformistas, demonstrando, na prática, quais métodos e qual política podem levar à vitória. A frente única, portanto, não é conciliação, mas um método de combate: unidade para lutar, independência para disputar.

Na tradição do trotskismo latino-americano, Nahuel Moreno reforçou esse caráter concreto e ativo da frente única, definindo-a como uma política de chamar as organizações operárias e suas bases a lutar contra a burguesia e seus governos em torno de reivindicações comuns. Para Moreno, a frente única é também uma ferramenta para superar dois desvios igualmente nocivos: o oportunismo, que capitula às direções reformistas, e o sectarismo, que se isola das massas e abandona a disputa real pela direção da classe.

Essa concepção mantém plena atualidade. Em um cenário marcado pela ofensiva da ultradireita, pela fragmentação das lutas e pela adaptação das direções tradicionais ao Estado e aos governos, o maior obstáculo hoje não é a falta de disposição de luta da classe, mas a ausência de uma verdadeira política de frente única, que unifique os trabalhadores na ação e, ao mesmo tempo, confronte as direções que os levam à derrota.

Unidade e independência de classe

É nesse terreno que se afirma a importância da CSP-Conlutas, que realiza seu VI Congresso Nacional. Ao longo de seus vinte anos, a central se consolidou como um instrumento de unificação das lutas e de organização desde a base, reunindo trabalhadores da cidade e do campo, juventude e movimentos populares e de combate às opressões.

Mais que organizar reivindicações imediatas, cumpre um papel central na disputa da consciência da classe ao relacionar os problemas concretos com as contradições do capitalismo e apontar para a necessidade de sua superação.

Em um contexto marcado pela ultradireita e pela política de conciliação de classes, a existência de uma central independente é decisiva. Diferentemente de CUT, Força Sindical, UGT e CTB, hoje adaptadas ao Estado e aos governos, a CSP-Conlutas sustenta a unidade na luta sem subordinação política, apoiada na mobilização direta e na organização pela base.

Congresso segue até domingo, dia 10, no Clube Guapira, em São Paulo | Foto: Romerito Pontes/Divulgação

Organização, princípios e estratégia socialista

Desde sua origem, em 2006, a partir da ruptura com a CUT, a CSP-Conlutas se constrói com base na independência de classe e na perspectiva socialista. Seu funcionamento expressa essa estratégia: democracia operária, participação das entidades de base, direção com mandatos revogáveis e combate à burocratização. Seus princípios centrais são a independência frente a governos e patrões, a unidade de ação, a mobilização direta e o internacionalismo.

Fortalecer a CSP-Conlutas para fazer avançar a frente única

Ao completar duas décadas, a CSP-Conlutas reafirma seu papel como ferramenta de luta e de construção da frente única da classe trabalhadora. Sua atuação nas lutas contra a precarização, as opressões e em defesa dos direitos demonstra seu compromisso com as batalhas reais da classe.
Diante das crises e disputas em curso, seu VI Congresso é um espaço para fortalecer essa construção e fazer avançar a organização independente dos trabalhadores.

Mais que nunca, é necessário fortalecer a CSP-Conlutas como instrumento de unidade na luta e independência de classe. O PSTU é parte desse processo desde o início, tendo sido força ativa na ruptura com a CUT e na construção da central. Segue, até hoje, empenhado em seu fortalecimento como ferramenta de organização e luta.

Fortalecer a CSP-Conlutas é fortalecer a luta da classe trabalhadora e avançar a construção de uma sociedade socialista, sem exploração nem opressão.

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