“É preciso romper o bloqueio na prática: petróleo brasileiro para Cuba já!”
O Opinião Socialista conversou com Eduardo Henrique, diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), da Federação Internacional dos Trabalhadores de Energia e Hidrocarbonetos da América Latina e do Caribe (Fitehlyc), da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e militante do PSTU. Ele explica por que o que acontece hoje em Cuba é um crime do imperialismo estadunidense e qual deve ser a resposta da classe trabalhadora no Brasil.
OS – O que está acontecendo hoje em Cuba?
O que está acontecendo é um crime do imperialismo estadunidense. O bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos, intensificado com as medidas de Trump, é um ataque direto às condições de vida de um povo inteiro. Não é sanção, não é pressão diplomática: é guerra econômica contra um país pobre com o objetivo de dobrar um povo pela fome, pelo apagão e pelo desespero.
A crise energética chegou ao ponto em que a iluminação em grandes cidades de Cuba caiu em até 50%. Isso significa hospitais funcionando no limite, cirurgias canceladas, escolas às escuras, filas enormes por falta de combustível. A geração de energia, que já sofria com infraestrutura obsoleta, entrou em colapso com a redução drástica do envio de petróleo. Isso é resultado direto do bloqueio e do corte de fornecimento, planejado e aplicado por Trump.
Qual o papel dos trabalhadores brasileiros, em especial dos petroleiros, diante disso?
Nós, trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, e em especial a categoria petroleira, não podemos assistir de braços cruzados. O petróleo que produzimos aqui é riqueza social, é fruto do nosso trabalho, pode e deve ser instrumento de solidariedade internacional com um povo que está sendo atacado pelo imperialismo.
Por isso foi tão importante a iniciativa da FNP, do Sindipetro-RJ e outras organizações políticas de convocar um ato em defesa do envio de petróleo brasileiro, através da Petrobras, para Cuba. Exigimos isso do governo Lula e da direção da empresa. Não basta fazer discurso contra o bloqueio em reunião diplomática; é preciso romper na prática com essa política criminosa. O envio de petróleo brasileiro para Cuba é uma medida concreta de solidariedade internacional, uma resposta direta ao bloqueio dos Estados Unidos. A produção de uma semana da Petrobras é suficiente para suprir a necessidade de Cuba por um ano.

Alguns setores da esquerda defendem o governo cubano de forma acrítica. Como se posicionar diante do regime de Díaz-Canel?
Nossa posição, como PSTU e como parte da LIT-QI, é categórica: nossa solidariedade é com o povo cubano, com a classe trabalhadora, e não com o governo burocrático e capitalista de Díaz-Canel. Enquanto o imperialismo estrangula Cuba de fora, por dentro o governo mantém salários miseráveis, repressão contra manifestantes, presos políticos e segue investindo milhões em hotéis de luxo enquanto falta comida, luz e remédios para o povo.
Nós não aceitamos a chantagem de que, para combater o imperialismo, temos que fechar os olhos para a burocracia. O regime atual em Cuba não representa o socialismo, mas uma casta que governa acima e contra os trabalhadores. Socialismo de verdade é poder dos trabalhadores, com democracia operária, liberdade de organização e decisão desde a base, e isso hoje não existe em Cuba.
Então a luta é contra o imperialismo e também contra o regime cubano? Como combinar essas duas coisas?
Exatamente. Nossa tarefa é dupla. De um lado, denunciar com toda força o bloqueio dos EUA, exigir seu fim imediato e organizar a solidariedade ativa, material, da classe trabalhadora de todo o mundo com o povo cubano. Enfrentar o projeto de Trump de transformar a América Latina no quintal dos EUA. Quando um país imperialista ataca um país dominado, devemos em primeiro lugar sair em defesa do país atacado pelo imperialismo, como é o caso agora.
De outro, não dar nenhum apoio político ao regime de Díaz-Canel e defender o direito dos trabalhadores cubanos de se organizarem de forma independente, de lutarem contra a burocracia e de construírem um verdadeiro poder operário. Nós dizemos: abaixo o bloqueio imperialista de Trump! Abaixo também a repressão burocrática contra o povo! A alternativa é o protagonismo da classe trabalhadora, retomando as conquistas da revolução e avançando para um socialismo com democracia operária.