É hora de romper as engrenagens do sistema capitalista! Enfrentar os bilionários, Paraná para quem trabalha!

Samuel Mattos, de Curitiba (PR)
É hora de romper as engrenagens do sistema capitalista! Enfrentar os bilionários, Paraná para quem trabalha!
Foto @pstucuritiba

O governo gasta milhões com publicidade para vender a ilusão de um estado moderno, próspero e sem problemas. No entanto, a realidade do Paraná é marcada por uma profunda desigualdade social. A verdade é que a classe trabalhadora não conhece o estado apresentado pelo governo nas propagandas. O Paraná que a nossa classe conhece de fato é aquele em que perdemos horas sufocantes no transporte público para ir e voltar do emprego; é o estado dos postos de trabalho precários e dos salários miseráveis; é o cenário de desmonte e sucateamento dos serviços públicos. O trabalhador paranaense é quem passa horas em filas intermináveis quando precisa de atendimento médico básico e espera meses por uma consulta com especialista ou por uma cirurgia de emergência, tudo isso enquanto assiste ao custo de vida disparar. A classe trabalhadora rala a vida inteira apenas para obter o básico para sobreviver e continuar produzindo a riqueza alheia.

Neste sentido, basta olhar para os dados brutos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a renda per capita domiciliar real com a qual o povo paranaense tenta sobreviver é de apenas R$ 2.762,00. Em contrapartida, se observarmos a soma de tudo o que é produzido no estado — o Produto Interno Bruto (PIB) — a renda per capita teórica deveria ser de R$ 64.300,00. Portanto, aqui fica explícita a grande contradição central deste sistema: tudo é produzido de forma amplamente social e coletiva, porém a maior parte da riqueza fica concentrada nas mãos de poucos.

Observa-se também que o PIB do Paraná cresceu impressionantes 22% acima da média nacional em 2025, sustentando a quarta posição no ranking das maiores economias estaduais e respondendo por mais de 6% de toda a economia brasileira. No entanto, esse crescimento histórico se refletiu em melhores condições de vida para a população neste mesmo percentual? O estado bateu recordes na produção de frangos, suínos, peixes, leite e ovos. Mas ir ao supermercado ficou mais barato? Não! E por que isso acontece? O crescimento do PIB, ou seja, o aumento de tudo que é produzido no estado, não beneficia o conjunto da população, mas sim os grandes proprietários dos meios de produção.

Sob essa perspectiva, é possível analisar o quanto é irracional o funcionamento da sociedade capitalista.Vejabem: aumenta a quantidade de coisas necessárias para a nossa sobrevivência, mas a vida fica mais difícil e cara a cada dia. Isso faz sentido? Além de não fazer sentido, é um sistema que coloca em risco as condições para a continuidade da existência humana no planeta por meio de uma destruição ambiental desenfreada em nome do lucro imediato.

O Paraná ostenta o amargo posto de segundo estado com o maior custo de vida do país, sendo R$ 780,00 mais caro para se viver do que a média nacional. Os gastos com o supermercado lideram o topo, abocanhando 31% do orçamento familiar. As contas de consumo básico — como água, luz e internet — ocupam o segundo lugar com 23%, seguidas em terceiro pelas despesas com moradia, que consomem 20%. Juntos, esses três itens levam mais de 70% da renda mensal do trabalhador. Nota-se que a maior parte da renda do trabalhador serve unicamente para se manter vivo e poder retornar ao posto de trabalho no dia seguinte.

A propaganda oficial do governo não resiste a um segundo de choque com a realidade. De acordo com o IBGE, 31% dos paranaenses ocupados recebem até um salário mínimo. Já a faixa entre um e dois salários mínimos concentra aproximadamente 38% da população. Torna-se evidente que a maioria da população trabalhadora do Paraná, ou seja, 69% da população ocupada, vive com uma renda de até R$ 3.000,00 mensais. E aí perguntamos: como se vive dignamente com uma renda destas? Além disso, cabe destacar a extrema precariedade enfrentada pela juventude, que se encontra nos piores postos de trabalho — os empregos mais degradantes — gerando um adoecimento em massa da nossa juventude.

Governos: os balcões de negócios dos super-ricos

Convém destacar que esse sistema desigual funciona através das instituições que se materializam na vida real dos trabalhadores. A burguesia precisa criar uma série de instituições que pairam sobre nossas cabeças para dar uma aparência natural a toda essa exploração e opressão do capitalismo. Em termos práticos, a justiça, o Congresso e os governos cumprem este papel. Os super-ricos não governam diretamente, mas sim através destas instituições, exercendo a influência garantida pelo seu poder econômico. O escândalo do Banco Master é apenas o exemplo mais recente.

Neste contexto, os governos operam por meio de leis, projetos e financiamento a estes setores. Para se ter uma ideia, o governo Lula deu aos grandes empresários mais de R$ 500 bilhões em renúncias fiscais. O último Plano Safra, para beneficiar o agronegócio que destrói o meio ambiente de forma desenfreada, foi de R$516,2 bilhões. É por esses elementos que dizemos que o governo Lula e o PT não governam para os trabalhadores, e nos colocamos na oposição de esquerda ao governo.

Muitos trabalhadores, diante do crescimento da extrema-direita e do bolsonarismo, acham que é preciso apoiar e defender o governo, ou apoiar em parte e criticar o que está errado, neste caso como se o governo estivesse em disputa. Bom, isso, a nosso ver, é um erro: primeiro porque o governo não está em disputa; e, em segundo lugar, porque isso se torna um bloqueio para construir uma real alternativa para os trabalhadores.

É verdade que Lula e Bolsonaro não são a mesma coisa, mas são dois projetos burgueses para administrar a barbárie capitalista. O bolsonarismo e a ultradireita, como o MBL, têm um projeto de arrochar ainda mais os trabalhadores, sem nenhuma maquiagem. Para isso, inclusive, têm o projeto de acabar com os poucos direitos democráticos que temos hoje. Diferente do PT, que tenta fazer isso de forma mais moderada, buscando convencer os trabalhadores de que isso é o necessário.

O governo do Paraná segue o mesmo roteiro; é mais um balcão de negócios. Sob o comando de Ratinho Júnior, no triênio recente, o governo estadual deixou de arrecadar cerca de R$59,6 bilhões em função dessas desonerações. Esse valor corresponde a praticamente 76% do orçamento do Paraná em 2025, ou seja, daria para quase duplicar o investimento em todas as áreas sociais. Já pensou nisso?

Ratinho Júnior privatizou a Copel, uma das principais empresas de energia do país — e, diga-se de passagem, o escândalo do Banco Master tem assombrado o governador nesta venda. Denúncias apontam que o Banco Master pode ter sido um dos financiadores desta compra. Agora, o governo quer privatizar a Celepar, empresa de tecnologia que controla os dados do povo paranaense, em um momento em que os dados das pessoas viraram uma verdadeira mina de ouro neste mundo cada vez mais tecnológico. Ratinho faz tudo isso para agradar os super-ricos. Os governos podem nos dar apenas as migalhas e garantir o mínimo de serviço público para formar mão de obra que atenda aos interesses do mercado.

Romper as engrenagens do sistema capitalista!

Precisamos de um projeto que vá direto à raiz do problema. Não é possível administrar a barbárie. Estamos diante de grandes avanços tecnológicos que deveriam resultar em melhor qualidade de vida, redução da jornada de trabalho e fim dos empregos penosos e insalubres; no entanto, sob o capitalismo, a tecnologia torna-se instrumento de arrocho salarial, aumento do ritmo de trabalho e desemprego.

Quem trabalha na produção sabe bem: quando chega uma máquina nova ou ocorre uma reformulação do processo produtivo, lá vem a demissão ou o aumento do ritmo de trabalho. E isso, de certo modo, é imposto pelo próprio trabalho do trabalhador. Afinal, são eles que produzem a riqueza que permite ao patrão investir nesses processos. Esta é a grande contradição desse sistema: toda possibilidade de avançar vem acompanhada de uma contradição que se materializa em precarização na vida do trabalhador.

Vivemos em uma sociedade com uma contradição de interesses antagônicos. Por um lado, os patrões querem aumentar seus lucros, o que os leva a baratear ao máximo a produção. A força de trabalho faz parte deste cálculo: quanto menos o patrão gasta com a força de trabalho, maior será seu lucro — ou, muitas vezes, rebaixar salários torna-se apenas uma necessidade básica para não sucumbir à concorrência. Por outro lado, temos os trabalhadores, que buscam melhorar sua condição de vida e, para isso, precisam aumentar seus ganhos, lutando por melhores salários e condições de trabalho. Portanto, não é possível uma conciliação ou um meio-termo.

E tudo isso acontece de forma completamente desorganizada, ou, como eles dizem, controlada pelo deus “mercado”. Porém, o deus mercado pesa sua mão muito mais forte nos pequenos negócios, que são frágeis diante dos grandes empresários. Para se ter uma ideia, em 2025 foram abertas mais de 300 mil novas empresas no Paraná; no entanto, mais da metade deste número fechou as portas: exatamente 175.370 empresas. E, deste universo de falências, sua ampla maioria é composta por pequenas e microempresas, sendo 73,8% de MEIs e 24,4% de micro e pequenas empresas. Esta fotografia social mostra que não existe espaço para todos nesta sociedade; essa história de que "basta querer para vencer" é pura e perversa ilusão.

Dados do Sebrae e da FGV mostram que 30% do faturamento do que é produzido no estado vem das pequenas e microempresas, que representam 98% das empresas do Paraná. Portanto, facilmente chegamos à conclusão de que apenas 2% das empresas do estado concentram em suas mãos 70% de tudo que é produzido no território paranaense. Essas são as gigantes que concentram, de fato, o grosso da economia e que, inclusive, empregam proporcionalmente poucos trabalhadores.

E quando falamos em expropriar os grandes meios de produção para colocá-los a serviço de melhorar a vida do conjunto da população, estamos falando especificamente desses 2% de CNPJs. Pois estes não são regidos pelo deus mercado; eles são o próprio deus todo-poderoso que determina tudo.

Para se ter uma ideia, no último ano apenas cinco empresas — Copel, Klabin, Coamo, Sanepar e Rumo — tiveram um lucro líquido espetacular de R$ 12,78 bilhões. A Copel, empresa privatizada por Ratinho Júnior, por exemplo, teve lucro de R$ 2,6 bilhões em 2025. Agora pense: se a Copel estivesse nas mãos dos trabalhadores, poderíamos, em primeiro lugar, ter uma fatura de energia muito mais em conta e, em segundo lugar, investir para resolver todos os problemas na rede elétrica, deixando-a mais estável, além de investir de verdade em fontes de energias renováveis. No entanto, quem embolsa toda essa grana são os acionistas, inclusive, em boa parte, fundos estrangeiros.

As cinquenta maiores empresas do estado tiveram aproximadamente R$ 25 bilhões de lucro em 2025. São grandes conglomerados que monopolizam os setores estratégicos do Paraná: no Agronegócio, o topo da pirâmide é liderado pela Coamo (maior cooperativa da América Latina), acompanhada por gigantes da proteína animal e grãos como Lar, C.Vale, Copacol e Cocamar; nos Campos Gerais, a Klabin (papel e celulose); na Indústria de Base e Automotiva, a centralização do capital se materializa em multinacionais instaladas no eixo Curitiba-RMC, como Renault, Volvo, Electrolux e Bosch; no setor de Energia, Combustíveis e Infraestrutura, destacam-se a recém-privatizada Copel, a Sanepar, a Rumo S/A (logística ferroviária) e a REPAR (Refinaria da Petrobras); por fim, o Grande Varejo e Consumo é dominado por redes que concentram a distribuição e o comércio, como o Grupo Muffato, a Rede Condor e o Grupo Boticário (Cálamo Distribuidora).

Já o orçamento/receita previsto para todo o Estado do Paraná em 2026 é de R$ 81,6 bilhões. Ao analisar esse cenário, você verá que o lucro desse punhado de empresas equivale a quase 30% de todo o orçamento público que o estado possui para manter a saúde, segurança, infraestrutura e educação de mais de 11 milhões de habitantes. Destacando mais uma vez: quem produz toda essa riqueza são os trabalhadores, ou seja, é mais do que justo colocar toda esta riqueza para melhorar a vida do conjunto da população.

Sob este ponto de vista, não é possível resolver nossos problemas mais básicos sem um projeto que enfrente estes 2%. Precisamos expropriar essas empresas e colocá-las sob o controle dos trabalhadores. Planificar a produção, ou seja, organizá-la de forma disciplinada para melhorar a nossa vida e não para enriquecer ainda mais um punhado de bilionários. Reestatizar todas as empresas privatizadas, a começar pela Copel e pela Sanepar, sem nenhuma indenização aos especuladores. Por fim, colocar abaixo toda essa estrutura social podre que só gera desigualdade, violência, opressão e exploração.

Poder para os trabalhadores! Construir conselhos populares!

Esta não vai ser uma tarefa fácil e muito menos realizada de forma individual. O que estamos propondo aqui é revolucionar esta sociedade, e isso só será possível implementar de forma coletiva e ativa no cotidiano.

Precisamos organizar os trabalhadores por local de trabalho e de moradia para discutir e decidir sobre tudo que será feito. Queremos que cada obra do bairro seja discutida pelos moradores, garantindo o direito de acompanhar sua execução e o acesso livre à prestação de contas de cada grão de areia. Por exemplo, podemos determinar que a cada 15 dias tudo ficará, na parte da manhã, fechado para que a população faça assembleia e discuta os problemas do bairro, assim como a forma pela qual cada um deles será resolvido. E os materiais necessários para solucionar cada um dos problemas serão solicitados diretamente ao ramo de produção correspondente.

Para garantir a implementação da resolução dos problemas, elegeremos conselhos executivos com mandatos revogáveis e salário rigorosamente igual ao de uma professora da rede pública. Nenhuma regalia para os eleitos: os representantes do povo não podem melhorar de vida se o conjunto da população não melhora a sua. Ou seja, estes deverão prestar contas constantemente e, caso pisem na bola, serão substituídos de forma imediata e sancionados diretamente pelas assembleias populares de bairro.

Em continuidade, as assembleias de bairros devem eleger representantes para os órgãos regionais, municipais, estaduais e nacionais, devendo todos seguir os mesmos critérios: mandatos revogáveis e salário de uma professora. Queremos o povo discutindo tudo de forma ativa e contínua. Esta é a única forma de a classe trabalhadora garantir uma vida digna e desfrutar de tudo que é produzido por nós mesmos.

É com este projeto que nós, do PSTU, vamos apresentar uma alternativa para a classe trabalhadora do estado e do país. Uma alternativa que aponta de forma certeira as contradições desta sociedade e constrói um caminho coletivo por todos aqueles que produzem riqueza e fazem este mundo funcionar. Já passou da hora de tomarmos em nossas mãos os rumos da nossa própria sociedade.

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