Em 24 de fevereiro de 2022, a Rússia iniciou uma invasão em larga escala com o objetivo de tomar o território ucraniano do Donbass e impôr um governo fantoche ao país, anulando a nacionalidade e a cultura ucranianas. Esse plano do ditador russo Vladimir Putin fracassou devido à resistência operária e popular ucraniana.
Com a eleição de Donald Trump, Putin conseguiu um poderoso apoiador para impor à Ucrânia, na mesa de negociações, uma capitulação que ele não conseguiu conquistar na frente de batalha. Desde então, o avanço militar russo, ainda que lento, se somava à intensa pressão estadunidense contra a Ucrânia.
O ponto alto foi a reunião entre Putin e Trump no Alasca em 15 de agosto de 2025 quando Trump assumiu todas as exigências de Putin: a concessão de mais territórios além dos 20% ocupados de forma ilegal pelas tropas russas, o reconhecimento da Crimeia como território russo, limitações às forças armadas ucranianas etc.
A nova indústria militar ucraniana
Simultaneamente ao corte da ajuda financeira e militar estadunidense, desenvolveu-se uma indústria militar ucraniana de baixo custo baseada em uma variedade de drones (interceptadores, de vigilância, para ataques individuais, marítimos), além de drones e mísseis de média e longa distância. Hoje a Ucrânia produz, em solo nacional, 70% de todos os equipamentos militares que utiliza.
Através do sacrifício de milhares de soldados ucranianos e ucranianas, somente agora armados com essas novas tecnologias, a Ucrânia conseguiu congelar os avanços militares russos na frente de batalha, afastar toda a marinha russa da costa ucraniana, e levar a guerra para dentro do território russo, atingindo fortemente a infraestrutura militar e petrolífera russas.
Há meses as forças armadas russas sofrem, em média, mais de mil baixas por dia (um quarto das quais são mortes). Neste momento, as baixas superam o recrutamento de novos soldados, o que pode obrigar a Rússia a impôr um impopular alistamento militar obrigatório, ou a aumentar as indenizações para novos recrutas, ou trazer tropas estrangeiras. As baixas ucranianas são cerca de metade das russas.
Além disso, ataques espetaculares de grande visibilidade em Moscou e São Petersburgo contra várias refinarias, incluindo uma em Omsk (a2.500 km de distância), e contra as linhas de suprimento das tropas russas levou a uma inflação alta e uma crise de abastecimento de combustíveis, em particular na Crimeia. Essa situação mudou o humor da população russa sobre a guerra, o que deve se refletir nas eleições de20 de setembro.
As mudanças na dinâmica da guerra são positivas mas ainda insuficientes para garantir uma vitória ucraniana. Além disso, Putin aproveita seu poderio militar superior para atingir de forma covarde as áreas civis das principais cidades ucranianas, impondo muito sofrimento à população visando quebrar sua moral de luta.

Debilitamento de Trump atrapalha planos de Putin
O fracasso da agressão militar estadunidense-israelense contra o Irã debilitou a capacidade militar e a credibilidade de Trump. Além disso, o fim do apoio financeiro e militar estadunidense à Ucrânia reduziu sua capacidade de influir na guerra. A proposta de Putin-Trump de capitulação da Ucrânia definida no Alasca evaporou.
Ganhourelativaforça o imperialismo europeu, que votou um empréstimo para a Ucrânia de 90 bilhões de euros em três anos, principalmente para a indústria militar ucraniana, de cujos avanços os governos europeus querem se apropriar. Mas é sempre importante ter em mente que, em três anos de agressão russa, as potências europeias nunca tiveram como objetivo uma derrota militar russa, mas sim um cessar-fogo com a partição da Ucrânia.
A única forma de expulsar as tropas russas de todo o seu território é desenvolvendoum esforço de guerra com a economia deEstado a serviço da defesa nacional e não aos lucros de oligarcas e corporações imperialistas, que fortaleça a indústriamilitar nacional e garanta os meios de sobrevivência da classe trabalhadora ucraniana.
Um grande obstáculo é a velha oligarquia ucraniana, formada a partir do roubo das propriedades públicas nos anos 1980 e 1990, e a nova oligarquia ao redor do governo Zelensky, formada principalmente a partir dos negócios da guerra. O objetivo da oligarquia é ter lucro. Por isso, envolve-se em uma série de casos de corrupção.
Outro obstáculo são as políticas antipopulares como a reforma trabalhista que precariza os direitos da classe trabalhadora, o aumento da tarifa de transporte público em Kyiv de 8 para 30 hrivnas ou o novo código civil que restringe os direitos das mulheres e da comunidade LGBTI+. Essas medidas empurram a maioria da população para a pobreza, enfraquecendo o esforço de guerra.
Somente a classe trabalhadora pode conduzir a resistência ucraniana à vitória contra o imperialismo russo, vitória esta que é muito importante não apenas para o povo ucraniano mas também para dezenas de nacionalidades oprimidas por Moscou e para a própria classe trabalhadora russa que, ao se livrar de Putin e da oligarquia russa, poderá decidir seu destino em liberdade.