Editorial

O capitalismo gera guerras, crises e desgraça para os trabalhadores

Redação

26 de março de 2026
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Fumaça em meio a prédios no Líbano após ataques de Israel | Foto: Getty Images

Estamos assistindo aonde o capitalismo está levando a humanidade. As agressões imperialistas de Trump contra o Irã e a Venezuela, assim como a invasão de Putin contra a Ucrânia, compõem um cenário no qual os conflitos militares são cada vez maiores. Um mundo onde países imperialistas tentam dominar outros países dominados a fim de controlar diretamente recursos estratégicos.

Trump vem tentando subverter a ordem mundial para moldá-la ainda mais aos interesses do decadente imperialismo estadunidense, numa tentativa de retomar a hegemonia incontestável dos Estados Unidos diante do emergente imperialismo capitalista chinês.

Um mundo bem diferente do que prometeram no auge do neoliberalismo, com a restauração capitalista no Leste Europeu e a hegemonia do Consenso de Washington. Em vez de melhorias em nossas condições de vida, paz e democracia, estamos vendo o contrário. Uma crise cujas consequências são jogadas nas costas dos trabalhadores, em meio a um iminente colapso ambiental e ao crescimento da extrema direita e do autoritarismo, subprodutos da frustração social e do desgaste das instituições que já não conseguem oferecer respostas.

Um regime falido

No Brasil, a derrota da ditadura civil-militar foi uma grande vitória dos trabalhadores ao permitir a conquista de importantes liberdades democráticas. A Constituição de 1988, porém, prometeu que bastava votar de dois em dois anos, e o país melhoraria e superaria seus problemas estruturais.

A democracia liberal foi incapaz de fazer avançar a garantia dos interesses dos trabalhadores justamente porque ela serve aos interesses dos capitalistas. Mudou-se o regime mas manteve-se o sistema. Não só isso, as liberdades democráticas conquistadas foram limitadas, por isso permanece um entulho autoritário dos anos de chumbo. No fim, isso ressurge com peso na extrema direita e no bolsonarismo, que ameaçam os trabalhadores com retrocessos inaceitáveis.

Nesse quadro, o PT não apenas não enfrentou os problemas do país e não atendeu os trabalhadores. É bem pior que isso. Ao longo de 38 anos de Nova República, o PT governou 18. Então, se é verdade que a situação em que nos encontramos hoje é responsabilidade de uma elite mesquinha, autoritária, exploradora e subserviente ao imperialismo, é também verdade que o PT, junto com a direita e a extrema direita, é corresponsável pela decadência e pelo retrocesso que o Brasil sofre nas últimas décadas. O PT administrou a decadência capitalista, garantindo os interesses dos monopólios enquanto concedia migalhas aos trabalhadores para frear as lutas e assegurar a manutenção da ordem.

 O governo Lula e a correlação de forças

Afirmar que não se pode fazer mais porque não existe correlação de forças esconde a própria atuação do governo que mina qualquer possibilidade de se construir uma correlação de forças favorável aos trabalhadores. Por que não atendeu os trabalhadores da Petrobras ou dos Correios quando fizeram greve? Só recuou da privatização dos rios porque foi derrotado pelos indígenas em luta.

O governo comemora todos os ataques que aprovou no Congresso Nacional, como o arcabouço fiscal, em vez de dizer que foram derrotas impostas pela direita. O que prova que é o próprio projeto do PT que está sendo implementando em acordo com o centrão.

Conciliação de classes do PT deve ser superada pelos trabalhadores

A política de conciliação de classes demonstra todos os seus limites. Não apenas impede a resolução das debilidades estruturais do país e melhorias na vida dos trabalhadores, como também dificulta o combate consequente à extrema direita.

A questão de fundo é que é necessário desenvolver e reindustrializar o país, o que só é possível enfrentando o imperialismo e os grandes grupos capitalistas. Só expropriando os maiores grupos e monopólios capitalistas e construindo um plano econômico dos trabalhadores será possível romper a longa decadência brasileira.

Apoiar um governo de conciliação de classes só ajuda a desorganizar os trabalhadores, confunde sua consciência e deixa os trabalhadores a reboque dos capitalistas. Isso cria um terreno fértil para o crescimento de projetos reacionários.

 Não se combate a extrema direita sem enfrentar o capitalismo

Alguns setores dizem que primeiro é necessário derrotar a extrema direita e só depois se poderia discutir um programa dos trabalhadores ou a luta contra a burguesia e pelo socialismo. Essa lógica cria uma espécie de escadinha que não existe na realidade. Apostam na volta de um mundo que não existe mais nem pode existir no atual contexto de decadência do capitalismo.

Ignoram que a extrema direita veio para ficar e não desaparecerá com derrotas eleitorais. Ela se sustenta nas contradições profundas do sistema e tende a permanecer enquanto essas condições existirem.

Fortalecer o programa socialista, a independência de classe e a organização revolucionaria

Está colocada a mais ampla unidade de ação contra os ataques do imperialismo e também da extrema direita. São importantíssimas as mobilizações contra as agressões militares de Trump e as ameaças a Cuba e à soberania da América Latina, sem qualquer apoio político à ditadura iraniana ou da Venezuela, as quais, dentro de seus países, reprimem de forma brutal seu próprio povo e servem aos capitalistas.

Isso deve se combinar com a luta dos trabalhadores pelas suas necessidades imediatas como o fim da escala 6×1 de verdade, sem redução do salário e com redução da jornada. É necessário travar uma dura luta para, no interior da classe operária, fomentar a organização e a luta independente, disputando a consciência para um programa socialista e revolucionário. Só é possível fazer isso enfrentando a conciliação de classes e a pressão da institucionalidade burguesa, que apontam para as eleições como única saída e não como ponto de apoio para a organização e a mobilização dos trabalhadores, além da denúncia do próprio regime.

A pré-candidatura de Hertz Dias à Presidência está a serviço deste projeto. Uma alternativa independente da classe trabalhadora, revolucionária e socialista, para servir como ponto de apoio e impulsionador de um programa socialista e uma estratégia que coloque no horizonte um novo tipo de sociedade, sem exploração ou opressão.

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