Educação

UFSC após as urnas: entre o alerta e a resistência

Vitória da chapa 41, Mudar para Transformar, à Reitoria significa continuidade da precarização e avanço dos setores conservadores

PSTU Floripa,

27 de abril de 2026
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Foto Divulgação

Roberto Henrique, de Florianópolis (SC)

A vitória da chapa 41, Mudar para Transformar, representa o fim da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) como a conhecemos. Inicia-se uma nova etapa marcada por descaso, precarização e riscos de privatização da universidade. O avanço da extrema direita, fenômeno de alcance internacional e nacional, manifesta-se agora também no cenário da universidade federal catarinense. Contudo, não se trata do início dos ataques, mas de seu ápice.

A gestão Irineu já vinha sendo apontada como uma das mais problemáticas da história da UFSC. Em linhas gerais, manteve o rumo que o Governo Federal tem imposto às universidades públicas: cortes orçamentários em diversas áreas e consequente sucateamento institucional.

Durante esse período, acumulam-se relatos de problemas estruturais e administrativos, como precarização do Restaurante Universitário (RU), sobrecarga de trabalhadores, insegurança no campus e ações de caráter eleitoral questionadas por parte da comunidade acadêmica.

Esse cenário está inserido em um contexto mais amplo de redução de investimentos na educação, que atravessa diferentes governos, incluindo o de Lula, e contribui para o enfraquecimento das universidades públicas. É nesse ambiente que se consolida a vitória da nova chapa.

Mais do que diferenças, o que se observa entre as candidaturas à Reitoria são semelhanças estruturais. Ambas estariam alinhadas a uma lógica de liberalização universitária. Problemas como a falta de contratos de manutenção, escassez de recursos e a deterioração do Hospital Universitário permanecem sem perspectivas claras de solução.

A tendência é de continuidade dos cortes e do processo de decadência institucional, agora sob um cenário em que grupos de direita ganham mais espaço de atuação. Há também denúncias de episódios de assédio político a estudantes por parte de grupos organizados, sob o argumento de liberdade de expressão, conceito que tem sido distorcido para justificar ataques à universidade pública e à sua função social.

Nesse contexto, apontam-se como possíveis consequências o avanço de medidas como a redução de políticas de permanência estudantil, o enfraquecimento do Restaurante Universitário, cortes em bolsas e descaso com a moradia estudantil. Trata-se de um aprofundamento de uma agenda neoliberal já em curso.

Com a combinação de diferentes esferas de poder — incluindo o governo Lula, o governo estadual de Jorginho Mello e a nova gestão universitária — desenha-se um cenário propício à intensificação de políticas conservadoras e de mercado dentro da universidade.

Diante disso, reforça-se a necessidade de mobilização de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos. A defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade é colocada como tarefa central.

É preciso irmos à luta contra as privatizações, o avanço da extrema direita, os cortes na educação e pelo fim das opressões.

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