Meio ambiente

O planeta está em colapso climático por excesso de bilionários

Jeferson Choma

21 de janeiro de 2026
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12 bilionários mais ricos estão no topo do 1% que consome cota anual de carbono em apenas 10 dias | Foto: Getty Images

A concentração extrema de riqueza e a crise climática se cruzam: os 12 bilionários mais ricos estão no topo do 1% que consome cota anual de carbono em apenas 10 dias.

A desigualdade tem cheiro de fumaça de carvão, gás e petróleo. Os dados mais recentes da Oxfam, divulgados em 10 de janeiro, escancaram uma verdade incômoda que governos e elites insistem em tratar como abstração econômica: a crise climática é, antes de tudo, um projeto de classe. O mesmo punhado de pessoas que concentra riqueza em escala obscena é aquele que consome, em ritmo implacável e suicida, o orçamento global de carbono, empurrando o planeta para o abismo climático.

Segundo a Oxfam, o 1% mais rico da população mundial esgota sua cota anual de emissões compatível com o limite de 1,5°C em apenas 10 dias. Dez dias! Enquanto isso, a metade mais pobre da humanidade levaria 1.022 dias, ou seja, quase três anos, para emitir a mesma quantidade de CO₂.

Os números são eloquentes. O orçamento anual de carbono por pessoa, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), é de 2,1 toneladas de CO₂ para que o mundo tenha chance de conter o aquecimento global em 1,5°C. O 1% mais rico emite, em média, 76 toneladas por pessoa ao ano. Já a metade mais pobre emite apenas 0,7 tonelada. A matemática é simples: quem menos polui paga com secas, enchentes, fome e morte; quem mais polui compra tempo, proteção e influência política.

Esse abismo não é acidental. Ele é produto de um sistema dominado por um punhadinho de bilionários. Segundo a própria Oxfam, apenas os 12 indivíduos mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que os 4 bilhões mais pobres.

A Oxfam estima que as emissões do 1% mais rico desde 1990 já causaram, e continuarão causando, trilhões de dólares em danos econômicos, perdas agrícolas massivas e milhões de mortes por calor extremo. Até 2050, essas emissões podem gerar perdas agrícolas suficientes para alimentar 10 milhões de pessoas por ano apenas no Sul e no Leste da Ásia. Não por acaso, 80% das mortes por calor extremo ocorrerão em países de baixa e média-baixa renda, ou seja, nas áreas tropicais.

Riqueza extrema x Colapso ambiental

O vínculo entre riqueza extrema e colapso ambiental se aprofunda quando se observa a dinâmica recente do capital. Em 2025, a fortuna dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões em apenas um ano, alcançando US$ 18,3 trilhões. Um montante suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes, segundo a própria Oxfam. Ainda assim, uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta insegurança alimentar.

Essa concentração obscena não ocorre à margem da política. Ao contrário, depende dela. Os super-ricos exercem influência direta sobre governos, moldam regulações, dirigem os Estados e bloqueiam qualquer tentativa de controle ambiental efetivo, como ficou explícito com o fracasso da COP 30, realizada em Belém.

O Brasil, governado por Lula, não está fora desse retrato global. O país lidera o ranking de bilionários na América Latina, com 66 pessoas que concentram cerca de US$ 253 bilhões, quase 20% do Orçamento da União de 2026. Ao mesmo tempo, mantém uma política pautada na austeridade fiscal e um modelo econômico que aprofunda a dependência do país em relação ao imperialismo mundial, como demonstra o recente acordo com a União Europeia, um acordo neoliberal e neocolonial, que tende a impulsionar ainda mais o agronegócio e, consequentemente, resultar em maior destruição ambiental. O resultado é conhecido: desigualdade social profunda, vulnerabilidade climática crescente e políticas ambientais permanentemente sob ataque.

A crise climática não será resolvida com apelos morais ou soluções de mercado. Ela exige confronto político e a superação do sistema capitalista que a criou. Enquanto os 12 mais ricos acumulam mais do que metade da humanidade e o 1% queima o futuro em dez dias, falar em “responsabilidade de todos” é de um cinismo atroz. Justiça climática só é possível com controle social da produção. O planeta não está em colapso por excesso de humanidade, mas por excesso de bilionários.

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