Nacional

SP: É preciso ir às ruas contra o aumento da passagem

Bruno Teixeira, de São Paulo (SP)

6 de janeiro de 2026
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Prefeito de SP, Ricardo Nunes, e o governador Tarcísio de Freitas Foto Reprodução

Mal começou o ano, e os trabalhadores de São Paulo já enfrentam mais um ataque do prefeito Ricardo Nunes e do governador Tarcísio. No apagar das luzes de 2025, em 29 de dezembro, foi anunciado o reajuste das passagens de ônibus e metrô.

A tarifa de ônibus em São Paulo aumentou de R$ 5,00 para R$ 5,30, e a do metrô subiu de R$ 5,20 para R$ 5,40. Para quem mora na Região Metropolitana e trabalha na capital, a situação é ainda pior, pois também vão ocorrer aumentos em toda a região metropolitana.

Esse reajuste impacta diretamente a vida dos trabalhadores, especialmente dos mais pobres. O gasto com transporte aumenta, o salário, que já é baixo, rende menos, e sobra menos dinheiro para alimentação, saúde e lazer.

A farra das empresas de ônibus com o dinheiro público em SP

O aumento de 6% nas tarifas é um escândalo. Ele é superior à inflação, que foi de 4,5%, e serve apenas para garantir o lucro das empresas de transporte. Em 2025, essas empresas arrecadaram pelo menos R$ 4 bilhões com as tarifas. Além disso, receberam ao menos R$ 6 bilhões em subsídios públicos, totalizando cerca de R$ 10 bilhões.

Como revelado no início do ano pela operação policial Fim da Linha, parte desse dinheiro é apropriada pelo crime organizado que atua nas empresas de ônibus. Para ampliar ainda mais os lucros, essas empresas impõem péssimas condições de trabalho a motoristas e cobradores, tanto que, no fim do ano, a categoria precisou entrar em greve para garantir o pagamento do 13º salário.

Ou seja, bilhões de reais são apropriados por empresas privadas, beneficiando famílias tradicionais do setor e o crime organizado, enquanto a população enfrenta ônibus lotados, demorados, e trabalhadores submetidos à precarização.

Por isso, defendemos a reestatização do transporte público sob controle dos trabalhadores. São eles que devem decidir sobre investimentos e gastos. Em vez de garantir lucro a empresários, esse dinheiro deve ser usado para assegurar tarifa zero para a população.

Com o metrô não é diferente

O governador Tarcísio deixa evidente seu projeto de entregar o patrimônio público de São Paulo aos grandes empresários — e faz isso também com o sistema metroferroviário. O transporte público é cada vez mais sucateado: menos trabalhadores, piores condições de trabalho e trens em situação precária.

Isso acontece porque grande parte da arrecadação das tarifas é direcionada às empresas privadas. Uma pesquisa recente da UOL mostrou que, do dinheiro arrecadado com o Bilhete Único, as empresas privadas do transporte metroferroviário receberam quatro vezes mais do que o Metrô e a CPTM, mesmo transportando menos da metade dos passageiros.

Portanto, o aumento das passagens não melhora o serviço público. Ele vai direto para o bolso dos donos da CCR (que administra as linhas 4, 5, 8 e 9) e também para o Grupo Comporte, que assumirá as linhas 11, 12 e 13 de trem.

É preciso ir às ruas para barrar o aumento!

É necessário reverter imediatamente o aumento das passagens e reestatizar o transporte público, sob controle dos trabalhadores. Os programas de tarifa zero sem a estatização alimentam a mesma lógica privatista que enriquece a máfia dos transportes. Defendemos a estatização para ter tarifa zero sem subsídios aos grandes empresários.

O dinheiro público deve servir à população e ser controlado por ela, não por meia dúzia de acionistas. Por isso é fundamental construir um plano de lutas que unifique o combate ao aumento das tarifas e às privatizações dos trens e metrôs. É preciso ocupar as ruas. O PSTU se coloca à disposição para construir essa luta junto aos trabalhadores e aos movimentos sociais.

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