Rodoviários cruzam os braços em Salvador e enfrentam patrões por direitos e valorização salarial

Após quase dois meses de negociações sem acordo, categoria deflagra greve por tempo indeterminado exigindo reajuste salarial, redução da jornada e melhores condições de trabalho

Roberto Aguiar, da redação
Rodoviários cruzam os braços em Salvador e enfrentam patrões por direitos e valorização salarial

Os rodoviários de Salvador iniciaram nesta sexta-feira (22) uma greve por tempo indeterminado após o fracasso das negociações da campanha salarial da categoria. A paralisação é resultado de quase dois meses de negociações sem acordo entre o Sindicato dos Rodoviários e os empresários do setor.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores está um reajuste salarial que garanta a reposição da inflação do período acrescida de 5% de ganho real. A categoria também reivindica aumento do ticket-alimentação, redução da jornada diária para seis horas, revisão das escalas de trabalho, diminuição das jornadas excessivas, implantação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), estabilidade para trabalhadores próximos da aposentadoria e melhorias nas condições de trabalho.

Do outro lado da mesa de negociação, os empresários apresentaram uma proposta de reajuste de 4,26% para salários, ticket-alimentação e cesta básica. A oferta foi considerada insuficiente pelos trabalhadores, que argumentam que o percentual não garante valorização salarial nem atende às demais demandas da campanha.

A greve foi aprovada em assembleia após sucessivas rodadas de negociação mediadas por órgãos públicos, incluindo a Superintendência Regional do Trabalho e o Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-5). Segundo o sindicato, além da questão salarial, houve resistência patronal em atender reivindicações relacionadas à jornada e à organização do trabalho, temas apontados pela categoria como fundamentais para a melhoria da qualidade de vida dos rodoviários.

A paralisação ocorre em um contexto de crescente insatisfação dos trabalhadores do transporte coletivo diante da intensificação do trabalho e da perda do poder de compra dos salários. Para os rodoviários, a mobilização é uma resposta à falta de avanços concretos nas negociações e uma forma de pressionar os empresários a apresentarem uma proposta que contemple as necessidades da categoria.

A greve dos rodoviários coloca em evidência uma realidade enfrentada por diversas categorias no país: enquanto o custo de vida segue aumentando e as jornadas de trabalho se tornam cada vez mais desgastantes, empresários resistem em atender reivindicações que garantam valorização salarial e melhores condições de trabalho. Nesse cenário, a organização e a mobilização dos trabalhadores seguem sendo instrumentos fundamentais para a conquista e defesa de direitos.

Para o PSTU, a atual greve também evidencia os limites do modelo de transporte coletivo controlado por empresas privadas. "Enquanto os empresários alegam dificuldades financeiras para atender às reivindicações dos rodoviários, a população enfrenta diariamente tarifas elevadas, superlotação e um serviço frequentemente precário. Por isso, o partido defende a municipalização do transporte público sob controle dos trabalhadores e da população, com abertura das planilhas de custos e gestão transparente do sistema", afirma Victor Marinho, presidente do diretório municipal do PSTU em Salvador.

"O transporte deve ser tratado como um direito social e não como fonte de lucro para grupos empresariais, garantindo melhores condições de trabalho para os rodoviários e um serviço de qualidade para a população", completa.

O PSTU manifesta apoio à greve dos rodoviários de Salvador e se coloca ao lado da categoria na defesa de suas reivindicações. A luta por salários dignos, melhores condições de trabalho e valorização dos trabalhadores do transporte público é legítima e necessária, especialmente em um setor essencial para o funcionamento da cidade.

"Defendemos que as demandas apresentadas pelos rodoviários sejam atendidas e reafirma sua solidariedade à mobilização em curso, fortalecendo a unidade entre trabalhadores do transporte e usuários na luta por um sistema público, de qualidade e a serviço da maioria da população", finaliza Victor Marinho.

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