Declarações

LIT-QI: Pelo fim dos massacres no Irã! Abaixo a ditadura! Todo apoio aos protestos populares! Não à intervenção estadunidense!

LIT-QI, Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional

18 de janeiro de 2026
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A partir do dia 8 de janeiro, o regime iraniano bloqueou as comunicações por Internet e por telefone e promoveu massacres contra manifestantes em todo o país. Organizações de direitos humanos apontam para 3.400 a 20.000 mortos, milhares de feridos e mais de 20 mil manifestantes presos. Os massacres transformaram os arredores de hospitais em necrotérios a céu aberto.

Os massacres foram efetuados pelas forças de repressão, com destaque para a odiada Guarda Revolucionária (Pasdaran em língua farsi), uma força militar de elite com quase 200 mil integrantes, que controla metade da renda de petróleo do país entre outros negócios.

Os protestos iniciaram em 28 de dezembro com a paralisação dos comerciantes do Bazar de Teerã (conhecidos como bazariis) contra a hiperinflação e a desvalorização abrupta da moeda nacional, e se estenderam às universidades e a todo o país. São protestos nacionais que unem a classe trabalhadora, a juventude, desde os setores mais pauperizados até as classes médias, as elites intelectuais e os pequenos comerciantes.

A crise econômica e a miséria contra a qual as massas protestam são frutos das políticas do regime que concentram a riqueza nas mãos da classe burguesa aliada e da alta burocracia estatal e militar, junto com as pesadas e eternas sanções econômicas impostas pelo imperialismo ocidental.

A experiência da população com a derrota da “Revolução Verde” de 2009 contra a fraude eleitoral eliminou da consciência das massas a perspectiva de uma reforma democrática por dentro do regime. Por isso às reivindicações econômicas contra os efeitos da hiperinflação rapidamente se uniram aos chamados pela derrubada do regime.

Os massacres e o blackout das comunicações reduziram os protestos, mas estes estão longe de terminar.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou realizar um ataque militar contra o Irã se as execuções de manifestantes nas ruas e nos presídios não parassem. A execução de presos foi adiada mas os massacres continuam. Mesmo assim, Trump se limitou a anunciar tarifas de 25% sobre os produtos dos países que tenham relações comerciais com o Irã. Trump não tem nenhum compromisso com direitos humanos ou com liberdades democráticas. Uma intervenção militar estadunidense ou israelense apenas enfraqueceria os protestos e fortaleceria o regime ditatorial, seria, na verdade, contra a luta das massas que o imperialismo teme mais do que qualquer outra coisa.

Segundo a imprensa, a pressão da Arábia Saudita, do Qatar e da Turquia, e a improvisação da ação militar, levaram ao adiamento. Trump justificou dizendo que as execuções cessaram, mas sua porta-voz afirmou que todas as opções estão sobre a mesa do presidente.

A Arábia Saudita, o Qatar e a Turquia estão contra qualquer tipo de intervenção militar e\ou mudança desordenada do regime iraniano. A preocupação desses regimes capitalistas é que os ataques ampliem a instabilidade regional com retaliações por parte das forças iranianas e de seus aliados, o que afetaria a indústria do petróleo e gás e fortaleceria o projeto de transformar Israel em potência hegemônica regional a quem os demais países da região teriam que se submeter. O regime saudita anunciou que o espaço aéreo do país estará fechado para quaisquer ações militares contra o Irã.

Trump adiou o ataque militar, que era iminente no dia 14 de janeiro, mas manteve o deslocamento de um porta-aviões do Mar do Sul da China para o Oriente Médio e ampliou o envio de equipamentos de defesa aérea para proteger suas bases militares na região. Estas ações apontam para a possibilidade de ataques no futuro próximo.

Segundo a imprensa, diplomatas árabes apostam num “modelo venezuelano”: ataques rápidos de grande visibilidade seguidos da capitulação do regime aos interesses estadunidenses através de negociações. Esses interesses incluem o fim do programa nuclear e de mísseis balísticos, além de uma relocalização da economia iraniana, deixando a área de influência do imperialismo chinês para a influência do imperialismo estadunidense. Acima de tudo, Trump não pode permitir que uma revolução operária e popular derrube o regime tal qual em 1979 e desencadeie levantes em toda a região sem controle de nenhuma organização comprometida com o status quo.

A questão Palestina é outro ponto importante. O estado de Israel segue o genocídio e a limpeza étnica na Palestina, mantendo a Faixa de Gaza sitiada, sem acesso irrestrito à ajuda humanitária e sob ataques militares regulares, além da violência crescente do exército e de colonos sionistas para expulsar os palestinos da Cisjordânia, sem todavia conseguir desarmar a resistencia palestina que continua, assim como continuam as movilizações em apoio à luta palestina em várias partes do mundo.

Não é de interesse do povo palestino qualquer evento que eleve a moral sionista. Ao mesmo tempo, os palestinos sabem que os regimes capitalistas, sejam eles árabes ou não, utilizam a causa palestina como um instrumento para legitimar a repressão sobre seus povos. Esse também é o caso do regime iraniano.

Além disso, o regime iraniano se limitou a declarações contra o genocídio em Gaza iniciado em outubro de 2023 e uma ajuda muito limitada ao Hamas. O Ayatollah Khamenei justificou a inação afirmando que o Irã apenas atacaria Israel caso Israel atacasse o Irã. Foi o que aconteceu. De fato, a única força regional que apoiou os palestinos foram os iemenitas Houthis do Ansar Allah.

Não é de interesse da causa palestina apoiar regimes que assassinam a população. A derrubada do regime iraniano por uma revolução operária e popular pode colocar o Irã na linha de uma verdadeira solidariedade com o povo palestino e ser o início de novas revoluções que derrotem os governos da região que apoiam direta ou indiretamente a entidade sionista.

Pela vitória dos protestos!

Infelizmente, a maioria das organizações de esquerda em todo o mundo substituíram a luta de classes pela disputa entre os blocos imperialistas, na qual a classe trabalhadora deve se colocar acriticamente ao lado do imperialismo chinês e russo e dos regimes que lhe são subordinados tal qual o iraniano. Esta visão de mundo “campista” as leva a dar apoio acrítico a ditaduras capitalistas como a iraniana, e a acobertar o massacre da classe trabalhadora nesses países.

Nós não concordamos com a visão campista e apostamos na luta independente da classe operária contra os governos capitalistas em todos os países. Por isso apoiamos os protestos operários e populares no Irã.

O exemplo da revolução operária e popular de 1979 mostra que a combinação de protestos de rua com a greve geral, em particular da classe operária petroleira, levou à queda da ditadura do Xá Reza Pahlavi. Este é o exemplo a ser seguido.

Ao mesmo tempo, é necessário desenvolver mecanismos de autodefesa contra a repressão e conselhos operários e populares nos locais de trabalho, nos bairros populares e em todas as cidades, retomando o exemplo dos “shoras” (conselhos operários) da revolução de 1978-1979.

Também é necessário construir uma liderança alternativa. O filho do ditador Reza Pahlavi não é alternativa. O povo iraniano não deseja trocar uma ditadura por outra, mas sim liberdade e condições dignas de vida, o que não é possível sem uma revolução que leve ao poder a classe operaria, cumprindo o processo que foi traído e interrompido em 1979.

A esquerda iraniana teve muita influência na revolução de 1979 mas a capitulação do estalinismo em primeiro lugar (em nome de uma “revolução por etapas”) ao Ayatollah Khomeini a impediu de disputar o poder com o clero xiita e a burguesia.

Agora é necessário que a esquerda revolucionária iraniana retome a sua organização para oferecer uma liderança que se opunha ao regime ditatorial e, ao mesmo tempo, se oponha às intervenções imperialistas, sejam dos Estados Unidos, da Europa, da Rússia ou da China; além disso que se solidarize com o povo palestino contra o Estado sionista, e garanta as liberdades democráticas para que a classe trabalhadora iraniana possa assumir o poder e decidir o seu futuro.

Chega de massacre! Abaixo a ditadura!

Não à qualquer intervenção imperialista! Pelo fim imediato das sanções!

Nenhuma bandeira estadunidense ou israelense nas manifestações!

Fora Trump e Israel! Todo apoio ao povo palestino!

Pela greve geral insurrecional! Pela autodefesa operária e popular!

Por um governo operário e popular baseado em conselhos nas fábricas e nos bairros!

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