Partido

Um ano sem Américo Gomes

Direção Nacional do PSTU

19 de março de 2026
star5 (2) visibility 0
Américo Gomes foi um histórico dirigente do PSTU e da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)

No dia 19 de março de 2025 perdíamos o camarada Américo Gomes, histórico dirigente do PSTU e da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), vítima de um infarto.

Américo foi importante para a formação de gerações de quadros políticos. Nas homenagens de sua despedida não foram poucas as declarações ressaltando que sua vida foi dedicada à construção do Partido, da Internacional e da revolução socialista.

Começando a militar muito cedo, nos anos 1970, contra o regime militar, Américo sempre foi muito ligado à classe operária. Trabalhou em diversas empresas metalúrgicas, com o Monark, onde foi demitido por perseguição política em 1982. Inclusive, em 2013, foi declarado anistiado política pelas perseguições do Estado brasileiro durante a ditadura militar.

Sempre com muita energia e preocupado com a autodefesa da classe, foi parte importante na construção da oposição metalúrgica de São Paulo, nos anos 1980, no trabalho operário em Minas Gerais, São José dos Campos (SP), Campinas (SP) e, também, em categorias como petroleiros, sendo um dos impulsionadores da FNP (Frente Nacional dos Petroleiros).

Nos anos 2000 formou-se em Direito, mas nunca abandonou a classe operária. Ao contrário, continuou na direção de diversos trabalhos políticos e, também, organizou equipes jurídicas que estavam a serviço da intervenção do Partido junto à classe e pela reparação aos crimes cometidos pelo regime militar.

Além disso, como bom revolucionário, Américo era um internacionalista. Foi para vários países ajudar na construção de partidos revolucionários e, desde 2015, era membro da direção da LIT-QI.

Mas queríamos falar, também, de um outro aspecto da vida de Américo, que se combina com sua militância. Um aspecto pouco conhecido e que nas homenagens durante seu velório foi trazido por seu irmão Emílio: a paixão pelo samba.

Desde muito cedo, por volta de 1970/71, motivados por seu pai, os dois aprenderam a tocar instrumentos musicais como surdo, contra-surdo e repinique e começaram a tomar gosto pelo samba. Sua mãe apresentava a eles as músicas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Depois, passaram a ter contato com as letras de Martinho da Vila, chegando a frequentar as quadras da Vila Isabel e Mangueira, no Rio de Janeiro.

Américo, quando inicia a sua militância política, em 1974/75, após conhecer o jornal Pasquim, funda o “Grupo Oficina”, um grupo musical de canções de protesto, como forma, também, de aglutinar pessoas para luta política.

Emílio e Américo, inspirados em Chico Buarque de Holanda, João Bosco e Taiguara, chegaram a compor mais de 200 músicas. Mas as letras eram constantemente censuradas pelo Departamento de Censura e Diversões Públicas (DCDP) da Polícia Federal de São Paulo, entre 1977/1978. Emílio foi obrigado a comparecer à várias sessões de controle psicológico e censura, pois as músicas eram consideradas “subversivas”.

Muitas foram censuradas e outras tiveram que ser alteradas para driblar a repressão. A música “Paixão de Professor” continham a expressão “Mas, o herói de Troia foi Ulisses, o ideal de Trotsky era a Quarta Internacional…” que foi censurada, obrigando-se a escrever “Mas, o herói de Troia foi Ulisses, o ideal de Trotsky era quarta domingo…” o que deformava o sentido e desestruturava o encadeamento de rimas.

Na música “Vou conseguir te ganhar”, o trecho “só imagino a hora de te abraçar e te levar ‘prá’ Moscou!”, foi censurado, obrigando a alterar para  “só imagino a hora de te abraçar e te levar ‘prá’ Glasgow”.

Poucos dias antes de falecer, em conversas com Emílio, Américo dizia que era preciso resgatar e publicar essas músicas, algumas delas relacionadas à questão Palestina.

E essa reconexão com a música e o samba Américo estava buscando nos últimos anos, tocando surdo em blocos de carnaval de São Paulo e, como sempre, aglutinando pessoas e debatendo política!

Américo, sem dúvida faz muita falta, mas sempre será lembrado e deixa um legado importante para a construção da revolução socialista. E, como dizia a letra de uma das músicas compostas por ele e Emílio em 1977, em homenagem aos assassinados pela ditadura militar:

“Viverão para sempre, em nossas lembranças, todos aqueles que combateram por nós. Nesse mundo de martírios, tiranias, descalabros e dor o que nos resta é resistir e lutar para recuperarmos o amor vilipendiado pelo capital e o mal que não nos querem sãos, nem salvos.”

Américo, presente! Até o socialismo: hoje & sempre!

WordPress Appliance - Powered by TurnKey Linux - Hosted & Maintained by PopSolutions Digtial Coop