Extrema direita invade a USP, agride estudantes e deve ser enfrentada
Cassação dos vereadores Pavanato e Campopiano, já!
Coletivo Rebeldia-SP e PSTU-SP
Esta semana, a extrema direita protagonizou mais um episódio de provocação e violência dentro da Universidade de São Paulo (USP). O vereador bolsonarista de São Paulo, Lucas Pavanato, e a vereadora de Praia Grande, Eduarda Campopiano, foram ao campus acompanhados de apoiadores e seguranças privados para montar uma tenda com uma placa “Desafiando o DCE da USP”, no mesmo estilo de Charlie Kirk e da extrema direita estadunidense.
Era uma provocação calculada, parte da estratégia da extrema direita de tentar intimidar o movimento estudantil e transformar as universidades em palco de suas campanhas contra a educação pública. A resposta dos estudantes foi imediata. Militantes do Coletivo Rebeldia, junto a estudantes independentes e outras organizações, começaram a se concentrar no local para responder politicamente à provocação.
Foi então que começaram as agressões.
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Seguranças da extrema direita atacam estudantes
Os seguranças privados que acompanhavam Pavanato passaram a bloquear a aproximação dos estudantes e iniciaram agressões físicas, com empurrões e ataques diretos. Durante a confusão, Pavanato foi retirado às pressas e colocado em um carro enquanto seus seguranças formavam um cordão ao redor do veículo. Mesmo com o vereador já dentro do carro, os ataques continuaram.
Um dos estudantes agredidos foi Chico (diretor do DCE, membro da atual gestão do Centro Acadêmico de Letras e militante do Rebeldia), que recebeu diversos empurrões e dois golpes na cabeça, um no olho e outro na boca, que causaram hematomas, corte e sangramento. Os seguranças também utilizaram spray de pimenta contra estudantes.
Outros estudantes foram atacados, inclusive do outro lado da rua, onde novos episódios de agressão ocorreram. Ou seja: quem levou violência para dentro da universidade foram os seguranças armados de Pavanato.
Após o episódio, estudantes foram até uma base da Polícia Militar e posteriormente alguns envolvidos foram levados para prestar esclarecimentos e realizar exames no Instituto Médico Legal (IML). Um estudante chegou a ser acusado de agredir Campopiano e foi conduzido ao Distrito Policial (DP). Não houve prisão formal.
Durante o procedimento, um policial à paisana ligado à equipe de Pavanato chegou a tentar dar voz de prisão a um estudante, uma tentativa absurda de criminalizar os estudantes, que não foi reconhecida pelo delegado responsável, que decidiu ouvir os envolvidos e liberá-los.
Diretores da universidade e parlamentares compareceram ao DP para acompanhar o caso e garantir apoio jurídico aos estudantes.
Por que a extrema direita odeia as universidades públicas?
O episódio não é isolado. A extrema direita bolsonarista vem adotando uma política sistemática de provocação dentro das universidades.
O objetivo é duplo. Primeiro, tentar intimidar o movimento estudantil e testar até onde conseguem avançar com suas provocações. Segundo, produzir cenas de confronto para suas redes sociais e alimentar a narrativa mentirosa de que as universidades seriam espaços de “intolerância” ou “perseguição” contra a direita.
Ao provocar conflitos dentro das universidades, a extrema direita busca intimidar o movimento estudantil, ganhar engajamento nas redes sociais e construir a narrativa de que esses espaços seriam “redutos ideológicos” a serem combatidos. Trata-se, na verdade, de uma ofensiva contra a educação pública e contra a liberdade de organização. A universidade pública e gratuita sempre foi um alvo central desses setores, porque querem acabar com qualquer direito que a classe trabalhadora e seus filhos possam ter, dentre eles, o ensino gratuito.
Cassação já de Pavanato e Campopiano
Não é aceitável que vereadores utilizem seus mandatos para organizar provocações violentas dentro de uma universidade pública, movendo assessores parlamentares pagos com o dinheiro público para agredir e intimidar estudantes.
Por isso, é necessário exigir a cassação dos mandatos de Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano, ambos do PL. Mandatos que estimulam violência política e ataques a estudantes não podem ser tolerados. Ao mesmo tempo, estaremos na linha de frente junto ao movimento estudantil organizando uma resposta política e coletiva para impedir novas provocações da extrema direita nas universidades.
A ampla repercussão do caso nas redes sociais e na imprensa, com reportagens em veículos como G1, Folha de S.Paulo e Metrópoles, ajudou a dar visibilidade ao caso, mas isso não basta.
É prática comum da extrema direita utilizar a violência como arma para buscar intimidar os movimentos sociais e produzir “cortes” para a internet a serviço da sua disputa ideológica. É preciso reagir, a exemplo do que fizeram os estudantes da USP, com mobilização e organização, sem se intimidar. Mas a extrema direita só será derrotada pra valer com um projeto alternativo do povo trabalhador, que não concilie com grandes empresários e o Centrão e que ataque de frente o lucro capitalista que dá base para seu projeto reacionário e autoritário.
Defender a universidade pública significa defender o direito dos estudantes de se organizarem, lutarem e responderem às provocações daqueles que querem transformar os campi em território de intimidação e violência. A resposta precisa ser clara: nenhum espaço para a extrema direita nas universidades.