Mulheres

RN: Na cidade de Natal, temos mais uma vítima da barbárie que o capitalismo provoca às mulheres

PSTU-RN

23 de abril de 2026
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Pétala Yonah Silva Nunes foi violentada sexualmente e depois assassinada pelo ex-padrasto

Érica Guarani, de Natal (RN)

Pétala Yonah Silva Nunes estava desaparecida desde a tarde do domingo (19), quando saiu de casa. Depois de muita procura, ex-padrasto da criança confessou que violentou sexualmente, a matou Pétala e enterrou o corpo no próprio quintal de casa. Ele foi preso na segunda-feira (20).

O assassinato da pequena Pétala, de apenas 7 anos, não é apenas uma estatística fria nos relatórios de segurança: é um grito de horror que ecoa das entranhas de uma sociedade adoecida pelo patriarcado. Encontrada sem vida no quintal daquele que deveria ser uma figura de proteção, sua morte representa a interrupção brutal de uma infância que mal havia florescido, sacrificada no altar do sentimento de posse e da misoginia mais covarde.

​Falar de Pétala exige indignação. O corpo de uma criança, depositado como descarte no terreno de um ex-padrasto, é a prova final de que, para o agressor machista, a mulher e seus filhos não são seres humanos, mas propriedades que podem ser destruídas caso o controle se perca. O drama dessa perda é incomensurável: uma mãe que chora o vazio absoluto, uma comunidade periférica ferida e uma infância de mais uma criança negra que foi roubada sob o peso da violência vicária, aquela que atinge a mulher através do sofrimento e da morte de seus filhos.

​O Brasil assiste, quase paralisado, a uma escalada de sangue. Em 2025, atingimos o ápice histórico com 1.470 mulheres e meninas assassinadas pelo fato de serem mulheres. Esse aumento de mais de 300% em uma década reflete um país onde o ódio de gênero se tornou uma epidemia não combatida com a seriedade necessária pelo Estado burguês. Mais uma dado estarrecedor de 2024, é Natal estar entre as capitais mais violentas para crianças no Brasil, Natal ocupa o terceiro maior índice de violência sexual infantil do país.

​A tragédia de Pétala tem cor e classe social. São as meninas da classe trabalhadora, moradoras de periferias, as maiores vítimas dessa estrutura.

​O desamparo

Enquanto o Estado gasta bilhões para proteger o patrimônio da elite, as mulheres trabalhadoras enfrentam delegacias sem recursos e a ausência de políticas públicas que cheguem à ponta, onde a violência acontece.

​A opressão vem como ferramenta. O capitalismo utiliza o machismo para manter a classe trabalhadora fragmentada e as mulheres em situação de submissão econômica e psicológica.

​A morte de Pétala é um crime político e social. Não basta lamentar. É preciso destruir as bases que permitem essa barbárie. O combate à opressão exige, ​a não impunidade, a luta por educação sexual, vigilância e proteção mútua, sem confiar cegamente nas instituições de um Estado que é, em sua essência, machista. É urgente varrer a ideologia de “posse” das escolas e locais de trabalho, tratando o machismo como o inimigo mortal da unidade trabalhadora.

​Acolhimento real: ocupar espaços públicos para transformá-los em centros de apoio geridos pela comunidade, garantindo que nenhuma mulher ou criança precise conviver com seu agressor por falta de teto ou pão.

​A morte de Pétala nos obriga a transformar o luto em luta. Não aceitaremos que o destino das nossas meninas seja o quintal da opressão. Pelo fim do machismo, pelo fim do capitalismo, pela vida de todas as Pétalas.

Pétala presente: hoje e sempre! Toda solidariedade à família de Pétala!

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