Trump aplica um tarifaço no Brasil no mesmo momento que retoma a absurda guerra contra o Irã, mostrando como o imperialismo está disposto a usar agressões comerciais, econômicas e até militares para tentar ampliar o controle dos seus monopólios sobre nações inteiras.
Mas nem quando o Brasil é atacado pelo imperialismo a burguesia brasileira se coloca contra a subordinação econômica a um país estrangeiro. Pelo contrário, todos os principais setores capitalistas do país estão contra qualquer medida de reciprocidade ou retaliação. Fiesp, Fenatac, Abimaq e muitos outros. Defendem, ao invés disso, ampliar a submissão do país aos EUA.
Nesse mesmo sentido vai Flávio Bolsonaro, que é um traidor da pátria lambe-botas dos EUA e propôs adiar o tarifaço, já que garantia a Marco Rubio que atenderia tudo que os EUA quisesse caso fosse eleito. Enquanto fechávamos esta edição, inclusive, acabava de realizar uma reunião com embaixadores atacando as urnas eletrônicas. Algo que seu pai já havia tentado fazer e tem um sentido bem definido: deslegitimar um resultado que não o agrade e buscar apoio a seu chefe na Casa Branca. Um golpista capacho dos EUA como o resto da família e da extrema direita.
E o governo Lula? Que atitude tomará? Apesar de toda retórica em defesa da soberania, o governo não adotou nenhuma medida prática real contra mais essa agressão econômica imperialista. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, chegou a afirmar que “olho por olho deixa os dois cegos”, enquanto o próprio Lula diz que o Brasil não sairá da mesa de negociação nem aumentará o antagonismo com os EUA. Enquanto liberam bilhões para as grandes empresas afetadas pelas tarifas de Trump, seguem negociando e fazendo as concessões que julgam possíveis em benefício das multinacionais dos EUA que já dominam a economia nacional.
Dois projetos com diferentes formas de submissão ao imperialismo
Vivemos há anos uma polarização no Brasil entre Lula e Bolsonaro. Ambos representam diferentes projetos políticos. O bolsonarismo é completamente alinhado a Trump e ao projeto autoritário da extrema direita mundial. Enquanto o governo do PT preferiria, na verdade, submeter-se a uma ala do imperialismo diferente, mais ligada aos democratas e aos defensores, pelo menos em palavras, da democracia dos ricos.
Lula defende também a entrega do país para outros setores do imperialismo, como o europeu e o chinês. Já Bolsonaro não teria problema em se alinhar exclusivamente aos EUA, embora Lula não negue acordos com Trump, tampouco Bolsonaro com a China. Tudo isso serve de evidência de que a disputa entre os setores imperialistas no mundo contribuem para diferentes tipos de disputas no Brasil.
Ou seja, Lula e Bolsonaro têm projetos diferentes sobre como administrar o capitalismo brasileiro e inclusive na sua relação com o imperialismo. Mas a primeira ressalva é que ambos se mantêm nos marcos do sistema atual. Apesar de várias diferenças, nenhum dos dois projetos defende a soberania nacional de fato a ponto de propor a ruptura com algum setor do imperialismo.
É preciso enfrentar as engrenagens do sistema
Combinar a luta em defesa da soberania com a luta pelas reivindicações dos trabalhadores, como a luta pelo fim da escala 6x1, por aumento geral dos salários rumo ao salário do Dieese, ampliação dos investimentos nas áreas sociais, é fundamental.
Aqui voltamos ao governo Lula. A proposta do fim da 6x1 empacou no Senado por responsabilidade do centrão e também do governo. Assim como a política de aumento do salário mínimo é ínfima e vagarosa, dependendo do crescimento do PIB e limitada a um teto de 2,5% de aumento real, tudo isso por conta do arcabouço fiscal criado pelo governo Lula. A extrema direita e o centrão defendem piorar o que já não está bom e querem aprofundar os ataques contra os trabalhadores.
Mesmo quando medidas progressivas são aprovadas, elas se dão com muita luta dos trabalhadores e são deturpadas ou destruídas pelos capitalistas logo em seguida. Por isso, é necessário avançar com uma série de medidas para enfrentar as engrenagens do sistema.
Junto com isso, a criação da Terrabras para explorar e refinar as terras raras 100% pelo Brasil, sob controle dos trabalhadores. Assim como reestatizar os setores-chave da economia brasileira que estão nas mãos da burguesia brasileira e internacional, controlando grande parte do PIB, mas com o excedente indo engordar seus lucros e não para gerar industrialização e investimentos no país, muito menos para resolver os problemas estruturais de desigualdade social, miséria e péssimas condições de vida da classe trabalhadora.
Fortalecer uma oposição de esquerda, revolucionária e socialista
Então, ao PT fazer um governo a serviço dos capitalistas, ele não é capaz de enfrentar o imperialismo, tampouco garantir as medidas necessárias para melhorar a vida dos trabalhadores. Também não ajuda na derrota da própria extrema direita, tanto que segue com peso na sociedade mesmo após mais quatro anos de governo lula.
É por isso que precisamos construir uma alternativa de esquerda, mas que seja revolucionária e socialista. É óbvio que a extrema direita é perigosa aos trabalhadores. Mas também é óbvio que o chefe dela a quem Flávio Bolsonaro bate continência é Trump, com quem Lula segue negociando sem enfrentar. Então, quem ajuda a extrema direita? Quem constrói uma alternativa revolucionária e socialista ou quem governa junto com a direita a favor dos capitalistas e imperialistas?
Não existe alternativa para a esquerda por dentro da base de apoio ao governo Lula. Inclusive para poder derrotar a extrema direita para valer é preciso superar a conciliação de classes do PT, que mantém um programa nos estreitos limites do sistema e do regime.
É preciso retomar a noção de que o programa efetivo para os trabalhadores é aquele que ajuda a ampliar sua consciência, sua capacidade de organização e sua luta contra o capitalismo e pelo socialismo. Por isso, construímos as pré-candidaturas da esquerda revolucionária do PSTU.