Trabalhadores da JBS deflagram greve nos EUA. Todo apoio e solidariedade internacional!
Cerca de 3.800 trabalhadores da subsidiária da JBS, nos Estados Unidos, iniciaram, nesta segunda-feira (16), uma greve histórica na unidade da Swift Beef Co., em Greeley, no estado do Colorado. A paralisação marca a primeira greve em um abatedouro de carne bovina no país desde a década de 1980.
A decisão foi tomada após meses de negociações sem avanço e denúncias de práticas antissindicais e ataques trabalhistas por parte da empresa. Segundo o sindicato local, o UFCW-7 (United Food and Commercial Workers Local 7), a direção da JBS se recusou a avançar em pontos centrais, ao mesmo tempo em que intensificou a pressão sobre os trabalhadores, com intimidações, reuniões individuais para desfiliação sindical e ameaças de retirada de benefícios caso a greve fosse deflagrada.
A greve foi aprovada de forma massiva: 99% dos trabalhadores votaram pela paralisação, rejeitando a proposta patronal.
Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial, melhores condições de segurança e controle sobre os altos gastos com saúde. A proposta da empresa prevê aumentos inferiores a 2% ao ano, índice que não acompanha a inflação, enquanto trabalhadores relatam que chegam a gastar mais de US$ 1.100 anuais com equipamentos de proteção que deveriam ser custeados pela própria empresa. Em alguns casos, quase todo o reajuste salarial é consumido pelo aumento dos planos de saúde, segundo informa o sindicato.
O UFCW-7 denuncia ainda que a empresa tentou impor cobranças abusivas por equipamentos de segurança, inclusive exigindo que trabalhadores paguem por itens perdidos ou desgastados, além de realizar mudanças unilaterais nas condições de trabalho. A entidade denuncia ainda retaliações contra dirigentes sindicais, recusa em fornecer informações durante as negociações e punições a trabalhadores que apresentaram queixas formais.
Ainda de acordo com o sindicato, a postura da JBS contrasta com sua capacidade financeira. Recentemente, a empresa desembolsou cerca de US$ 55 milhões para encerrar acusações de práticas ilegais no setor de carne bovina, relacionadas à manipulação de preços e à manutenção artificial de salários baixos. O sindicato destaca que a diferença entre a proposta salarial dos trabalhadores e a da empresa representa um custo pequeno frente aos lucros da companhia.
No Brasil, JBS também é alvo de diversas denúncias
A luta dos trabalhadores nos Estados Unidos reflete realidade semelhante vivenciada pelos trabalhadores da JBS no Brasil, onde a empresa também é alvo de denúncias por impor ritmos exaustivos de produção, práticas de assédio moral, subnotificação de acidentes e doenças ocupacionais, além de manter baixos salários nos frigoríficos. Um cenário que revela um padrão global de atuação baseado na busca de lucros à custa da superexploração e precarização das condições de trabalho.
Portanto, a paralisação dos trabalhadores norte-americanos se insere em uma luta mais ampla da classe trabalhadora contra a exploração e a ganância capitalista.
A CSP-Conlutas reafirma todo apoio à greve dos trabalhadores da JBS em Greeley e faz um chamado à solidariedade internacional para denunciar a postura arbitrária e ilegal da empresa e fortalecer a luta operária.
Leia também!
Altamira (PA): Indígenas ocupam Funai contra a instalação de uma mina às margens do rio Xingu