Flotilha parte em direção a Gaza em meio a cessar-fogo parcial
No domingo, dia 12, centenas de manifestantes se reuniram no porto de Barcelona, na Espanha, para saudar a partida de dezenas de barcos da Global Sumud Flotilha rumo à Faixa de Gaza. As bandeiras da Palestina decoravam os barcos e o porto e havia muito ânimo de todos e todas para enviar uma mensagem de solidariedade à população de Gaza, que vive sob um genocídio promovido pelo Estado de Israel desde outubro de 2023.
A flotilha deve reunir cerca de mil pessoas em cem barcos que partirão de Barcelona, de Marselha, na França, e da Sicília, na Itália. Seu objetivo é, por um lado, romper o bloqueio por terra, mar e ar imposto a Gaza pelo Estado de Israel e entregar ajuda humanitária aos palestinos e, por outro, romper o bloqueio midiático sobre o genocídio em curso em Gaza.

Partida da Flotilha no porto de Barcelona
Genocídio continua
Apesar do cessar-fogo iniciado em outubro de 2025, as forças israelenses mantêm mais de dois milhões de palestinos sitiados em 40% do território de Gaza sob ataques militares diários, sem acesso regular à ajuda humanitária, sem direito irrestrito de ir e vir nem para tratamento médico, sem acesso para jornalistas estrangeiros – um verdadeiro campo de concentração. Essas condições são definidas pelo direito internacional como genocídio.
Além do genocídio em Gaza, o Estado de Israel, em conjunto com colonos fascistas, executa uma limpeza étnica contra os palestinos em Al-Quds/Jerusalem e na Cisjordânia. Seu objetivo é expulsar os palestinos de suas terras para sua colonização pelos sionistas. No restante da Palestina ocupada, chamada de Palestina de 1948, os palestinos vivem sob um regime de apartheid, como cidadãos inferiores aos judeus israelenses.
Apesar do repúdio dos povos de todo o mundo, o genocídio e a limpeza étnica continuam devido ao apoio direto ou indireto dado ao Estado de Israel por 62 países, segundo a relatora da ONU para a Palestina, Francesca Albanese. Entre esses países, estão todas as potências imperialistas. Os Estados Unidos fornece 70% das armas, apoio financeiro e cobertura diplomática. Os países imperialistas europeus fazem o mesmo. O imperialismo chinês é o segundo principal parceiro comercial de Israel, e o imperialismo russo exporta petróleo para a máquina de guerra israelense.
Irã
Negociações seguem em impasse enquanto Israel avança sobre o Líbano

Trump e Netanyahu Foto Divulgação
O genocídio na Palestina ocorre em meio a um impasse na agressão estadunidense e israelense contra o Irã e o Líbano. Trump esperava esmagar o Irã em poucos dias e impôr um governo fantoche, a exemplo da Venezuela. No entanto, o regime iraniano se preparou para uma guerra assimétrica (desigual) e lançou mísseis e drones contra alvos israelenses e contra países do golfo com bases militares dos Estados Unidos. Além disso bloqueou o estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo e gás de todo o mundo.
Sob intensa pressão popular expressa nas três mil mobilizações de “No King’s Day”, que reuniram oito milhões de manifestantes em todos os Estados Unidos, e diante de uma divisão interburguesa e entre seus apoiadores e seu gabinete, Trump declarou um cessar-fogo de 14 dias.
O cessar-fogo foi seguido de uma rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã na capital do Paquistão, Islamabad. As informações vazadas da longa reunião apontam para um impasse quanto ao controle do estreito de Ormuz, a agressão israelense ao Líbano, o programa nuclear iraniano e as reparações de guerra devidas pelos Estados Unidos ao Irã.
Depois, houve sinais em duas direções opostas. Por um lado, Trump impôs um bloqueio naval ao estreito de Ormuz, o que pode levar à retomada da guerra. Por outro, Trump ordenou que Israel limitasse a agressão ao Líbano ao sul do país, e a imprensa vazou algumas propostas de negociação em eventuais reuniões “técnicas” a serem retomadas em Islamabad em breve. Entre as propostas, estão o congelamento do programa de enriquecimento de urânio (Trump quer 20 anos, e o Irã aceita cinco anos), o descongelamento dos US$ 27 bilhões de fundos iranianos para a reconstrução do país sob supervisão estadunidense e negociações entre Israel e Irã visando a estabilidade regional (leia-se normalização de relações com a criminosa entidade sionista e fim do apoio a grupos do chamado eixo da resistência em toda a região).
Fora Trump e Israel do Irã, Líbano e Palestina
Não é possível prever o desfecho dessas negociações nem se haverá a retomada da agressão militar ao Irã ou o fim da agressão ao Líbano. De toda forma, o projeto de Novo Oriente Médio sob hegemonia israelense não conseguiu avançar nem o controle estadunidense sobre o petróleo iraniano, o que seriam cartas na manga para Trump negociar com Xi Jinping. O que é certo é que o impacto dessa agressão afeta a região e o mundo, com uma desaceleração econômica global, perda de popularidade de Trump dentro e fora do país, crise nas relações interimperialistas no Atlântico (entre EUA e Europa) e no Pacífico (entre EUA e China) e nas relações entre os EUA e as monarquias petrolíferas do golfo.
Para o PSTU, segue colocada a luta pela derrota militar e política do imperialismo estadunidense e de Israel no Irã, no Líbano e na Palestina. A derrota abrirá o caminho para as lutas dos povos oprimidos contra os imperialismos em todo o mundo, e por isso é de interesse da classe trabalhadora mundial. Isso não implica nenhum apoio político ao regime iraniano, que enfraquece a defesa do país contra o imperialismo ao reprimir a classe trabalhadora iraniana com massacres como os efetuados nos dias 8 e 9 de janeiro e prisões e execuções de manifestantes que lutam por liberdades democráticas e melhores condições de vida.
PSTU e LIT-QI integram flotilha
“Romper o silêncio internacional diante do que acontece em Gaza”

Mandi Coelho, militante do PSTU e da LIT-QI, presente na Global Sumud Flotilla
Integrante da Flotilha, Mandi Coelho destacou o significado da missão: “Ver os barcos partindo de Barcelona é um momento histórico. Essa flotilha carrega não só ajuda humanitária, mas a esperança de milhares de pessoas e a força da solidariedade internacional em movimento rumo a Gaza”.
Além de Mandi, estudante da USP, diretora do DCE-USP, ativista do Coletivo Rebeldia, militante do PSTU e da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), integram a delegação Brasileira: Ariadne Telles, advogada de direitos humanos; Beatriz Moreira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Lisi Proença, organizadora cultural e comunicadora; Leandro Lanfredi, petroleiro e diretor do Sindipetro-RJ; Lucas Gusmão, ativista anti-imperialista; e Thiago Ávila, ativista internacionalista e ambientalista.