Racismo e transfobia na Assembleia Legislativa de SP: cassação já de Fabiana Bolsonaro
O que aconteceu na Assembleia Legislativa de São Paulo no dia 18 de março passa de qualquer limite mínimo do debate político. A deputada Fabiana Bolsonaro (PL) cometeu um ato abertamente racista ao pintar o rosto de preto, prática conhecida como blackface, enquanto fazia um discurso transfóbico contra mulheres trans, atacando diretamente a deputada Erika Hilton (PSOL-SP). Não se trata de um “exagero”, nem de “liberdade de expressão”. Trata-se de racismo e transfobia em sua forma mais explícita, dentro do próprio plenário.
O blackface tem uma história longa de violência simbólica contra a população negra. Surgido como prática racista para ridicularizar pessoas negras, ele sempre esteve associado à desumanização, à caricatura e à legitimação da opressão. A vereadora estava não só repetindo um gesto ofensivo, mas também afirmando politicamente que esse tipo de violência é aceitável. E, no caso em questão, fez isso para sustentar outro ataque reacionário, ao negar a identidade de pessoas trans com uma comparação grotesca e ofensiva.
Isso não é um caso isolado. A extrema direita tem utilizado cada vez mais esse tipo de provocação como método político. Trata-se de criar situações de choque, deslocar os limites do debate e transformar o preconceito em instrumento de mobilização. Foi assim nos ataques às universidades, nas agressões a estudantes, nas campanhas contra direitos das mulheres e da população LGBTQIA+. O objetivo é normalizar a violência e construir uma base social a partir do ódio e da divisão entre os de baixo.
Essa política não é acidental. O racismo, a transfobia e o machismo cumprem um papel dentro do sistema capitalista, ajudando a fragmentar a classe trabalhadora e a manter privilégios e hierarquias sociais. Ao atacar mulheres, negros e pessoas trans, a extrema direita busca impedir a unidade dos explorados, desviando a revolta social para alvos falsos enquanto preserva os interesses dos de cima. É por isso que esses ataques aparecem com tanta força em momentos de crise: eles são parte da tentativa de reorganizar a dominação social em bases ainda mais reacionárias.
Diante disso, não basta indignação. A atitude da deputada configura quebra de decoro parlamentar e crime. É necessário exigir uma resposta à altura. A permanência de Fabiana Bolsonaro no cargo significaria legitimar o racismo e a transfobia dentro da Alesp. Por isso, é preciso ser categórico: ela deve ser cassada.
Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer os limites das próprias instituições que agora são chamadas a agir. A história recente mostra que o racismo e a violência contra pessoas trans seguem amplamente impunes no Brasil. Por isso, o enfrentamento à extrema direita não pode depender apenas de medidas institucionais. Ele exige mobilização, organização e luta independente da classe trabalhadora, unificando todos os setores oprimidos contra aqueles que atacam nossos direitos.
O episódio na Alesp é escandaloso e um alerta. Mostra até onde a extrema direita está disposta a ir e o que está em jogo no próximo período. Não dá para relativizar: racismo e transfobia são crimes e incentivam a violência, e quem utiliza um mandato público para propagar esse tipo de ataque não pode continuar no cargo.
Cassação já de Fabiana Bolsonaro.