Primeiro mês da guerra arrasta Trump a um impasse
É preciso tomar as ruas para derrotar Trump e o Estado de Israel
Aproximando-se do primeiro mês desde o início da agressão militar estadunidense e israelense contra o Irã e o Líbano, o presidente Trump não encontra respostas fáceis para superar a crise internacional do petróleo e a surpreendente estratégia militar iraniana.
No dia 22 de março, Trump fez declarações sinalizando negociações para o fim da guerra e o adiamento dos ataques às centrais elétricas iranianas por cinco dias. O objetivo dessas declarações foi evitar a alta desenfreada do preço do barril de petróleo e ganhar tempo para decidir uma saída, seja para o fim da guerra, seja para aprofundar a agressão.
Na verdade, a tática iraniana de atacar os países árabes com bases estadunidenses, que são todos grandes produtores de petróleo e gás, e de bloquear o Estreito de Ormuz está, neste momento, prevalecendo sobre a enorme superioridade militar dos Estados Unidos e de Israel.
Aposta arriscada
No entanto, as perspectivas de cessar-fogo via negociação são muito difíceis. Trump apresentou uma pauta de exigências ao Irã que configuram uma rendição, o que não corresponde ao atual estágio do conflito. Trump quer nada menos que o fim completo do programa nuclear e de mísseis balísticos iranianos, o fim do apoio aos aliados na região, como Hezbollah, Hamas, o iraquiano Hashd Shaabi e o iemenita Ansar Allah (mais conhecidos como Houthis), além da abertura irrestrita do Estreito de Ormuz. E tudo isso em troca de um cessar-fogo e de algum alívio nas pesadas sanções econômicas imperialistas.

Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã
No entanto, o regime iraniano, fortalecido pela crise energética internacional da qual ele tem o controle neste momento, exige as justas reparações de guerra por todas as mortes e destruição provocadas pela agressão estadunidense e de seus asseclas sionistas, além do fim das criminosas sanções econômicas e garantias de que os Estados Unidos e Israel não voltarão a agredir o país, o que passa pelo fim das bases estadunidenses em todo o Oriente Médio.
As negociações são realizadas por intermediários: os governos do Paquistão, da Turquia, do Egito e de Omã. Mas não há sinais evidentes de que possam frutificar no curto prazo sem configurar uma derrota para um dos lados.
Como alternativa, Trump aguarda a chegada de um reforço naval com dois mil fuzileiros, previsto para ocorrer no dia 27, e, dessa forma, tentar uma invasão terrestre na estratégica ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano, ou em outras ilhas e territórios ao redor do Estreito de Ormuz. Pode ainda tentar o arriscadíssimo envio de comandos militares para Isfahan em busca dos 404 kg de urânio enriquecido cujo destino é desconhecido, mas pode estar nos subterrâneos dessa cidade.
A aposta no aprofundamento da agressão militar é muito arriscada, pois o Irã demonstrou que pode não apenas atingir os principais centros de exploração de petróleo e gás da região, mas também lançar mísseis contra alvos israelenses menos protegidos como ocorreu nas cidades de Dimona e Arad, no deserto do Nakab, ou ainda alvos a 4 mil quilômetros de distância como a base britânica de Diego Garcia no meio do Oceano Índico. Há ainda informações desencontradas sobre o abate de um moderno avião F-35 de fabricação estadunidense nos céus de Teerã, o que seria um grande golpe sobre a covarde agressão aérea de Trump e Netanyahu.

Avião norte-americano é abatido por forças iranianas
Palestina
Israel continua o genocídio na Palestina e a expansão territorial
Para o Estado de Israel, a guerra vai bem. Por um lado, o genocídio e a limpeza étnica contra o povo palestino em Gaza e na Cisjordânia continuam a todo vapor, apoiados pelo “Conselho da Paz” de Donald Trump e pela cortina de fumaça propiciada pela agressão ao Irã.
Além disso, os sionistas planejam uma expansão territorial no sul do Líbano e da Síria. No Líbano, já assassinaram mais de mil libaneses e expulsaram um milhão de pessoas, além da destruição de bairros e vilas no sul do país, na capital Beirute e no vale do Bekaa. Seu plano é ocupar o território libanês até o rio Litani e eventualmente continuar até Beirute. Contam com a omissão do governo libanês, que se limita a pedir negociações com o agressor, além de ameaçar reprimir a resistência libanesa, em vez de conclamar o povo a enfrentar a invasão israelense de armas na mão.
Na Síria o plano israelense é ocupar o sul do país, desde as colinas do Golã até a província de Sweida, passando pelas províncias de Quneitra e Daraa. O governo sírio aposta na ajuda diplomática de seus aliados turcos e da Liga Árabe, cujo apoio não conseguiu paralisar os avanços regulares dos sionistas.
É evidente que para desenvolver esse plano rumo à “Grande Israel”, os sionistas dependem do apoio militar, político, diplomático e financeiro do imperialismo estadunidense e da tradicional cumplicidade internacional dos 62 países denunciados pela relatora da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese.
Ganhando com a guerra
O oportunismo imperialista russo e chinês
O imperialismo russo, um dos principais beneficiários da guerra, mantém seu papel de grande exportador de petróleo para a máquina genocida sionista. Além disso, negocia com o governo Trump o fim do fornecimento de informações logísticas ao Irã em troca do fim do fornecimento de informações logísticas por parte dos Estados Unidos para a Ucrânia.
Já o imperialismo chinês está se tornando outro beneficiário da guerra. O petróleo iraniano continua fluindo para suas refinarias, e suas extensas reservas estratégicas garantem, por enquanto, o funcionamento da economia. Ao mesmo tempo, consolida sua política de transição energética para evitar sua dependência de combustíveis fósseis e se beneficia com a perda de credibilidade do imperialismo estadunidense, apresentando-se como um imperialismo mais previsível e confiável (ainda que continue sendo imperialismo).

Destruição em Teerã Foto IRNA
Povo iraniano
Contra a agressão imperialista e contra a ditadura
O povo iraniano enfrenta uma situação muito difícil. De um lado, o número de mortos vítimas da agressão imperialista já passa dos dois mil, além de ampla destruição de escolas, hospitais, indústria farmacêutica, reservatórios de petróleo, centros de produção e distribuição de gás, o que ameaça a sobrevivência da população. Por outro lado, a ditadura executou três presos políticos que participaram de uma onda de protestos populares há três meses.
O grau de destruição é tão grande, que até o filho do ex-xá Reza Pahlavi criticou o bombardeio de sua antiga residência no norte de Teerã. Para este senhor, sua antiga residência é muito mais importante que as vidas dos dois mil iranianos mortos, ou que os dez milhões de habitantes de Teerã que sofrem com a chuva ácida, ou ainda que as 175 vítimas do bombardeio de uma escola, a maioria das quais meninas de 7 a 12 anos de idade.
Reza Pahlavi apoia a agressão militar ao Irã e por isso as forças monarquistas que ele lidera perdem credibilidade entre a população dentro e fora do país.
Por outro lado, a base social da ditadura iraniana se moraliza e se fortalece com os sucessos na defesa do país.
Já os setores operários e populares de oposição à ditadura se opõem aos criminosos ataques imperialistas e entendem que é necessário o fim da agressão para retomar sua luta por liberdades democráticas e condições de vida.
Derrotar Trump e Israel
Às ruas contra os imperialismos!
Para o PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional, a derrota militar dos Estados Unidos e de Israel representará um avanço para a luta do povo iraniano e de todos os povos árabes. Isso também demonstrará que nem mesmo as mais poderosas potências são invencíveis. Por este motivo nos colocamos na mesma trincheira militar do regime iraniano, do Hezbollah, e da resistência Palestina contra a criminosa agressão estadunidense e israelense.
Mas isso não significa dar apoio político à ditadura iraniana ou ao eixo da resistência. Ao contrário, o regime iraniano pode a qualquer momento fazer um acordo com as forças imperialistas e sionistas para garantir a sua sobrevivência, abandonando a resistência Palestina e Libanesa, como fez em outubro de 2023 e 2024 respectivamente em meio ao genocídio em Gaza e aos massacres no Líbano.
Por isso, não podemos depositar qualquer confiança política, mas sim exigir da ditadura iraniana a liberdade dos presos políticos, o armamento da população para enfrentar uma eventual invasão terrestre imperialista, além do aumento de salários e a entrega de alimentos para toda a população, em particular o um milhão de deslocados, para enfrentar a carestia.

Manifestação contra o envio de petróleo ao Estado de Israel
Lula, pare o envio de petróleo a Israel!
Por fim, cobramos do governo Lula medidas em solidariedade aos povos agredidos no Irã, no Líbano e na Palestina. Os trabalhadores petroleiros e petroleiras cariocas apresentaram uma boa proposta: parar o envio de petróleo para Israel e enviar esse mesmo petróleo para Cuba, rompendo o bloqueio energético imposto pelo presidente Trump. Dessa forma, acertamos os dois agressores, Estados Unidos e Israel, com uma só cajadada.
De toda forma, é fundamental que a classe trabalhadora e a juventude em todos os países tomem as ruas pela derrota da agressão imperialista e em solidariedade com o povo palestino, libanês e iraniano. Temos o protesto “No Kings”, no dia 28 de março, nos Estados Unidos, e o Dia da Terra Palestina em todo o mundo, que são momentos oportunos para expressar o apoio operário e popular aos povos oprimidos contra os imperialismos.