SP: Professores estaduais conquistam direito a trabalhar, em derrota para Tarcísio
Nesta terça-feira, dia 7 de abril, a luta por emprego de professoras e professores estaduais de São Paulo teve uma vitória importante.
Coroando a batalha que se arrasta desde o começo de 2026, as barreiras que impediam a atribuição de aulas foram derrubadas. Um contingente que, em dado momento, chegou a 40 mil profissionais desempregados será beneficiado com a conquista.
Segundo a Professora Flavia Bischain, dirigente da subsede Oeste-Lapa da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) e oposição à direção estadual do sindicato, o Comando de Mobilização local fez um protesto “na frente do DIPES, o departamento de recursos humanos da Seduc (Secretaria de Educação)”. “A gente do coletivo Reviravolta teve lá semana passada com dezenas de professoras e professores, fizemos uma pressão e conseguimos ser recebidos”, conta.
“Voltamos nesse dia 7 de abril… eles tentaram fechar a porta, mas a gente conseguiu entrar e conseguimos o compromisso que professores com farol amarelo poderiam participar do processo de atribuição. Até quinta isso seria regularizado. Batemos o pé que os professores que estavam no farol vermelho também tinham que ter direito”, explica, se referindo aos conceitos que a gestão estadual usa para permitir ou não o acesso dos trabalhadores à atribuição de aulas.
“Eles ficaram de levar essa demanda pra Seduc. De fato, na noite deste dia 7, saiu o comunicado do DIPES garantindo que os professores e professoras barrados pelo falso farol de desempenho podem sim participar do processo de atribuição de aulas”, conclui.

A conquista inclui professores que passaram pela quarentena, fizeram o processo seletivo simplificado em 2025, são remanescentes do último concurso público ou se inscreveram no banco de talentos. Todos serão reclassificados, podendo assim participar da atribuição de aulas, como é chamado o momento em que os docentes montam sua jornada de trabalho.
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“Foi a mobilização que conquistou o direito ao emprego”
A direção da Apeoesp, composta majoritariamente por PT e PSOL, apostou desde o começo quase exclusivamente em medidas jurídicas e conversas a portas fechadas com o governo bolsonarista.
O limite dessa orientação se mostrou no fato de que a Seduc descumpriu sistematicamente as duas liminares que derrubaram as punições aos docentes, de acordo com a professora e dirigente da Oeste-Lapa, Cristiane Banhol.
A força para derrotar Tarcísio só poderia vir de outro lugar: a mobilização da categoria. A vitória deste dia 7 prova que a aposta do coletivo Reviravolta, do qual participa a militância do PSTU junto a dezenas de professoras e professores, se mostrou acertada.
“Agora, obviamente, a gente precisa seguir na luta pra garantir a reabertura das salas fechadas, do ensino noturno, fim da política de punição e das plataformas digitais, revogação das resoluções autoritárias e a valorização dos trabalhadores da educação”, defende Flavia.
Dia 9 e 10 a luta continua
A luta ainda não acabou. Para quinta e sexta, 9 e 10 de abril, está marcada uma greve dos professores estaduais.
“Embora a gente esteja vendo a direção do sindicato desmontar a luta, só com os professores, estudantes e comunidade na rua vamos derrotar Tarcísio”, afirma Cris Banhol. Os lutadores indígenas do território do Jaraguá também vão se somar a essa mobilização e, junto à Subsede Lapa, irão com dois ônibus para a assembleia dos professores, apoiando a luta da Educação e exigindo também a reforma da Escola Estadual Indígena Djekupe Amba Arandy e a reabertura da sala de leitura.
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O coletivo Reviravolta e a militância do PSTU estão jogando todas as forças para fortalecer essas datas. Na sexta, a assembleia está marcada para às 16h, no vão do MASP, na avenida Paulista.