Nacional

Médicos e enfermeiros iniciam paralisação no Rio contra a precarização da Atenção Primária

Descumprimento de acordos pela gestão Eduardo Paes (PSD) e Daniel Soranz (PSD), arrocho salarial e colapso nas condições de trabalho levam profissionais da saúde a intensificar a mobilização em defesa do SUS

PSTU Rio de Janeiro

3 de fevereiro de 2026
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Paralisação da Saúde na cidade do Rio de Janeiro

Médicos e enfermeiros da Atenção Primária à Saúde do município do Rio de Janeiro iniciaram, na última segunda-feira (2), uma paralisação das atividades em resposta ao descumprimento de acordos firmados pela Prefeitura do Rio e à profunda precarização da Atenção Primária à Saúde (APS). No caso dos médicos, a paralisação se estenderá até o próximo dia 11; o calendário de paralisação dos enfermeiros conta com os dias 2, 3, 10 e 11 deste mês. A mobilização, que ocorre em um contexto de agravamento da crise no SUS carioca, foi decidida em assembleias da categoria e organizada pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SINMED-RJ) e pelo Sindicato dos Enfermeiros do Rio de Janeiro (SINDENF-RJ).

“Os números importam mais que as vidas”, denunciam profissionais

Para Gustavo Treistman, médico da família no Rio de Janeiro, a paralisação expressa um limite que foi ultrapassado. “Hoje, uma equipe chega a ser responsável por mais de 4 mil pessoas, sem medicamentos, sem segurança e sem qualquer valorização profissional. A prefeitura cobra metas irreais, mas não garante condições mínimas de trabalho. Na prática, os números de atendimento parecem importar mais do que a vida dos profissionais e da população. Essa mobilização é em defesa do SUS e do direito à saúde”, afirma.

Sobrecarga extrema e equipes superlotadas

Um dos principais problemas denunciados é a sobrecarga de trabalho. Em muitas regiões da cidade, uma única equipe de Saúde da Família chega a ser responsável por mais de 4 mil pacientes, quando a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) recomenda um máximo de 2,5 mil pessoas por equipe.

Na prática, isso significa consultas rápidas, filas de espera intermináveis e a impossibilidade de desenvolver ações de prevenção e promoção da saúde, que deveriam ser o eixo central da estratégia da Atenção Primária.

Falta de medicamentos, insumos e condições mínimas de trabalho

A escassez de medicamentos e insumos básicos é outro elemento permanente da crise. Profissionais relatam a ausência frequente de remédios emergenciais e de medicamentos para o tratamento de transtornos de saúde mental, com consequências graves para os usuários do SUS.

Além disso, os problemas estruturais se acumulam: falta de água, luz e internet, retirada de equipamentos como impressoras e condições improvisadas de atendimento. Mesmo assim, os trabalhadores são pressionados a manter os números de produção, custe o que custar.

Acordos descumpridos e salários corroídos pela inflação

A paralisação tem como estopim o não cumprimento de compromissos assumidos pela gestão do prefeito Eduardo Paes (PSD) e do secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz (PSD), após mobilizações anteriores da categoria. Entre eles, está o pagamento da Variável 3, gratificação por desempenho prevista em contrato e atrasada desde 2023, além de uma recomposição salarial parcial de 5%, jamais efetivada.

Os médicos denunciam que já acumulam quatro anos sem reajuste salarial, o que representa uma defasagem de cerca de 27%, considerando a inflação oficial. A ausência de um plano de carreira e de qualquer política de valorização profissional aprofunda a evasão de trabalhadores experientes, prejudicando diretamente o acompanhamento contínuo dos pacientes.

Funcionamento parcial para garantir atendimentos essenciais

Durante o período de paralisação, as unidades de saúde funcionam de forma parcial, com 50% das equipes em atividade assistencial e 50% mobilizadas. Estão garantidos os atendimentos considerados prioritários, como pré-natal, puericultura, acompanhamento de tuberculose e hanseníase, casos oncológicos e situações de maior gravidade.

Já consultas eletivas, atividades coletivas, visitas domiciliares e procedimentos não urgentes foram suspensos. Segundo os profissionais, essa organização busca preservar o cuidado à população mais vulnerável, ao mesmo tempo em que escancara a situação crítica vivida na rede básica.

Paes e Soranz, inimigos da saúde

Paes governa o Rio como quem administra uma empresa: com prioridade total aos interesses do capital imobiliário, das empreiteiras, do transporte privado, dos grandes empresários da cultura e do turismo e das grandes empresas de saúde. Ao mesmo tempo, mantém congelados salários de servidores, aprofunda a terceirização e promove ataques sistemáticos aos trabalhadores da saúde.

Por trás da imagem de “prefeito gestor”, há um modo de governar baseado na privatização e no autoritarismo administrativo. A cidade se transforma em vitrine para o turismo e para os megaeventos, enquanto o dia a dia do povo trabalhador carioca é bem diferente. Os mesmos grupos econômicos que lucram com as parcerias público-privadas e concessões são os que definem as prioridades do orçamento.

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