Internacional

Fora Trump e Israel do Irã e do Líbano! Pelo direito do Irã à autodefesa!

Por um Irã livre e dos trabalhadores! Nem ditadura religiosa nem monarquista!

Fábio Bosco, de São Paulo (SP)

6 de março de 2026
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Destruição provocada por ataque imperialista em Teerã, capital do Irã Foto IRNA

No dia 28 de fevereiro, o imperialismo estadunidense e o Estado de Israel iniciaram uma agressão covarde contra o Irã. Foram milhares de bombardeios aéreos, terrestres e marítimos que atingiram alvos militares, governamentais e civis. Já são mais de 1.000 mortos, entre os quais o aiatolá Khamenei e outros 40 dirigentes da ditadura iraniana.

A maioria das vítimas são civis, entre as quais 165 meninas de 7 a 12 anos que estudavam numa escola primária bombardeada no sul do país. Além de escolas, foram bombardeados o Hospital Gandhi e praças públicas na capital, uma importante zona industrial na grande Teerã e até mesmo a cidade de Sanandaj, de maioria curda.

O objetivo de Trump era repetir o modelo de agressão aplicado contra a Venezuela, ou seja, um ataque militar avassalador e rápido, seguido da decapitação de governantes e da capitulação do regime do país agredido. No entanto, ele foi surpreendido pelos abrangentes contra-ataques iranianos que atingiram bases militares e escritórios da CIA em vários países árabes, além de muitos alvos israelenses. Grupos aliados ao Irã no Iraque e no Líbano também fizeram ataques militares. O Irã exerce, dessa forma, seu direito legítimo de se defender de uma agressão militar.

Além disso, houve uma importante onda de protestos em várias cidades no Paquistão, onde os manifestantes invadiram a embaixada dos EUA em Karachi e houve dez mortos. Houve também importantes protestos em Bagdá e no Líbano.

Meninas chacinadas por ataque dos EUA são enterradas em covas coletivas

Obstáculos a Trump

Trump enfrenta outros obstáculos dentro dos próprios Estados Unidos. Após os reveses frente à mobilização em Minneapolis e duas decisões da Suprema Corte contra suas decisões, agora ele tem uma oposição dentro das fileiras do seu movimento MAGA (Make America Great Again) que não quer o envolvimento dos Estados Unidos em guerras longínquas conforme Trump prometeu na campanha eleitoral.

Uma pesquisa apontou que apenas um quarto dos cidadãos do país apoiam a agressão militar, alertando que podem mudar de opinião se houver baixas de soldados americanos (já houve seis baixas) ou diante de um crescimento da inflação. O crescimento da inflação é certo. O preço do barril do petróleo já subiu para US$ 80, e o Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz, o que deve empurrar o preço do petróleo para além de US$ 100 o barril.

Projeto da “Grande Israel”

O principal aliado de Trump é o Estado de Israel, que quer avançar o projeto da Grande Israel, com novas conquistas territoriais no sul do Líbano, tomando toda a região ao sul do rio Litani. Para isso, já iniciou uma criminosa agressão em larga escala contra o país árabe, atacando Beirute e todo o sul do país, provocando morte, destruição e dezenas de milhares de refugiados. Israel é auxiliado pela posição do governo libanês, que recuou as tropas da fronteira e proibiu o Hezbollah de atacar as forças sionistas que violam o acordo de cessar-fogo todos os dias, humilhando o povo libanês.

Além de novos territórios, Israel quer impôr sua hegemonia sobre toda a região, o que implica a destruição de toda a infraestrutura econômica e militar do Irã. A agressão contra o Irã serve de cortina de fumaça sobre o genocídio que Israel executa contra os palestinos em Gaza e na Cisjordânia. É importante lembrar que Israel depende do apoio material e militar dos Estados Unidos para esses objetivos e para sua própria sobrevivência.

Os aliados do imperialismo

Trump conta com os monarquistas iranianos organizados ao redor do filho do ex-xá Reza Pahlavi e com o partido MEK, ambos apoiadores de sua agressão militar ao Irã. Essas organizações têm pouca presença dentro do Irã e repetem o mesmo erro do MEK quando apoiou a agressão militar iraquiana contra o Irã na década de 1980, traição esta que o povo iraniano nunca esqueceu nem perdoou.

Trump também negocia com dois partidos burgueses curdo-iraquianos liderados por Barzani e Talebani para constituir uma força militar que abra um novo fronte de batalha contra o Irã. A recente experiência de outro partido curdo, o PYD na Síria, de aliar-se com o imperialismo estadunidense para ocupar territórios fora do Curdistão, revelou-se um desastre.

As milícias do SDF lideradas pelo PYD e armadas pelos Estados Unidos ocuparam cidades de maioria árabe na Síria, como Raqqa e Deir Zour, muito além do território curdo de Rojava, onde se transformaram numa força de ocupação. No momento em que o imperialismo estadunidense dispensou seus serviços, eles foram simplesmente expulsos, seja pelas forças do Estado Sírio (com aval dos EUA), seja pela própria população árabe dessas áreas ocupadas, deixando um rastro de violações de direitos humanos por todo o lado.

Trump também pressionou os países imperialistas europeus que, com reticências, proveram ajuda militar para ações “defensivas”, expondo a subserviência europeia frente ao imperialismo estadunidense.

Além deles, há também os países árabes do golfo, liderados pela Arábia Saudita, cuja aliança com os Estados Unidos e a presença de bases militares terminou por transformá-los em alvos em meio a esta guerra. Agora eles discutem atacar militarmente o Irã, tendo contra si a opinião pública antissionista de todos os países árabes.

O Irã aposta que o alongamento e a regionalização da guerra trará profundos impactos econômicos sobre a economia mundial, o que obrigará Trump a retornar à mesa de negociação.

Trump e Netanyahu Foto Divulgação

Isolamento

A omissão interesseira dos imperialismos chinês e russo e do governo Lula

Os imperialismos chinês e russo fizeram declarações diplomáticas contra a agressão militar ao Irã. É o mesmo que eles fizeram há oito meses, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o Irã por doze dias.

Ao imperialismo chinês, não interessa entrar em confronto militar com a principal potência imperialista do mundo, mas sim seguir a disputa interimperialista por mercados, recursos naturais estratégicos e tecnologias. Além disso, a China é a segunda principal parceira comercial do Estado de Israel e não tem interesse em uma derrota sionista.

Já o imperialismo russo, além das ótimas relações comerciais e políticas com o Estado de Israel, depende de Trump para conseguir arrancar uma vitória contra a Ucrânia e, por isso, não tem nenhum interesse em contrariar o mandatário estadunidense.

No Brasil, o governo emitiu duas declarações diplomáticas. A primeira condena a agressão ao Irã. A segunda condena os ataques iranianos a alvos nos países do golfo. Esse posicionamento reflete a verdadeira prioridade do presidente Lula: sua reeleição em outubro. Para isso, Lula não quer abalar as atuais boas relações com Donald Trump, preferindo colocar o Brasil, uma vez mais, omisso perante as agressões militares contra Venezuela, Cuba e Irã.

Solidariedade de classe

Todo apoio à auto-organização operária e popular iraniana

A classe trabalhadora e os movimentos sociais iranianos impulsionam uma onda de protestos iniciados em 28 de dezembro, afogados em sangue pela ditadura iraniana nos dias 8 e 9 de janeiro, quando mais de 20 mil manifestantes foram mortos, milhares feridos e 50 mil presos.

Agora, além da ditadura iraniana, a classe trabalhadora enfrenta outros inimigos: o imperialismo estadunidense e o Estado de Israel. A experiência histórica ensina que toda intervenção estrangeira no Irã sempre implicou morte, destruição e ditadura.

O desafio da classe trabalhadora iraniana é, neste momento, derrotar a agressão militar imperialista e sionista e, ao mesmo tempo, unir os sindicatos independentes, os movimentos estudantis, os coletivos pelos direitos das mulheres, as famílias dos presos e desaparecidos políticos e as organizações das nacionalidades oprimidas para dar continuidade à sua luta pela libertação dos presos políticos, por melhores salários e pelo fim da ditadura iraniana.

O PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional lutam pela derrota política e militar do imperialismo estadunidense e de Israel, o que fortaleceria as lutas dos povos do mundo inteiro contra os imperialismos e inviabilizaria o projeto sionista de Grande Israel.

Ao mesmo tempo, o PSTU e a LIT-QI apostam na auto-organização da classe trabalhadora iraniana para lutar por seus direitos democráticos e construir uma alternativa operária e popular que ponha fim à ditadura no país.

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