Movimento

SP: Nova greve unificada contra as privatizações de Tarcísio é marcada para o dia 28

Camilo Martin, Diretor do Sindicato dos Metroviários de SP e militante do PSTU

8 de novembro de 2023
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Dando continuidade à luta contra as privatizações, os sindicatos dos metroviários e o dos trabalhadores da CPTM (trens) e da Sabesp (água e saneamento básico) se reuniram novamente para impulsionar um calendário de mobilização, com a definição de uma nova greve, no dia 28 de novembro.

A força da greve do dia 3 de outubro parou São Paulo e mostrou a possibilidade de derrotar a política de privatização do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador ficou desmoralizado diante da população, principalmente após mais uma falha na linha 9, de trens, concedida à CCR, horas depois dele propagandear a privatização como solução de todos os problemas. 

Não por acaso uma pesquisa do site UOL, no dia da greve, indicou que 84% dos entrevistados apoiavam a paralisação.

A greve do dia 28 pode ser ainda mais forte, com a participação de outras categorias. Os professores da rede estadual, trabalhadores da Saúde (Sindsaúde), da Fundação Casa (atendimento socioeducativo) e do Centro Paula Souza (escolas e faculdades técnicas) já anunciaram adesão. É preciso avançar na construção de uma greve geral do funcionalismo contra o projeto privatista de Tarcísio que só beneficia os bilionários.

Fim das punições!

Readmissão, já, dos metroviários!

Além do combate às privatizações e terceirizações, a greve vai exigir do governo a readmissão dos demitidos por lutar contra a privatização.

No dia 24 de outubro, a direção do Metrô anunciou oito demissões e uma suspensão. Dos demitidos, quatro são diretores do sindicato, entre eles o vice-presidente Narciso Soares e o ex-presidente Altino Prazeres, ambos militantes do PSTU. São demissões políticas, para tentar intimidar os que estão na linha de frente da luta.

Infelizmente, entre os metroviários isso não é novidade. Em 2014, o então governador Geraldo Alckmin (ainda no PSDB), hoje vice-presidente de Lula, demitiu 42 trabalhadores, que só foram readmitidos após muita luta. É fundamental que as organizações da classe trabalhadora se somem à campanha pela readmissão e assinem o Manifesto lançado pelo Sindicato dos Metroviários.

Unidade contra as privatizações

CUT, CTB, Força Sindical e organizações de esquerda precisam unificar o movimento

Em São Paulo, a greve do dia 28 de novembro tem potencial para aprofundar a rejeição a Tarcísio e ao seu plano de privatização, que inclui entregar a Sabesp ainda este ano. 

Derrotar as privatizações é de importância para todos os trabalhadores e trabalhadoras que serão afetados pela precarização, ainda maior, dos serviços públicos, com demissões em massa, o aumento das tarifas e pelo desvio do dinheiro público para os cofres dos bilionários.

Não faltam exemplos da desgraça que as privatizações trazem, como a tragédia de Brumadinho (MG), o aumento da tarifa de água e saneamento no Rio de Janeiro e Manaus (AM) e, mais recentemente, o aumento da tarifa no Metrô de Belo Horizonte (MG), privatizado por Lula, e o apagão provocado pela ENEL, em São Paulo.

Do Norte ao Sul do país, os governos estão ampliando as privatizações. Não pode ser que as centrais sindicais se furtem de unificar as lutas, por receio de um movimento nacional contra as privatizações, porque isso poderia respingar em críticas às privatizações que estão sendo realizadas também pelo governo Lula.

Não é aceitável que o fortalecimento dessas lutas não seja prioridade das organizações de esquerda por preocupações com a agenda eleitoral, como acontece com Guilherme Boulos (PSOL) que, com medo de ser tachado de radical, pouco utilizou sua influência para apoiar os grevistas no dia 3 de outubro. A guerra contra as privatizações está sendo travada agora e não pode ser secundarizada pelo calendário eleitoral.

Ampliar o apoio popular contra as privatizações

Só é possível derrotar o governo bolsonarista de Tarcísio com apoio massivo às lutas contra as privatizações. Além de piorar os serviços, as privatizações têm gerado mais gastos, tudo pago com dinheiro do povo. São bilhões em subsídios para garantir a manutenção de tarifas e assegurar operação das empresas privadas com lucros bilionários.

É fundamental – ainda mais nesse período de crise do capitalismo, com muitos desempregados e subempregados – incorporar a luta pela Tarifa Zero e enfrentar o projeto de privatização do governo com um plano popular de serviços públicos. 

Um plano que institua passe livre no transporte, redução das tarifas e maior qualificação dos serviços públicos, usando justamente os subsídios que, hoje, são repassados aos bilionários. É hora de secar os privilégios para os bilionários e utilizar estes bilhões a serviço da maioria.

Nessa campanha, é necessário, ainda, defender a reestatização das empresas privatizadas que causam o caos na vida do povo, como as linhas 8 e 9, controladas pela Via Mobilidade. É preciso que as empresas reestatizadas sejam colocadas sob controle dos trabalhadores e dos usuários.