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MG: 7 de novembro foi dia de greve geral contra Zema

Geraldo Batata, de Contagem (MG)

8 de novembro de 2023
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A agonia crescente da economia mineira não caiu do céu. E nem todo mundo sai perdendo. São ações conscientes dos governos, para atender às demandas do capital financeiro, o chamado “mercado”. Desmonte de serviços públicos, privatizações e isenções fiscais beneficiam diretamente os fundos de investimento, grandes empresários, doadores de campanhas eleitorais, abutres, hienas e urubus. Gente que paga muito pela propaganda enganosa dos benefícios desse modelo colonial-exportador aplicado no estado e “aprimorado” por Romeu Zema (Novo). 

A crise não tem a ver com “forças incontroláveis da natureza”. Essas apenas demonstram a ineficácia das privatizações, como ficou evidente no apagão em São Paulo, onde milhões ficaram às escuras após o temporal do dia 3 de novembro, e que, depois de dias, ainda não tiveram o retorno do fornecimento de energia. E, com certeza, será nas periferias, onde mora a classe trabalhadora, que a volta à normalidade levará ainda mais tempo.  

Privatizações: sofrimentos para o povo, lucros bilionários

Dia 3 não foi um caso isolado, mas o resultado trágico de todo o processo de privatização da antiga Eletropaulo, em 1998, que levou a demissões em massa, terceirizações, cortes de investimentos, aumento nas tarifas, apagões…e muito lucro: de 2019 a 2022, o lucro líquido da empresa saltou de R$ 777 milhões para R$ 1,4 bilhão (Leia na p. 5).

Os mineiros conhecem muito bem os efeitos dos desastres provocados pelas privatizações. E de forma bastante dolorosa. Após a privatização da Vale do Rio Doce, também em 1998, a empresa multiplicou sua produção, distribuiu centenas de bilhões para acionistas, destruindo as montanhas, rios e reservas de água e criando pilhas de rejeitos. 

Dia 5 de novembro completaram-se oito anos do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, que deixou 19 pessoas mortas, sem que ninguém tivesse sido punido. Ao contrário, os diretores responsáveis foram promovidos e, em 2019, repetiram o desastre em Brumadinho, onde 272 pessoas morreram.  

A Vale chegou a ser premiada com o “desconto” de R$ 15 bilhões no “Acordo da Vale”, feito pelo governo Zema, com autorização do judiciário e da Assembleia Legislativa (inclusive com votos da “oposição”). 

Privataria em MG

Zema e seu combo do terror

O que esses eventos mostram é o final do caminho pretendido por Zema, em Minas Gerais, numa escala muito superior. Os planos de Zema são um combo de terror: 

– Privatização da Cemig (energia) e Copasa (saneamento) e, para isso, uma mudança na Constituição do estado, que prevê um plebiscito popular nesses casos.

– Privatização da Codemig (desenvolvimento econômico), que detém grande parte das reservas de nióbio no estado, mineral estratégico para vários tipos de indústrias de alta tecnologia.

– Regime de Recuperação Fiscal: a proposta prevê congelamento salarial, com apenas dois reajustes em nove anos, perdas de 50% na renda dos servidores, congelamento dos investimentos em Saúde, Educação, Segurança Pública etc., além do congelamento dos concursos públicos até 2032.

– Entrega do lítio: Minas Gerais detém cerca de 470 mil toneladas de reservas de lítio (descobertas). Atualmente os preços no mercado mundial estão em torno de U$ 20 mil a tonelada. 

– Isenções fiscais: Além da Lei Kandir, Zema beneficia os exportadores da Vale, da siderúrgica CSN e do agronegócio. Esse ano, por exemplo, o governo mineiro abriu mão de R$ 13 bilhão em isenções de impostos e para ano que vem estão previstos outros R$ 18 bilhões.

Para entregar as riquezas minerais do estado, Zema precisa cortar gastos e, ao mesmo tempo, reduzir impostos dos bilionários, fundos de investimentos e multinacionais. Precisa porque, em suas visitas a Nova York, Itália e, agora, China e Japão, tem vendido o Estado como paraíso para investimentos “livres de impostos”, livre de restrições ambientais. Boa parte desses fundos são investidores da Vale, da Enel e da indústria do nióbio, e sabem que não serão punidos por suas decisões.

Luta

Greve geral contra Zema e seus ataques.

Por tudo isso, os servidores estaduais estão promovendo uma grande Greve Geral neste dia 7 de novembro. Milhares de trabalhadores da Educação, da Saúde, da Segurança Pública (civil e agentes penitenciários), da CEMIG e da COPASA, e de diversos outros setores do funcionalismo estadual paralisaram as atividades, promovendo a maior greve geral da história no estado. 

Nesse momento, é preciso total unidade da classe trabalhadora contra essa marcha ao desastre. A unidade e independência política da classe trabalhadora são fundamentais para enterrar, de vez, esse projeto de saque e espoliação. 

Essas lutas dos servidores são, também, do conjunto da população do estado e do país. Por isso, entendemos que devem se alastrar e exigirem a retirada de todos projetos de desmonte dos serviços públicos, de retirada de direitos e de entrega das riquezas do estado. Além disso, é preciso rever todo o modelo que coloca as estatais como fonte de rapina de fundos de investimentos, como a BlackRock ou a Dinâmica.

– Reestatização total das ações da Cemig, da Copasa e Codemig;

– Não ao Regime de Recuperação Fiscal;

– Abaixo as isenções fiscais aos grandes empresários e multinacionais.

– Direito de sindicalização e organização de policiais militares. 

– Reestatização da Vale, do nióbio e lítio.