Cúpula dos Povos reuniu milhares de ativistas na UFPA
Direção governista, porém, transformou evento em apenas um espaço de debates sem enfrentamento direto com a COP 30
Roberto Aguiar, direto de Belém (PA)
Com o objetivo de dar voz aos que não foram ouvidos pelo evento oficial da ONU, a Cúpula dos Povos, realizada de 12 a 16 de novembro na Universidade Federal do Pará, reuniu diariamente 20 mil pessoas em Belém. O espaço garantiu a participação dos povos diretamente afetados pela catástrofe climática. O PSTU participou ativamente organizando mesas de debates e apresentando medidas alternativas radicalmente transformadoras, anticapitalistas, conectadas à luta por uma sociedade socialista.
Durante todo o evento, a militância do PSTU fez uso do encarte especial do Opinião Socialista (leia aqui), com a avaliação do partido sobre a COP 30 e suas propostas frente à crise ambiental e climática, expressões direta de um sistema que vive da exploração e da desigualdade: o sistema capitalista.
Espaço de contraposição ou apêndice do espaço oficial?
Mais de 1.100 organizações assinavam a carta política de convocação e organização da Cúpula dos Povos. Avaliamos que é um espaço muito importante, pois o combate às mudanças climáticas requer escuta e protagonismo dos povos. Contudo, apesar da massiva participação popular, o espaço perdeu a oportunidade de aparecer para a sociedade como um contraponto radical à COP 30. Isso aconteceu porque a maioria das entidades organizadoras tem ligação com o governo Lula.
O que deveria ser um espaço de enfrentamento, de embate com o evento oficial, prevaleceu a busca de apresentar medidas que não se enfrentasse com o governo Lula e nem com o evento oficial da ONU. A ação final da Cúpula dos Povos se resumiu a entregar uma carta à presidência da COP 30.
Ver essa foto no Instagram
Vozes dissonantes
Mas houve organizações que buscaram fazer com que a Cúpula dos Povos cumprisse seu papel de contraponto à COP 30. O PSTU e a CSP-Conlutas foram parte desse time, organizando e apoiando atividades que debateram profundamente a catástrofe ambiental, a realidade dos povos das florestas (seringueiros, indígenas, quilombolas e ribeirinhos) e do campo. Apontaram medidas concretas e o caminho da luta a ser travada, de forma autônoma e independente dos governos e do grande capital.
Diversos povos indígenas, que hoje se mantém independente das organizações governistas, deram o tom radical da luta com protestos de ruas e com ocupação direta dos espaços oficiais da COP 30, passando por cima de todo o esquema de segurança montado. O povo Munduruku fechou a entrada da Blue Zone, impedindo a entradas dos representantes dos países para as reuniões de negociações da COP 30.
As duas ações radicais, protagonizadas pelos povos indígenas, que ganharam repercussão na imprensa mundial, se deram por fora da Cúpula dos Povos, já que maioria das organizações governistas não queriam nenhum enfrentamento direto. Mas querer não é poder. Tiveram vozes dissonantes que apontaram o caminho da luta, da mobilização, da ação direta, da autonomia e independência frente aos governos. O PSTU foi uma dessas vozes.
Ver essa foto no Instagram
Do rio ao mar
A resistência palestina ecoou na Amazônia
O apoio à resistência do povo palestino se fez presente em Belém. Já na barqueta, que abriu oficialmente a Cúpula dos Povos, as bandeiras da Palestina tremularam em vários barcos que ocuparam às águas do rio Guamá e da Baía do Guajará. O PSTU esteve presente no barco da Coalizão Palestina.
A jornalista palestino-brasileira, Soraya Misleh, militante do PSTU e da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), esteve presente na capital paraense, participou de mesas de debates, painéis e do festival cultural dedicado ao tema da Palestina.
A luta do povo palestino também teve destaque na Marcha Global pelo clima. E, também chegou aos espaços oficiais de debates da COP 30. Apesar de Israel não ter enviado delegação ao evento climático da ONU, um representante desse país foi expulso sob os gritos de “Palestina livre”, emitidos por delegações latino-americanas, organizações indígenas e ativistas sociais.
“Não há justiça climática sem a libertação da Palestina. Estamos diante de um verdadeiro holocausto palestino realizado pelo Estado terrorista de Israel. Mata o povo palestino, rouba a nossas terras e destrói o meio ambiente. Não existe justiça com climática com apartheid e limpeza ética. Palestina livre do rio ao mar, já”, disse Soraya Misleh em seu discurso na Marcha Global pelo Clima.

Líder seringueiro Osmarino Amâncio apresenta o encarte especial do Opinião Socialista na Cúpula dos Povos
Contraponto
O PSTU e a LIT-QI defenderam um programa socialista e revolucionário frente ao desastre ambiental
O PSTU e a LIT-QI participaram da Cúpula dos Povos organizando mesas e painéis de debates próprios, paralelo à programação do evento, e apoiando também as atividades convocadas pela CSP-Conlutas.
A presença do partido se deu expressando nossa intervenção diárias junto aos povos indígenas, quilombolas, trabalhadores rurais, ribeirinhos e ribeirinhos, combinado nosso trabalho político operário, a exemplo dos trabalhadores da construção civil de Belém, que protagonizaram uma forte greve no mês setembro que paralisou todas as obras, incluindo as da COP 30.
Figuras públicas do partido que estão na linha de frente das lutas dos povos da Amazônia, alguns sofrendo perseguição e ameaças de morte, estiveram presentes: líder seringueiro Osmarino Amâncio, do Acre; a indígena Raquel Tremembé, do Maranhão; liderança camponesa, Erasmo Alves Teófilo, ameaçado de morte por grileiros na cidade de Anapú (PA). Eles cumpriram o papel, junto com outros militantes, de porta-vozes de nosso programa e compartilharam espaços com outras lideranças com grande expressão no movimento, a exemplo do indígena yanomami Davi Kopenawa.

Faixa do PSTU e da LIT-QI na Marcha Global pelo Clima, em Belém (PA) | Foto: Kleyton Silva
Partido
Atividade de apresentação do PSTU reuniu dezenas de ativistas
No último dia da Cúpula dos Povos, na sede campestre do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém, foi realizada uma atividade de apresentação do PSTU aos ativistas que vieram de diversas regiões da Amazônia e de outros estados brasileiros.
“Estivemos cinco dias juntos, atuando unitariamente, na defesa do meio ambiente, dos povos originários, das florestas, dos trabalhadores do campo e da cidade. Para nós do PSTU, para sermos vitoriosos por completo, essa luta tem que ser travada na perspectiva da tomada do poder pela classe trabalhadora, isto é, na perspectiva da superação do sistema capitalista, responsável pela catástrofe climática e social que vivemos hoje”, destacou Vera Lúcia, da direção nacional do PSTU.
Durante a plenária, ativistas de diversos setores da classe trabalhadora deram depoimentos sobre o papel do PSTU nas suas lutas e a importância do partido na combinação das batalhas diárias com a estratégia do socialismo.
A atividade foi seguida de apresentações culturais com grupos de rap e de carimbó para festejar a vitoriosa intervenção do partido na Cúpula dos Povos e avanço do trabalho político junto aos indígenas, quilombolas, ribeiros e seringueiros. É o partido revolucionário junto aos povos da floresta amazônica.
Ver essa foto no Instagram
Mobilização
Marcha Global pelo Clima reuniu 70 mil pessoas nas ruas de Belém
Um mar de gente tomou as ruas de Belém no penúltimo dia da Cúpula dos Povos na Marcha Global pelo Clima. Foi bonito ver uma multidão levantando diversas pautas de lutas conectadas à defesa do meio ambiente.
A manifestação demonstrou a força dos movimentos sociais e poderia ser um grande momento de enfrentamento contra os governos e os grandes capitalistas. Mas a direção burocrática da Cúpula dos Povos conduziu a marcha com a política de ‘paz e amor, sem ação de enfrentamento direto e com a presença de ministros do governo Lula discursando no carro de som. A ampla maioria das falas nos carros de sons oficiais era de apoio ao governo e em modo campanha eleitoral antecipada.
Independência de classe
Aqui, mais uma vez, o PSTU deu um tom diferente. O partido integrou o bloco classista e independente organizado pela CSP-Conlutas e diversas outras entidades políticas, sindicais e movimentos sociais.
O bloco saiu em caminhada do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém até o Mercado de São Brás. Lá, com faixas e cartazes que denunciavam a catástrofe ambiental e todos os governos, incluindo o governo Lula, entrou na marcha principal, mantendo a coesão da coluna, de forma independente, com carro de só próprio.
Com uma faixa gigante, o PSTU denunciou a catástrofe ambiental capitalismo e questionou o presidente Lula pela autorização da exploração de petróleo na foz do rio Amazonas.
Ver essa foto no Instagram
Em tempo real
Opinião Socialista realizou uma grande cobertura especial
O Opinião Socialista esteve presente na Cúpula dos Povos em Belém. Realizamos uma grande cobertura especial em tempo real em nosso site e nas redes sociais.
Foram mais de 80 postagens específicas sobre a Cúpula dos Povos e a COP 30, obtendo dezenas de milhares de curtidas e mais 1,5 milhão de visualizações.
Clique aqui e veja como foi a nossa cobertura.
Leia também!
Indígenas lançam campanha ‘Revoga Lula’ contra decreto que privatiza rios amazônicos