Editorial

É preciso enfrentar os gangsteres que comandam o sistema capitalista

Redação

6 de março de 2026
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O banqueiro Daniel Vorcaro Foto Reprodução

Enquanto fechávamos esta edição, o banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista do escândalo do Banco Master, voltava à prisão. As primeiras revelações expunham detalhes sórdidos da atuação de um grupo mafioso que destinava R$ 1 milhão só para ameaçar e coagir jornalistas e empregados, além de financiar órgãos de imprensa simpáticos ao banqueiro.

Vorcaro é a estrela da maior fraude bancária da história do país, que ultrapassa R$ 40 bilhões em prejuízo. As novas revelações apontam a atuação de uma verdadeira milícia que, entre outras coisas, planejava “moer os dentes” de um jornalista que cobria seus crimes.

Extrema direita, centrão, governo e Justiça envolvidos

Vai faltar Rivotril em Brasília nos próximos dias. O que vai sair do celular de Vorcaro pode não deixar pedra sobre pedra. Da mensagem que o banqueiro mandou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), momentos antes de ser preso, perguntando àquele se “conseguiu bloquear”?, ao suicídio suspeito de seu comparsa também preso, Luiz Mourão (com o sugestivo apelido de Sicário), percebe-se que o banqueiro está metido com peixes grandes.

Foi revelado que Vorcaro comprou altos funcionários do Banco Central para que seu banco pudesse entrar no negócio de créditos consignados a aposentados durante o governo Bolsonaro, num esquema que cresceria com as fraudes no INSS. Foram revelados detalhes de sua aproximação com o presidente do PP, Ciro Nogueira, que tentou emplacar um projeto de lei para beneficiar o Banco Master. Uma das mensagens chama o senador de “amigo da vida”. Poucas semanas atrás, ficamos sabendo que o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) pegou um jatinho emprestado nas eleições de 2022.

Não para por aí. Já sabíamos que o cunhado de Vorcaro, o empresário e pastor Fabiano Zettel, abasteceu os cofres da campanha de Tarcísio de Freitas e Bolsonaro. Mas os tentáculos do banqueiro se alastram para todos os lados. O chefe da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) eram próximos de Vorcaro. Chegaram a articular uma reunião fora da agenda entre o banqueiro e Lula. A novidade agora é uma lista de pagamentos a parlamentares, cujos nomes ainda não foram divulgados, mas é certo que é bem democrática, abarcando todos os setores políticos do Congresso Nacional.

Escândalo desnuda o sistema

Para além de um escândalo a mais, a prisão de Vorcaro abre o que talvez seja a maior crise política dos últimos anos. O esquema revela sobretudo a promiscuidade de todos os poderes com o sistema financeiro. Se um banco considerado pequeno como o Master mantém esses figurões na mão, o que um banco grande não faz?

O que fazem à luz do dia, já sabemos: beneficiam-se com uma das mais altas taxas de juros do mundo e com uma política econômica de austeridade e arcabouço fiscal imposta pelo governo Lula e apoiada pela extrema direita e o centrão. A diferença fica por conta da dose: a extrema direita sonha em impor aqui o que Milei está fazendo na Argentina. Arrasar os direitos trabalhistas e impor jornada de 12 horas aos trabalhadores. O PT banca a política de arcabouço que desvia recursos de áreas como saúde, educação e salário mínimo e, no discurso, defende o fim da escala 6×1. Mas só até o ponto que não prejudique os empresários.

O governo Lula também avança as privatizações e a entrega do país, seja para o imperialismo estadunidense, que arrasa o Irã neste momento, seja para o imperialismo chinês, via acordos, ou para o decadente imperialismo europeu, pelo acordo Mercosul-União Europeia. Quem pagar mais leva. A extrema direita, por sua vez, que elogiou o tarifaço de Trump, só falta pedir a ele que bombardeie também o Brasil.

Papel da esquerda do sistema

A crise política aberta com a nova prisão de Vorcaro se soma a um descontentamento crescente com as condições de vida da classe trabalhadora e da maioria da população. O povo trabalha cada dia mais, recebe menos e percebe a inflação no supermercado. Por isso os números supostamente alvissareiros divulgados pelo governo não se refletem na popularidade do governo Lula. Ao contrário, municiam a extrema direita a ponto de o insosso Flávio Bolsonaro empatar nas pesquisas com Lula no segundo turno.

Diante disso, a esquerda do sistema, como o PSOL, embrenha-se numa ferrenha disputa interna para decidir se entra ou não numa federação com o PT. A realidade, porém, é que, se muitos companheiros do PSOL se dizem contra a federação com o PT, este partido se mantém apoiando e permanece dentro do governo Lula, reforçando a lógica de sustentação ao governo e, por consequência, seu projeto, o que levou à proposta de federação. O ministro Boulos mostra isso de forma irrefutável, como na atuação junto aos indígenas, mentindo aos povos originários para privatizar os rios Tapajós e Tocantins.

A heroica luta dos povos originários, porém, derrotou o governo e sua tentativa de privatizar os rios e mostrou a necessidade do enfrentamento à sua política e projeto de país, que só interessa ao agronegócio, aos banqueiros e aos diferentes imperialismos.
O mesmo pode ser dito em relação à luta contra a escala 6×1. Sem uma mobilização forte e independente da classe trabalhadora, a jornada fica como está ou piora ainda mais.

É preciso uma alternativa realmente antissistema

A esquerda do sistema joga com a chantagem da volta da extrema direita para seguir sustentando o governo. Com isso, apoia um governo que rifa os direitos dos trabalhadores, entrega o país, não enfrenta os empresários e não garante as reivindicações dos trabalhadores. Com isso, acaba dando corda para a própria extrema direita, que se vende como antissistema mesmo sendo sua parte mais podre.

Os trabalhadores não podem continuar reféns de alternativas que se propõem a gerenciar um capitalismo cada vez mais em crise e decadente. É preciso construir e fortalecer um projeto de classe, realmente antissistema, revolucionário e socialista, que apresente um programa concreto para os problemas da classe trabalhadora e dos setores mais oprimidos e marginalizados. Esse projeto só é viável se desmontarmos as engrenagens do sistema capitalista, atacando a grande propriedade e os capitalistas.

Para isso o PSTU está lançando um manifesto apresentando a pré-candidatura de Hertz Dias à presidência. Convidamos todos a conhecer e construir esse projeto.

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